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O que Buddha não disse

de Maria

em 30 Ago 2015

  Uma boa parte da humanidade tem uma concepção de Deus derivada das religiões da Bíblia e sob essa perspectiva concebe-se Deus à escala humana, que embora superior em virtudes e poder, não deixa de ser um conceito terreno. No conceito oriental e sob a perspectiva do ensinamento do Buddha, vemos que a preocupação fundamental, não foi apresentar um conceito de Deus ou dizer que Ele existe, mas como “chegar” a Ele. O princípio da sua doutrina do Buddha reside na transformação do homem pelas acções e pensamentos correctos e só depois então, pode nesse percurso vir a desvendar a sua própria natureza e a conhecer a transcendência a qual designou por Nirvāna. Este autoconhecimento (no Budismo) visa que o homem transcenda a sua própria humanidade pelo estado de consciência desperta; ser autoconsciente, sem autocomiseração e vitimização, ou qualquer outro aspecto de fraqueza humana, através da recta conduta.

Em certas correntes filosóficas dentro do Hinduísmo já a primazia é a devoção, quer seja a Brahman (Deus) quer seja a deuses menores como Viṣṇu e Śiva, mas também preconiza um longo caminho a percorrer para a auto-realização, usando práticas internas e externas, e principalmente sublimar através do amor incondicional(1). A diferença entre o Budismo e o Hinduísmo reside apenas na forma como são sequenciados os métodos para a salvação, pois de resto são coincidentes. Na verdade, o Advaita Vedānta (Hinduísmo), contém muitas correspondências com o Budismo. A ideia principal das duas doutrinas é a superação humana pela consciência de si através da sua própria atitude, com perseverança, fé e confiança em si mesmo; convicto de que pelo esforço contínuo alcançará um dia a libertação, sem a dependência da adoração a deuses. O Budismo tem como meta o Nirvāna (Unidade) e o Vedānta propõe a identificação total com Brahman (Unidade).

Porém, uma coisa é o ideal que consta numa doutrina ou religião e outra é a sua aplicação prática e sincera, porque se a adoração a Deus for apenas de forma teórica ou se o crente for conduzido pela educação religiosa e social onde nasce, a tendência é descurar a autotransformação – apenas é visto o “objecto” de adoração de forma superficial – e o autoconhecimento fica perdido, tornando-se um caminho muito lento, até à descoberta não só de Deus, como de si mesmo. Segundo o Buddha (§), o “desperto” é aquele que empreende de forma consciente a sua transformação para a libertação, não só do sofrimento como das reencarnações e o que fica como meta nesta superação é o Nirvāna. Como pode explicar-se o Nirvāna, a quem minimamente não conhece de forma consciente a transcendência?

Para o Buddha, a verdadeira fé está no transcendente (o incondicionado) ou tudo aquilo que não “é” sob nenhum aspecto ou forma. Tudo o que é substância tem forma consistindo em agregados compostos que se dissolvem e portanto “nada é” tudo se decompõe. A transcendência não é substância, não se vê, não se apalpa e está para além da definição, como tal não é possível explicar: o Nirvāna é assim indefinível.

Buddha falou da transcendência como algo para além de tudo o que ele tenha negado. Ele mostrou um caminho aberto à inteligência para o conhecimento do Nirvāna. É nesta via do autoconhecimento que ocorre a purificação mental e corporal – desejos, sentidos, emoções e egoísmo – que a pessoa se descobre a si mesma e naturalmente a Deus.

Assim, o Budismo é um caminho enunciado ao “contrário” em relação à maioria das religiões, pois em primeiro lugar requer a tomada de consciência de si, o despertar de forma inteligente para o aperfeiçoamento (não há outra religião que fale tanto em aperfeiçoamento como o Budismo) através de atitudes correctas, ética e autodomínio, que “logo terá” conhecimento e vivência do Nirvāna. As outras religiões (incluindo o Cristianismo) evocam primeiramente Deus e que para o alcançar são apenas necessárias a fé e a devoção, embora secundariamente, também preconizam um percurso de autoconhecimento e de purificação mental e espiritual. São apenas metodologias para alcançar os mesmos objectivos, onde não é minha intenção desvalorizar uns sistemas em detrimento de outros; a essência é a mesma, mas sistematizada de outra forma.

De alguma maneira, nenhum ser humano vive à parte de Deus (até pode dizer que é ateu) porque Deus faz parte desta manifestação em que existimos e em qualquer vida ou momento, o ser humano O descobre, pois se Deus é parte da humanidade vivemos n´Ele – está nos nossos genes.(2)
O Budismo tem sido classificado como filosofia ou religião ateísta, panteísta ou mesmo niilista, mas na realidade, dizer que Deus existe é tão crítico como dizer que não existe.
  (... continua) 
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