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Graça Divina

de Debabrata Sen Sharma

em 13 Ago 2016

  No geral, a característica proeminente da filosofia indiana é o postulado do ideal supremo da realização do homem na sua vida e também a formulação dos meios para alcançar tal ideal. É por esta razão que a disciplina espiritual (sādhana) é prescrita por todas as escolas indianas de pensamento filosófico em conformidade com a sua particular perspectiva filosófica, o que constitui a parte inseparável das suas projecções de pensamento metafísico. Tal aplica-se mais às escolas filosófico-religiosas que devem a sua origem à tradição Tantra-Āgamic na qual se destacam os exercícios espirituais. A escola Shiva Advaita de Cachemira, vulgarmente chamada escola Shivaíta de Cachemira, assentando em sessenta e quatro Bhairavāgamas, parece ter as suas projecções de pensamento metafísico movendo-se à volta de sua filosofia de sādhana. O conceito de Graça Divina, o princípio Guru e o rito de iniciação (dikshā) – estes são os três membros (angas) da filosofia de sādhana. Propomo-nos a discuti-los, um a um, nos parágrafos seguintes. Mas antes de o fazer, gostaríamos de projectar alguma luz em alguns dos princípios filosóficos ligados com a sua filosofia de sādhana, porque esse conhecimento nos ajudará a compreender o conceito chave.

Graça Divina, Guru e o Rito da Iniciação à luz do Shivaísmo de Kachemira

Background metafísico

Sendo firmes defensores da filosofia do não-dualismo integral (akhandādvaita vāda), os Shivaítas de Cachemira postulam uma realidade como sendo a última Realidade, Um-sem-Segundo, à qual atribuem vários nomes, tais como Para Samvid (Princípio de experiência Suprema), Chaitanya (§) (Princípio de Consciência), o Anuttara (o da transcendência), etc. O Para Samvid ou Chaitanya é consagrado com shakti divino, constituindo a sua própria natureza (svarupa). Por conseguinte, também lhe é atribuído o nome de Parama Shiva (Shiva Supremo) e Parameshvara (Supremo Senhor).

Aqui a questão que naturalmente se poderá colocar é: Porque é que sendo a Realidade Última foi delineada de duas formas no Shivaísmo de Cachemira, nomeadamente, como um conceito abstracto destituído de forma, e ao mesmo tempo, como Parama Shiva ou Parameshvara, tendo a forma de um Ser Supremo, ou Deus? Não haverá aqui uma contradição? Como pode a Realidade Última ser ao mesmo tempo informe (nirākā) e também ter forma (sākāra)? Os Shivaítas de Cachemira dizem que não existe qualquer contradição. Os filósofos que gostam de descrever o seu pensamento metafísico em termos filosóficos abstractos, descrevem a Realidade Última sob a forma de um conceito abstracto, mas aqueles que estão inclinados para uma realização espiritual e a realizam de acordo com o sādhana, preferem conceber a Realidade Última sob a forma do Senhor Supremo, ou Shiva Supremo, para que lhes possa servir como fonte de inspiração e de força no desempenho das suas práticas espirituais. É fácil para os sādhakas meditar no Deus pessoal. Encontramos um eco desta predisposição no famoso dizer de Sri Ramakrishna :” Brahman é Kāli, e Kāli é Brahman.”Aqui Brahman simboliza a omnipresente Realidade, enquanto a Deusa Kāli representa a mesma Realidade, tendo o nome e a forma, que lhe é querida. Como suporte desta afirmação, ele diz-nos que a água informe no estado líquido e a mesma água em estado sólido de gelo, não são duas entidades diferentes. São idênticas em essência. Sri Aurobindo (§) diz o mesmo na sua Vida Divina contextualizando os ensinamentos dos Upanishads: «É um erro conceber que os Upanishads ensinam a verdadeira existência (paramārthasat) sob a forma de Brahman impessoal e inactivo, como um Deus impessoal, sem ter quaisquer poderes ou qualidades. Declaram antes uma (Realidade) “incognoscível”, que se nos manifesta através do aspecto duplo, do pessoal e do Impessoal.»

Parama Shiva e Shakti


Já afirmámos que os Shivaítas de Cachemira descrevem a Realidade Última, Chaitanya ou Parama Shiva como estando sempre associada a Shakti (poder). Tal não deve ser tomado como implicando que Chaitanya e o Seu Shakti – chamado Citi Shakti -, ou Parama Shakti e o Seu poder, sejam duas entidades ontológicas diferentes, que estão relacionadas entre si pela relação de herança (samavāya), tal como o substrato (guni) e o seu atributo (guna). Pelo contrário, os Shivaítas Advaita de Cachemira defendem que o Shaktimān, Chaitanya ou Shakti são idênticos em essência. De facto, Chaitanya e Citi Shakti, ou Parama Shakti e o Seu divino Shakti representam, por assim dizer, duas “faces” da mesma Realidade, uma simbolizando a face estática e a outra a face dinâmica sempre activa. E continuam, asseverando que Chaitanya, despojada de Citi é inconsciente (acetana) como matéria morta, ou Shiva menos Shakti é como um corpo morto (shava). Tal como não é possível conceber o fogo despojado de seu poder de queimar (dāhikā shakti), assim também não podemos imaginar Chaitanya ou Shiva desprovidos de Shakti.

Embora os Shivaítas de Cachemira sejam acérrimos protagonistas do não-dualismo (advaita vāda), defendem a multiplicidade do mundo como sendo real e existente.
  (... continua) 
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