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A propósito de diálogo islamo-cristão

de Adel Sidarus

em 05 Jul 2007

  Os conflitos e confrontos, às vezes sangrentos e à escala planetária, que assolam o nosso mundo de hoje, não têm origem primeira nas religiões, na diversidade cultural ou nas pertenças étnicas. Eles alimentam-se, em primeiro lugar, de interesses sociais, económicos e políticos antagónicos e resultam duma ordem mundial (ou regional ou local) injusta e profundamente desequilibrada. Os protagonistas do “novo império” ocultam, consciente ou inconscientemente, essa simples verdade ao falarem de “choque de culturas ou civilizações” e de “guerras religiosas”.

Diálogo Inter-religiosoÉ verdade que as pertenças religiosas, culturais ou étnicas têm sido manipuladas – em geral por grupos minoritários (!) – ou para “legitimar” a imposição violenta daqueles interesses, ou como reacção, por vezes desesperada, àquela ordem das coisas viciada e intolerável. Mas não são elas a causa última das guerras e do terrorismo (?), como o prova a convivência milenar de povos, culturas e religiões em grandes espaços ou impérios. Foi o caso de vários impérios islâmicos pretéritos, e a China e a Índia são disso ainda testemunhos, sem convulsões de maior.
O que está a acontecer é que o processo acelerado da mundialização e globalização não foi acompanhado por valores culturais e éticos correspondentes – por um “acréscimo de espírito”, para retomarmos a expressão de Karl Jaspers há mais de meio século... Esse processo tem antes atropelado ou destruído alguns sistemas de valores profundamente ancorados no coração das populações do globo, alguns deles muito antigos, sem propor substitutos viáveis.
Em sentido contrário, as religiões e outros sistemas filosóficos afins, que sempre enformaram e sustentaram os valores éticos da Humanidade, não conseguiram, dum modo geral, acompanhar o ritmo das mudanças dos paradigmas societais e da nova conjuntura planetária. Parecem ter parado um pouco no tempo, ficando presas às suas tradições particulares, por vezes milenárias, sem capacidade de actualização, universalização e “globalização” das suas mensagens e seus valores.

O nosso mundo de hoje precisa como nunca antes, e com grande urgência, não tanto duma nova religião ou cultura universal uniforme, mas que as diferentes tradições culturais e espirituais descubram ou re-descrubam – todas juntas, de modo solidário e igualitário (!) – os valores “antropológicos” perenes que correspondam às necessidades e anseios dos homens e mulheres dos nossos tempos, aqueles valores que possam fundar e enformar as relações entre povos e sociedades, e bem assim as diferentes esferas da actividade social organizada e mundializada (diplomacia e política, comércio e economia, relação com a natureza, serviços públicos, etc.).

Tragicamente, um dos conflitos mais sangrentos e retumbantes da actualidade e, por consequência, o diálogo mais premente hoje em dia – até em função da Europa em construção e da coexistência dos povos europeus e árabes no espaço do Mediterrâneo – são os que implicam o cristianismo e o islamismo, as duas religiões mais “universais” do planeta, em termos de números, de presença planetária transversal e de impacto cultural e político.
Para aclarar os acontecimentos presentes, como para melhor focar os desafios imediatos, conviria situar o fenómeno num quadro social e político global abrangente: o “choque cristão” dos últimos dois séculos, com o colonialismo, o (neo-)imperialismo, a actual invasão e ocupação de territórios muçulmanos, o apoio incondicional às políticas expansionistas e arrogantes do Estado de Israel, etc. A isso haveria que acrescentar o choque da modernidade, imposto pela civilização euro-americana e a consequente globalização tecnológica e materialista... A par, claro, do choque Norte/Sul que, revelando os profundos desequilíbrios da nova ordem planetária, põe directamente em confronto o cristianismo (ocidental !) e o islamismo, pois que as primeiras linhas da frente que separam esses dois mundos antagonistas coincide largamente com a divisão geográfica dos dois blocos religiosos.

Afinidades e pontos comuns
E contudo..., o cristianismo e o islamismo (juntamente com o judaísmo) pertencem ao tronco comum das religiões monoteístas ditas reveladas, tronco que corresponde ao derradeiro ciclo mediterrânico da história religiosa da humanidade. Os seus fiéis não reivindicam a mesma filiação espiritual, a de Abraão, o pastor da Mesopotámia (hoje Iraque...), que transmigrou para ocidente?
  (... continua) 
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