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Shakuntala (Śakuntalā)

de Abanindranath Tāgore

em 13 Ago 2018

  (...anterior)
Aproximaram-se, descobriram a pequena Śakuntalā e recolheram aquela tenra flor desconhecida; poisaram-na com carinho no seu cesto, entre as frutas e as flores, e levaram-na assim ao Pai Kamādeva.
Todas as aves da floresta e todas as gazelas, querendo escoltar Śakuntalā, seguiram os jovens ascetas até ao eremitério; e lá se instalaram para nunca mais abandonarem a criança que tinham encontrado.
Śakuntalā viveu no eremitério, aninhada no regaço de Gautamī. Mais tarde engatinhou pelo chão da choupana e em breve corria pela floresta para ir brincar à sombra do baniane.
A moita de Madobis (1)

Śakuntalā cresceu. Śakuntalā tornou-se bela... Em breve chegou a idade de casar. Então o Pai Kamādeva deixou o eremitério e foi percorrer o mundo, a fim de arranjar um esposo digno dela.
Os verdadeiros pais de Śakuntalā tinham-na abandonado, mas ela encontrara, em Kamādeva e Gautamī, pais adoptivos que viviam só para ela; não tinha irmãos, mas todos os jovens ascetas tratavam-na como irmã, e as lianas e as flores da floresta tinham-na adoptado como uma das suas irmãs.
Sakuntalá tinha também duas amigas muito queridas: Anasuyā e Priyāmbada; tinha ainda uma outra companheira: uma pequena gazela impaciente e alegre que nunca se separava dela.
(1) Árvores de flores brancas e perfumadas.

As três raparigas andavam muito atarefadas; ocupavam-se dos serviços domésticos, acolhiam os hóspedes do eremitério, regavam as plantas, de manhã e de tarde; por vezes divertiam-se casando as flores de jasmim com os botões da mangueira.
As duas amigas de Śakuntalā tinham ainda uma outra tarefa: todas as manhãs regavam os renovos de madobis enquanto formulavam um voto:
Querida madobi cobri-te de flores,
Para que Śakuntalā seja feliz nos amores

Que faziam, ainda, as três raparigas na floresta?
Brincavam e doidejavam por toda a floresta sem medo e sem entraves, livres como jovens gazelas; colhiam flores e frutas na floresta atarefadas como jovens abelhas; nadavam nas águas do Malinî como graciosos peixes e, todas as tardes, entravam no eremitério, correndo, através do bosque, pelas veredas sombrias como ninfas silvestres.

Um dia, suavemente acariciada pela brisa do Sul, a moita de madobis cobriu-se subitamente de flores. Ao deparar com aqueles signos de bom augúrio, Asanuyā e Pryāmbada, alegres como duas jovens gazelas, puseram-se a dançar e a cantar:
O madobis pela primeira vez,
todo florido apareceu.
É um feliz presságio
de união e himeneu.
Um rei ou um herói,
no seu carro d’oiro virá,
dum país de sonho,
desposar Śakuntalā

O Rei Duśyanta

O país onde se encontrava o eremitério era governado pelo Rei Duśyanta; nenhum outro Rei na terra tinha poder igual ao seu; ele era o Rei dos Reis!
Ele reinava sobre o Norte e sobre o Sul, reinava sobre o Este e Oeste, sobre os Sete Mares e sobre as Treze Ribeiras, reinava, enfim, sobre o Universo inteiro.
Tinha numerosos vassalos e muitos soldados; as suas estrebarias estavam cheias de cavalos e de elefantes; nas suas cocheiras cintilavam carros de oiro e de prata; seu palácio cheio de escravos ocupava uma extensão de duas horas de percurso em redor; o seu renome invadia toda a terra.

O Rei Duśyanta possuía, também, um amigo, a quem era muito dedicado: Madavyā, o Bufão.
Ora, no próprio dia em que, no eremitério longínquo, a moita de madobis se cobriu de flores, Duśyanta, o Rei dos Sete Mares e das Treze Ribeiras, disse ao seu amigo:
-Partamos hoje mesmo, para a caça!
Mal ouviu a palavra “caça”, o amigo do Rei pôs-se a tremer como se tivesse febre.
Madavyā era um gordo homem pançudo que gostava de viver tranquilamente no Palácio, mascando confeitos, de manhã à noite. A caça aterrava-o, tinha a sensação de ser rodeado por ursos malfazejos e por tigres ferozes; sentia-se logo vítima de todas as feras da floresta...
  (... continua) 
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