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Trabalhar os obstáculos

de Ajahn Candasiri

em 21 Nov 2017

  (...anterior) Podemos pensar: «Gosto deste, não gosto deste, este é bom.» Podemos estar muito ocupados a escolher pensamentos que gostamos e que não gostamos, mas já repararam em mais alguma coisa no quarto? Para além disso o que é que este contém? Espaço… Por isso, em vez de nos centrarmos nos objectos, podemos focar-nos no espaço à volta destes. Por vezes quando pensamos muito, só conseguimos ver esse pensar; é como se ocupasse toda a mente. Mas existe uma forma de reconhecer que a mente é muito maior do que o pensar. Em vez de nos centrarmos no pensamento, podemos focar-nos no espaço em redor do pensamento.

Se temos uma emoção muito forte, como a ira ou o pesar, podemos começar por pensar nisso e interrogarmo-nos o que fazer, pensando que está alguma coisa errada, porque estamos a sentir essa emoção, e interrogarmo-nos como nos iremos ver livres dela. Mas isto aumenta e reforça a emoção. Em vez disso, por vezes é útil simplesmente centrarmo-nos no corpo. Com emoções como a ira, a ansiedade, o medo ou o pesar, existe sempre uma sensação física, que a acompanha, no coração, na barriga ou no plexo solar. Assim, em vez de sermos apanhados na situação, no acontecimento, ou seja o que for que tenha despoletado a reacção emocional, podemos simplesmente trazer a atenção para o corpo e observar as mudanças, à medida que estas ocorrem no corpo. É uma forma de nos libertarmos de tal. Em vez de nos agarrarmos à emoção - sendo levados por ela ou entregando-nos a ela - ou de lutarmos para nos vermos livres dela, em vez disso, abrimos mão. Desta forma podemos observar como se modifica.

A quarta estratégia consiste naquilo que chamamos abrandar o processo mental. Podemos estar a pensar muito, talvez de forma não muito clara e com muitos pensamentos à mistura, mas esta estratégia envolve pensarmos deliberadamente mais ainda; é como trazer os pensamentos para o primeiro plano da mente e olhar cuidadosamente para aquilo que estamos realmente a pensar. Por vezes pode ser útil escrever os pensamentos; outras vezes podemos jogar com eles na nossa mente. Se estivermos zangados ou perturbados, uma das coisas interessantes que, provavelmente, iremos notar são aqueles pensamentos que só são uma espécie de resmungo na mente. Não estão articulados de forma clara. Então, podemos dizer para nós próprios: «Ok, vamos lá a ver o que se está realmente a passar aqui. Quero ouvir o que estás a dizer.» É como uma criança pequena que está aborrecida e grita «Uaaaaaah!» e nós perguntamos: «O que foi?» Por vezes, fazer só isto e dar atenção ao que se diz, é o suficiente para ajudar a criança a largar a birra.
A técnica final, que o Buddha (§) recomendou e apenas para situações notoriamente extremas, é a supressão forçada. Ele disse isto como se existissem dois lutadores, um muito grande e o outro mais pequeno. O maior imobiliza o outro, de forma que não conseguem mover-se de todo. Por vezes podemos precisar de fazer isto, mas apenas o podemos fazer durante pouco tempo, uma vez que requer um grande esforço.

Por exemplo, a emoção da ira pode ser tão forte que sentimos que podemos realmente praticar um acto violento. Evidentemente que estamos todos a praticar de acordo com os preceitos, comprometemo-nos a não agredir ninguém, e assim, quando isto acontece, temos apenas de ficar muito quietos e silenciosos e direccionar fortemente a mente noutra direcção. Mais adiante, estando mais calmos, poderá ser útil darmo-nos algum tempo para considerar por que é que a emoção era tão forte para nos perturbar. Desta forma podemos obter algum discernimento relativamente ao sentimento de vulnerabilidade, de ansiedade ou do que quer que seja que tenha feito emergir uma reacção tão forte e, talvez, encontrar uma forma de evitar que uma situação semelhante surja novamente. Mas, na altura, a emoção pode ser tão forte que tenhamos de recorrer a esta medida extrema de supressão forçada.

Estou certa que todos vocês têm muitas outras formas de trabalhar com a mente. Estas são apenas algumas sugestões dos ensinamentos do Buddha que considero úteis.

Excerto do livro "Pura bondade"
Tradução de Alda Santos
   
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