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Apresentação do projecto de criação do Mosteiro Budista Theravada da Tradição da Floresta da Tailândia em Portugal.

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Plena Atenção - 2ª Parte

de Ajahn Sumedho

em 24 Jan 2011

  Caminhar “Jongrom”* é uma prática de caminhar centrados no movimento dos pés. Trazemos a atenção para o caminhar do corpo desde o princípio de determinado percurso, até ao fim. Damos meia volta e paramos. Surge então a intenção de andar e assim o fazemos. Reparem no meio do caminho e no fim, parando, virando, ficando parado; os momentos em que acalmamos a mente quando esta começa a divagar em todas as direcções. Se não tivermos cautela podemos planear uma revolução ou algo assim enquanto fazemos jongrom! Quantas revoluções terão sido planeadas durante jongrom…? Então em vez de fazer coisas como essas usamos esse tempo para nos concentrarmos naquilo que na verdade está a acontecer. Não são sensações fantásticas mas sim tão comuns que nem reparamos nelas. Reparem que é preciso esforço para estar verdadeiramente consciente de coisas assim.

Caminhando atentamente (Jongrom)

Quando a mente vagueia e dão por vós na Índia enquanto estão a meio do caminho do jongrom, então reconheçam – “Oh!” – nesse momento estão despertos e por isso podem restabelecer a vossa mente no que está realmente a acontecer, o corpo a andar de um ponto para o outro. É um treino de paciência pois a mente vagueia por todo o lado. Se no passado tiveram momentos de graça enquanto faziam jongrom e pensarem “no último retiro fiz meditação andando e realmente senti apenas o corpo a andar; senti que não havia “eu” e foi maravilhoso, oh, se o pudesse fazer de novo…” observem então esse desejo de obter algo de acordo com uma memória de um momento feliz. Reparem nisso como uma condição pois isso é um obstáculo. Abram mão de tudo, não importa se daí resultará um momento de graça ou não. Apenas um passo e depois um novo passo – isso é tudo o que é preciso, um deixar ir, um ficar satisfeito com pouco em vez de tentarem obter um estado de graça que talvez tenha acontecido a dada altura, durante este tipo de meditação. Quanto mais tentarem pior ficará a vossa mente pois estão a perseguir o desejo de ter uma determinada experiência maravilhosa, de acordo com a vossa memória. Fiquem satisfeitos com as coisas como elas são neste momento, em vez de se precipitarem a fazer algo para obterem determinado estado desejado.

Um passo de cada vez - reparem quão pacífico é fazer meditação andando quando tudo o que temos de fazer é estar presentes em cada passo. Mas se pensarmos que temos de desenvolver samādhi através desta prática e a nossa mente viajar em todas as direcções, o que é que acontece? “Eu não suporto este tipo de meditação, não alcanço nenhuma paz com ela; tenho praticado tentando ter este sentimento de “andar sem ninguém andar” e a minha mente simplesmente vagueia por toda a parte” – isto acontece porque ainda não percebemos como fazê-lo; a nossa mente está a idealizar, a tentar

obter algo ao invés de simplesmente ser. Quando estamos a andar tudo o que temos de fazer é andar. Um passo, um próximo passo – simples… Mas não é fácil, não é? A mente é distraída, tentando perceber o que deveríamos estar a fazer, o que está errado connosco e porque não o conseguimos fazer.
Mas no mosteiro o que fazemos é levantarmo-nos de manhã, fazer os cânticos, meditar, sentar, limpar o mosteiro, preparar a comida, sentar, levantar, andar, trabalhar, … o que quer que seja, simplesmente fazemos aquilo que surge para fazer, uma coisa de cada vez. Então, estar com as coisas como elas são é desapego, é isso que traz paz e alívio. A vida muda e podemos observá-la a mudar, podemo-nos adaptar à mudança do mundo dos sentidos, qualquer que seja. Quer seja agradável ou desagradável, podemos sempre aguentar e colaborar com a vida, aconteça o que acontecer. Se realizarmos a verdade, realizamos a paz interior.

*Jongrom (palavra tailandesa): andar para a frente e para trás num caminho a direito. Ver pág. 2

Amor Incondicional (mettā)
Em inglês a palavra “love” (amor) refere-se a “algo de que gostamos”. Por exemplo “gosto de arroz pegajoso”*, “gosto de manga doce”. Na verdade quer dizer que gostamos dessas coisas. Gostar é estar apegado a algo como por exemplo a certa comida que apreciamos ou adoramos. Não a amamos. Mettā significa amar o inimigo. Se alguém nos quer matar e dissermos “Gosto desta pessoa”, parece uma tolice! Mas podemos amá-la, no sentido de que nos podemos abster de pensamentos desagradáveis e de desejos de vingança, ou mesmo de qualquer desejo de a magoar ou aniquilar. Mesmo que não gostemos dos inimigos – pessoas miseráveis, vilões – ainda assim podemos ser amorosos, generosos e caridosos para com eles. Imaginemos que um bêbado imundo, nojento, feio e malcheiroso vinha a esta sala. Se, apesar de não haver nada nele que nos atraísse, disséssemos “Gosto deste homem”, seria ridículo.
  (... continua) 


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