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Rafael - Comemoração

de Maria

em 11 Jan 2020

  (...anterior) Movimentam-se então certas forças celestiais ou energias inspiradoras de Amor e de Harmonia às quais o homem pode “chegar”, impregnando depois na tela ou nas páginas de um livro o fruto dessa inspiração, que vai catalisar corações, elevando-os aos ideais da beleza, da candura e da felicidade.
O autor, consciente desse poder, pode de facto impulsionar outros seres ao despertar criativo e espiritual, ao transmitir para a sua obra o “Fiat Lux”, que ficará eternamente a irradiar a luz, luz esta que será melhor absorvida por aquele contemplativo cujo coração está mais aberto à transcendência divina, capaz pois de absorver o fluxo espiritual que se encontra por detrás de uma pintura.

Quando Rafael nos lega o Anjo (§) a conduzir S. Pedro para fora da prisão, é a mão de Deus que vemos. A majestade do Anjo induz-nos ao Supremo Bem e impulsiona interiormente ao conhecimento do divino. Esse Anjo, que Rafael delineou de forma tão sublime e ao mesmo tempo tão poderoso, transmite-nos a ideia de estar acima dos homens, a cumprir a vontade de Deus, encaminhando-os. O Anjo dá-nos uma impressão intensa e concisa desse mundo invisível que manobra o mundo visível e conduz os destinos dos homens. Esta é uma das obras mais bem conseguidas nesta temática da catalisação de energias internas e do impulso espiritual através duma imagem religiosa. É de grande originalidade, entrecruzando-se nele técnica e devoção, e emana naturalmente desta beleza ideal uma qualidade mística. Rafael tenta, pois, revelar a beatitude da Alma, ou a parte divina do homem, tanto mais que considerava as virtudes, nas quais assenta a experiência mística ou interna, a grande força da Alma.

Para Giorgio Vasari, Rafael era a personificação desse ideal. Ele acreditava que se a sua Alma, a de Rafael, embelezava o mundo com as suas virtudes, embelezava da mesma forma o céu. E, independentemente do carácter transcendente das suas pinturas, Vasari encontrava em Rafael génio, rectidão e pureza de costumes, sendo por isso mais elevados os modos e os motivos da sua criatividade. Consequentemente na sua “Vida dos Pintores Célebres”, concluirá de Rafael: «Um sopro da divindade parece exalar-se da beleza das figuras».

Na “Libertação de S. Pedro”, partindo de uma base de concepção unitária, Rafael dividiu a obra em três instantes, e a luz que emana do Anjo é o elemento que conecta e estabelece a coerência das três partes da composição, reflectida num espelho de luz inesquecível.
Na primeira parte, com uma luz cálida e prateada, Rafael mostra-nos os guardas, que se encontram a velar a prisão, estupefactos e confundidos por algo que está a acontecer. É o Apóstolo S. Pedro que, vibrou harmoniosamente e tão alto, que atraiu um Anjo de grande irradiação de Luz, de onde fluem raios poderosos que derrubam todos os entraves à sua passagem.
Ao centro, numa cena expressiva, está ainda S. Pedro, encarcerado e guardado por soldados. Ele dorme e sonha... E é despertado pelo Anjo salvador, submergido na própria Luz, cujo resplendor ilumina toda a prisão, exaltando a sua figura.

Na terceira parte, à direita, o fulgurante Anjo conduz docemente S. Pedro pela mão. O caminhar do Anjo é resoluto, claro e magnificamente delineado pelo impulso dinâmico do seu movimento, enquanto no rosto de S. Pedro a luz espiritual não apaga os seus traços, onde se reflecte uma temerosa surpresa e dúvida, ao passar acanhadamente por entre os guardas que tombaram perante o poder ígneo do Anjo.

Toda a obra se encontra iluminada apenas pelo clarão de luz que provém da aura do Anjo — tal uma chispa divina — e, de tal modo que envolve e toca intimamente a sensibilidade humana. São, pois imagens duplamente belas pelo seu conteúdo subtil e real, e bastante enriquecedoras para quem as contempla, mesmo que seja indiferente a este tema religioso, pois de alguma forma, o que toca e inspira mais a humanidade à perfeição e à beleza é esta junção de religião e arte.

A religião, no seu verdadeiro sentido, liga o Homem ao Criador, e a arte resulta da criatividade (o aspecto mais divino) do homem. Tendo a arte o poder de imobilizar os acontecimentos no tempo, imortalizando-os, tem também o poder e o objectivo de irradiar a realização mística e a beleza que, como setas de Cupido, acertam nos corações dos Homens que as contemplam.

Texto que se insere no livro "Folhas de Luz" - Publicações Maitreya
   
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