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A ilusão de Nārada

de Maria

em 20 Abr 2015

  Nesta breve história é evidente a crença na reincarnação, que sustenta não só, a mitologia como a própria vida da Índia, com fundamento nas suas tradições religiosas e culturais. Mostra-nos, também, que mesmo aquele que já escolheu uma vida de retiro, pode ainda não se encontrar absoluta e suficientemente seguro para enfrentar a ilusão do mundo e de si próprio, e, como Māyā prende facilmente o mais prevenido. Quando ao praticarem-se austeridades e fervente ascetismo, para cortar os laços da ignorância a que nos prende Māyā, não se rompe de imediato com os anelos mais difíceis pois, ocultos, escapam a uma mente demasiadamente preocupada em os destruir. Nārada não era o que imaginava e assim se deixa arrastar para outra existência ou incarnação, numa nova forma física em busca da ilusória felicidade.

Nārada era um asceta que mediante prolongadas austeridades e práticas devocionais obteve a Graça de Viṣṇu. Este apareceu ao santo homem e, por apreciar tanto a sua vida de retiro, concedeu-lhe um desejo.
- «Tu que estendes o véu da ilusão (Māyā), sobre todos nós, mostra-me esse teu poder mágico», pediu Nārada, e o deus, com um sorriso enigmático, disse-lhe: assim o farei, anda comigo.
Da sombra prazenteira do bosque, no qual se protegia o eremita, Viṣṇu conduziu-o para uma área deserta abrasada pelo sol e não tardou que os dois sentissem sede. A certa distância, apareciam os vagos contornos duma minúscula aldeia.

Viṣṇu, perguntou: “Podes ir ali e trazer-me um pouco de água?” “Com certeza, Oh Senhor” replicou o santo, dirigindo-se rapidamente para o pequeno povoado, enquanto o deus, se deitava à sombra dum penhasco a esperar o seu regresso.

Quando Nārada chegou à aldeia, bateu à primeira porta que encontrou. Abriu-a uma formosa jovem e o santo experimentou algo, que até ali jamais havia imaginado. Os encantos dos seus olhos deixaram-no hipnotizado e, deleitando-se no seu olhar, esqueceu-se completamente do que o tinha levado ali. Eles pareciam-se com os do seu Senhor e amigo.

A jovem, doce e calorosamente deu-lhe as boas vindas. A sua voz era como um laço de ouro, no qual ele se sentiu preso e, como num sonho, cruzou o umbral...

Todos os da casa o saudaram com respeito e honradamente como se acolhe um homem santo, ou um ancião venerável por largo tempo ausente. Nārada ficou satisfeito com tão alegre e nobre acolhimento e com muito à vontade deixou-se ficar…

Ninguém lhe perguntou ao que vinha; parecia que pertencia à família desde tempos imemoriais... Decorrido um tempo, pediu permissão para casar-se com a rapariga, decisão que todos esperavam. Assim converteu-se num membro da casa e compartilhou dos prazeres e afazeres de uma família campesina.

Passaram largos anos e nasceram três filhos. Quando o sogro morreu, passou-lhe todos os poderes e responsabilidades e assim herdou propriedades e o dever de guardar e cultivar os campos.
Até que em determinado ano, a estação das chuvas, foi extraordinariamente violenta. Os rios cresceram e numa noite precipitaram-se ladeira abaixo, inundando subitamente a aldeia. As cabanas de palha foram arrastadas e todo o mundo teve de fugir.

Segurando a mulher com uma mão e com a outra dois dos seus filhos e carregado nos ombros com o mais pequeno, Nārada começou a caminhar a toda a pressa. Avançavam na mais completa escuridão, por meio do lodo escorregadio e de águas turbulentas. Como levava uma carga grande, com a força da corrente, cansaram-se-lhe as pernas, tropeçou numa pedra e caiu-lhe o filho dos ombros que desapareceu imediatamente por entre a obscuridade. Com um grito de desespero, soltou os dois maiores para acudir ao pequeno, mas foi tarde demais; a corrente arrastou rapidamente os outros, e antes mesmo que se desse conta de maior tragédia, foi arrancado do lado de sua mulher e levado também pela corrente como um tronco inconsciente.

Nārada foi parar por fim a uma pequena escarpa. Quando voltou a si, abriu os olhos e viu um imenso rio de águas lamacentas. Foi incapaz de fazer outra coisa senão chorar.

«Filho» - ouviu uma voz familiar que lhe paralisou o coração. «Onde está a água que te havia pedido para trazeres? Estou esperando há mais de meia hora».

Nārada voltou-se e viu o resplandecente Viṣṇu com um sorriso e uma suave pergunta. «Compreendes agora o segredo de Māyā?».
   


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