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Fílon de Alexandria

de Maria Ferreira da Silva

em 04 Ago 2014

   Fílon de Alexandria foi um dos mais conceituados filósofos do judaísmo e da cultura grega. Ficou conhecido por analogias e comparativo entre a Bíblia e elementos da filosofia de Platão, onde o Demiurgo de Platão é o mesmo que o Deus criador dos hebreus. Estudou profundamente os textos bíblicos exegeticamente ultrapassando os significados textuais, já que buscava a autenticidade da mensagem divina, acreditando na doutrina da existência de Deus. Dizia que as palavras contidas nos textos bíblicos eram apenas instrumentos para o conhecimento de Deus, que por princípio não pode ser expresso por palavras.

Fílon foi, provavelmente, o maior escritor da diáspora, do primeiro século E.C. Fílon, nasceu aproximadamente em 10 E.C., numa rica e influente família judaica que vivia na cidade de Alexandria, no Egipto (§), que na época, acolhia uma das maiores comunidades de judeus fora da Palestina e onde morou até o fim de sua vida. Morreu aproximadamente em 50 E.C.

Fílon baseia a sua filosofia nas Escrituras num sistema lógico e divino, embora manifeste claramente influências pagãs e contendo essencialmente uma base platónica. Estava convencido de que a fé judaica e a filosofia grega coincidiam em diversos pontos, especialmente na busca da verdade, pela existência de um Deus único, incorpóreo e que não tem princípio, nem fim.
Que, devemos a criação do mundo ao Logos, que é a actividade intelectiva de Deus. O Logos é o que está entre Deus e os homens, é o intermediário da relação entre os dois. O Logos é o ser mais antigo, o primeiro a ser criado por Deus e é também a sua imagem. O Logos é assim uma espécie de ser colectivo fonte e instrumento da criação, que embora não sendo igual a Deus participa da sua natureza divina.

Através da exegese Fílon revela uma simbologia nas palavras bíblicas que vão além do significado imediato e literal. A fim de explicar a sua filosofia recorria ao método alegórico, cujo objectivo era desvendar os textos sagrados num sentido literal, mas profundo e espiritual que constituía a essência da revelação. Este modo de interpretação vem a ser muito respeitado pelos primeiros cristãos, incluindo os primeiros Padres da Igreja, a Patrística. Ele tenta conciliar a filosofia grega e o judaísmo, mas nem os gregos nem os judeus aceitaram muito bem a sua obra, que somente foi reconhecida e aprovada pelos primeiros cristãos. E foi sobre o cristianismo que a filosofia de Fílon exerceu maior influência: abriu caminho à teologia cristã. Por essa época S. Paulo divulgava já a sua doutrina baseada no ensinamento de Jesus, mas também bastante influenciado pela cultura grega e judaica.

Também não é certo ainda hoje saber a influência que sofreu S. João Evangelista com o conceito do Logos (em princípio será de influência grega), que acaba num desdobramento considerável ao Logos de Fílon, pois o Logos passa a ser o próprio Deus criador, enquanto para Fílon o Logos era o “instrumento” de Deus na criação do Cosmos. O Logos tinha sido concebido pela mente de Deus antes de todas as coisas, sendo, portanto, o Logos que representa a transcendência de Deus no mundo.
Em relação às criaturas no mundo, para Fílon de Alexandria. Deus transcende tudo o que é conhecido pelo homem, e vai para além dos limites da experiência material. O homem tem como meta voltar a unir-se a Deus que é perfeito e sobre o qual o homem não tem a capacidade de compreensão. Para se unir a Deus o homem tem que se libertar da sua ligação com os sentidos primários do corpo.

Para Fílon, se queremos ter Deus como extensão da nossa mente, devemos primeiro torná-la merecedora dele. Sendo o homem constituído por corpo, intelecto e espírito, a sua origem é de Deus. A inteligência humana podendo ser corrompida, torna-se terrena, mas se a sublimar, liga-se ao espírito divino, descobrindo então, a verdadeira vida. E acrescenta: porque a sabedoria é uma estrada grande e directa. É quando o trajecto da mente é conduzido ao longo da estrada que chega ao objectivo que é o Conhecimento e reconhecimento de Deus.

Segundo Fílon o homem pode levar sua vida de três formas, a primeira é ligada ao corpo como extensão física, essa é a forma mais básica e inferior. A segunda é a dimensão da razão, que estando a alma ligada ao intelecto, usa nessa dimensão a razão para dirigir a sua vida. Por fim, a última e superior forma está ligada ao divino, dimensão em que a alma e o intelecto tornam-se eternos à medida que estabelecem maior ligação ao espírito divino.

Como filósofo e místico deixou-nos uma mensagem profunda espiritual, ainda hoje merecedora de respeito que caracterizou a essência do seu ensinamento: Devemos viver em e para Deus.
   


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