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Livro - Bhagavad-Gītā

de Rājarāma Quelecar

em 18 Mar 2021

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Sem dúvida, que através da Bhagavad-Gītā, ao longo do tempo, pôde estabelecer-se um entendimento harmonioso entre as doutrinas que se intitularam pré-védicas, não brahmanicas(5), com as que se caracterizavam védicas, pois transmite um ensinamento deveras abrangente, que serve uma miríade de ideias e ideais universais, onde todos se podem rever. A proclamação fundamental da Gītā e, que abraça todos os sistemas religiosos ou filosóficos da Índia, é a libertação dos laços mais terrenos, pelo ganho espiritual e, este pode ser obtido pela entrega devocional, pelos deveres sociais, ou pelo ascetismo, mas sobretudo, pela renúncia aos escolhos ou motivos egoístas.

Ensina que o ser humano não pode deixar de agir, faz parte do karma universal, devendo-o fazer de forma desinteressada, a favor de uma unidade, Yoga (§)(6), contrariando o ganho do interesse pessoal, pelo bem comum ou universal - só assim, as acções podem ter ressonâncias favoráveis por toda a humanidade - exortações que Kṛṣṇa faz a Arjuna ao invocar o cumprimento do seu dever. Assegura ainda que a acção libertadora é a que se fundamenta na sabedoria, quando realizada com renúncia total. A espiritualidade da acção situa-se na qualidade (ou guṇa)(7) de sattva, na qual dharma e karma se fundem numa justa acção individual, social e religiosa, simultaneamente.
Transmitido, então, em forma de diálogo, que toca nos sentimentos mais caros, numa confluência de emoções, narra os feitos de duas fações familiares, os Kauravas e os Pāṇḍavas, confrontando-se numa dura disputa dinástica. Depreende-se, desde logo, que o verdadeiro confronto é de natureza da consciência interna, colocando os sentimentos em causa, pela honra e pelo dever, bem como, pela fé na transcendência. Arjuna deve sobrepor o sentido afectivo pelo dever de defender e lutar pelo seu território. Aproveitando, então o conflito, tanto interno, quanto externo, Kṛṣṇa surge como companheiro e mentor de Arjuna, que desenvolve todo o ensinamento, apelando à honra do guerreiro e, assumindo a sua verdadeira natureza divina como Ser Supremo, participante na congratulação da vida. Advertências, no entanto, raras num contexto religioso, aparentemente contraditório perante a perplexidade e angústia de Arjuna.

A preservação da ordem do mundo nas epopeias da Índia, passa pela dicotomia entre os deuses(8) e os simples mortais, que recebem instruções de conduta, quer religiosa, quer social, ou de atitudes pessoais, sempre estabelecendo e lembrando a relação do divino com o mundo da matéria. A Gītā é assim também um ensinamento didático, com forte impacto na mentalidade hindu, que abarca todas as camadas sociais com base no Dharma(9), o Dever - a accção correcta - de qualquer um, nas obrigações comportamentais. Que a ordem social do mundo está interligada com a ordem divina e, portanto, também sempre numa correlação devocional e assim Kṛṣṇa vem como o instrutor, que repõe a ordem numa linguagem emocional, porém transcendente, usando a fé como um amparo espiritual que consola e abriga, de forma simples sem esforço, sempre reinventado e renascendo eternamente.

Notas. 1 - Sūtras - Literalmente, “fio”. Aforismos, mnemónica. Palavras condensadas.
2 – O Mahābhārata contém a história dos grandes feitos de Bhārata, incluindo a célebre narrativa da Bhagavad-Gītā. A sua autoria é atribuída a Vyāsa, nome que aparece em diferentes e distantes épocas, podendo na verdade, não ser um nome próprio, de um autor, mas ser a designação de alguém que compila, compõe, reúne um trabalho. A palavra vyāsa (dicionário, Monier Williams) – significa, “separação”, “difusão”, “compilação”, “separação”.
3 – Leis de Manu - Pensador, da raiz man - pensar. O Legislador, Espírito Regente da Humanidade num determinado ciclo de evolução. Inteligência. “Criatura pensante”. Nome atribuído ao progenitor da humanidade em cada Kalpa ou “Dia de Brahmā”. Cf. A Escrita Perfeita – Pequeno Dicionário de Sânscrito, de Maria Ferreira da Silva, Publicações Maitreya.
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