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Para além da morte, em tempos de morte e medo

de Ajahn Sumedho

em 20 Abr 2020

  Estou a utilizar esta oportunidade em particular pois estou de quarentena em Wat Pah Ratanawan, na Tailândia. Acabo de regressar de Banguecoque e todos temos de observar estas novas regras de ficar duas semanas de quarentena após nos termos deslocado de uma área para a outra e é claro que isto é uma oportunidade de meditar, de reflectir nos ensinamentos do Buddha, de praticar e reconhecer a situação na qual todo o planeta se encontra nesta altura, na qual toda a sociedade se vê rodeada pelo medo da morte, medo da doença; tornamo-nos muito conscientes da realidade do envelhecimento, da doença e da morte. Quando a sociedade está no seu normal funcionamento, quando as coisas não estão a tomar esta viragem tão drástica como tem acontecido nos últimos meses, não temos a tendência para contemplar e reconhecer que esta é a natureza da nossa existência: tudo o que nasce, terá de morrer, tudo o que nasce terá de crescer, envelhecer, adoecer e morrer. Estas são as condições normais estabelecidas na natureza, não impostas por qualquer divindade em particular, por Deus ou por outro ser em particular, é simplesmente a forma como as coisas são.

É importante reconhecermos em nós próprios a ansiedade, o medo, a resistência, que resulta simplesmente das notícias que através dos mídia recebemos todos os dias, com o número de mortes, a difusão do vírus que se tornou aquilo a que chamamos uma pandemia, o que significa que está em todo o mundo e não simplesmente confinado a um lugar em particular.
Esta é a primeira vez na minha vida que me lembro de estar exposto a este problema de uma pandemia a nível mundial. E ainda que eu sempre tivesse suposto que isto seria algo possível de acontecer à humanidade no Planeta Terra, sempre tive esperança que iria acontecer depois de eu morrer.

Mas isto está a acontecer agora; e é claro que estou a experienciar a velhice. E eu não tenho o coronavírus, não estou doente, estou saudável, mas em contrapartida recebemos constantemente notícias sobre doença, adoecer e morrer de doença. Existe tanta confusão à volta de ‘quem é a culpa’ deste vírus, quem é que podemos culpar e como podemos cuidar de nós durante este período. Há conselhos muito bons, é importante respeitar a opinião dos cientistas e dos médicos especialistas em relação a cuidarmos de nós, da nossa relação com os outros, mantendo as devidas distâncias, usando as mascaras de protecção e por aí fora, mas também é uma oportunidade maravilhosa para observar como o medo surge; só o facto de pensarmos na palavra ‘coronavírus’ pode despoletar aquela sensação de medo que podemos observar, a sensação de resistência, de ‘não quero isto’ . Podemos observar como é ficar ansioso e com medo disto.

Assim, é uma oportunidade para todos nós, para sermos testemunhas disto, visto o Dhamma, o ensinamento do Buddha (§) ser sobre a ‘não-morte’. Naquela famosa passagem que gosto de citar ‘Appamādo amatapadaṃ’ – A Consciência é o Caminho para a Não-morte: a ‘Não-morte’ é o caminho no qual nos encontramos, não se trata de o nosso corpo físico viver para sempre, pois isso seria uma impossibilidade. Assim, não esperamos que o corpo esteja para além da morte, bem como tudo aquilo que vemos, que ouvimos, cheiramos, saboreamos, tocamos, pensamos e sentimos. Tudo isto está sujeito a nascer e a morrer, a começar e a acabar. Mas a ‘não-morte’, o ‘amatapadaṃ’, é a consciência. Appamādo é a palavra em Pali para ‘consciência’, Appamādo amatapadaṃ é o caminho para a ‘não-morte’. A realidade da ‘não-morte’ está sempre connosco, aqui e agora, é impessoal, não a conseguimos ver, testemunhar ou objectivar, mas é algo que podemos conhecer através de nos mantermos confiantemente conscientes, sermos a testemunha da realidade dos nossos pensamentos, sentimentos, emoções e sensações físicas que estão a experienciar nesta altura. Gostaria de oferecer isto como uma reflexão para vós, esperando que vos traga um sentido de bem-estar e inspiração para lidar directamente com aquilo que realmente são, a realidade imortal, a própria consciência e não estas vulneráveis condições físicas transientes com as quais temos a tendência a nos identificarmos.

Assim, envio as minhas bênçãos e melhores votos para todos vós.

   


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