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Viagem ao Tibete

de Maria

em 19 Mai 2019

  (...anterior) Tinham o pior aspecto que já vi em algum ser humano: muito sujos e esfarrapados, embora sorridentes e com vontade de ajudar. Contudo só tomaram conta das nossas malas após algum tempo de descanso nosso, num hotel e numa cena quase que aterrorizadora. Todo o grupo descera aos andares subterrâneos onde se encontrava um restaurante, ao que parece muito fraco, e eu ficara sozinha por não conseguir ainda comer, a guardar as malas. Subitamente, qual uma horda dos infernos, precipitaram-se sobre as malas e sobre mim, que as tentava defender, um magote de homens e mulheres em grande correria e algazarra. O meu primeiro pensamento foi o de quererem roubar tudo e aflita fui às escadas "berrar" pelo Discípulo. Mas foi um funcionário do hotel que conseguiu separá-los das malas e repor a calma no agitado átrio e em mim. Isto sucedeu porque havia mais carregadores que viajantes e, competem entre si, pelos seus meios de sobrevivência. Só mais tarde é que se fez o contrato pelo guia chinês do número de carregadores e do dinheiro que receberiam.

Começamos então de novo a subir montanhas. Chovia muito e todo o percurso foi feito em terra enlameada. Foi um esforço contínuo, ainda com os perigos de atravessar uma cascata, na qual a água descia velozmente pela montanha abaixo e apenas existiam umas pedras postas pelos carregadores a fazerem de ponte. Por vezes essas pedras nem se viam, ao ficarem cobertas pela água, e tínhamos que calcular onde elas estavam e também a dimensão do salto para nelas pôr os pés. Os homens ajudavam as mulheres mas, eu e a japonesa do grupo caímos, ou dobramos os joelhos demais e ficamos encharcadas e magoadas. Mas não podíamos sequer parar por causa do perigo das avalanchas e lá fomos arrastadas, numa luta quase titânica contra tudo, encosta acima, numa progressão que parecia de doidos...
Pensava ser o fim dos meus dias. Ao cimo da montanha finalmente havia um autocarro. Estávamos todos molhados e esgotados.
Começamos então a subir já de autocarro quatro mil metros, para pernoitar num albergue chino-tibetano. A paisagem era soberba!

Durante duas horas viajei molhada o que provocou uma constipação com altas temperaturas de noite. Nada comi durante este dia nem tão pouco à noite. O grupo jantou num restaurante pegado ao albergue. No dormitório (melhor barracão), deram um quarto para as mulheres, outro para os homens. Havia uma casa de banho na rua, (ou melhor dois buracos) e água canalizada não existia. Deram-na quente em garrafas térmicas, mas tão pouca que servia apenas para lavar os dentes e a cara.
Levantámo-nos às quatro da manhã, fizemo-nos ao caminho e percorremos quilómetros e quilómetros de terras desertas até às nove horas. As montanhas nevadas apareceram ao nascer do sol e parávamos de vez em quando, uns para tirar fotografias, outros para contemplar...
Continuo sem comer: o estômago recusa-se a qualquer espécie de alimentação, além da febre que já por si tira o apetite.
Agora aqui parados em Tingrim, sob um sol escaldante, depois de termos tiritado durante toda a noite com frio, e também de manhã, não almoçamos a comida chinesa de carnes e fritos. Para mim uma maçã e uma bolacha. O restaurante é dentro dum aquartelamento chinês onde se vêem alguns soldados”.

10-8-89
Sakya.
“Ontem chegámos a esta cidade às oito horas da noite, hora local. Há uma diferença de cerca de três horas do Nepal. A viagem foi fatigante e senti-me um pouco indisposta no ponto mais alto que passamos, cinco mil metros. Porém, nas neves frias e puras, pairava sobre mim o cálido Amor dos Mestres, sentido serenamente no coração. Neste ambiente gigantesco, tão projectado nas alturas como que numa evocação aos céus, senti a comunhão do Universo com os seres da Terra.
Também enquanto caminhava parecia-me que ouvia o ressoar dos passos dos primeiros pioneiros ocidentais que ali passaram, como se nos planos astrais o seu reflexo permanecesse.
Este hotel, tal como o anterior, não tem as mínimas condições.
  (... continua) 
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