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A escolha arbitrária de Oliveira Martins de finalizar os Sonetos com um que não é dos finais, antes escrito bastante antes, teve um intuito provavelmente moralizador e talvez mesmo catolicizante, fazendo terminar, aparentemente, a bem ou na entrega a Deus o percurso filosófico, poético e anímico de Antero, uns anos antes de morrer, e que o livro dos Sonetos manifesta, o qual foi mesmo dividido e ordenado cronologicamente. Com efeito neste poema, profundo e complexo, certamente algo autobiográfico, vemos o autor a depor os seus movimentos anímicos antigos, considerados agora como infantis, ilusivos, passionais e a entregar-se definitivamente a Deus, sob a forma do coração a quem "ordena" ou sugere que vá dormir na mão direita, a benéfica ou misericordiosa, de Deus, numa simbologia tradicional associada a uma visão humana ou antropomórfica da Divindade.
Data: 04 Set 2016
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O Incondicionado de Ajahn Sumedho
As convenções religiosas têm as suas formas, as quais são precisamente convenções. Assim por exemplo, questões sobre os budistas não acreditarem em Deus é um dos casos, em que pode confundir-se e misturar convenções. Tal como diferentes linguagens são só convenções. Quanto à palavra “Deus”, o que é que isso quererá significar? O que acontece na generalidade é que a palavra “Deus” é usada como se as pessoas concordassem e pensassem todas da mesma maneira. O que é que se quererá dizer no contexto cristão ou no contexto judaico? “Deus” é a palavra utilizada. Mas no contexto budista por exemplo fala-se em ensinar deuses e homens, não é de ensinar Deus e os homens... deuses neste caso não equivale a Deus no sentido Cristão da palavra. No entanto, tudo isto são palavras que procedem de formas, onde existe uma concórdia de linguagem, principalmente, quando nos reportamos em termos de “desenvolvimento espiritual”, e assim misturamos tudo (religiões, crenças), gerando confusão. Portanto, ao ensinar dentro do contexto budista, deve-se ficar dentro da terminologia budista.
Data: 26 Jun 2016
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"Maitreya vem com a Ordem Espiritual, Ordem de Mariz" foi a primeira obra a ser publicada em Portugal (em 1989), escrita por uma portuguesa sobre a auto-realização espiritual. Foram narradas vivências de cariz místico, que tocaram os leitores mais sensíveis e preparados espiritualmente numa empática identificação. Esta obra devolveu a muitas pessoas a auto-confiança no caminho, espelhando a realização espiritual como uma realidade interna e externa da vida humana. Foram expressas experiências, sem medos nem vergonha, abertamente assumindo Deus. Tive então, o privilégio da identificação de milhares de seres e abri o caminho para maior responsabilidade, principalmente, a de cada um para consigo mesmo e para com Portugal. O que sensibiliza neste livro (tal como no “O Avatāra”) é o fogo invisível que contém, que estimula e acende os corações mais latentes espiritualmente. Na sua leitura, há uma atmosfera especial vibratória que convoca à elevação e, pode catalisar para uma imediata comunhão com o Divino. É uma centelha de fogo que se aviva e ilumina. Muitas outras contribuições foram sendo dadas, por tantos outros seres, com impulsos notáveis; este espaço de tempo (vinte anos) é suficiente para se notar já a mudança de mentalidade do que comportava um ambiente fechado, baseado em conceitos mais materialistas ou em certo fanatismo religioso, para uma maior abertura a novas ideias e à liberdade espiritual. Afinal, estas duas realidades, material e espiritual, quando intrinsecamente ligadas e bem integradas, permitem assumir com maior consciência a própria vida, mais de acordo com a própria natureza humana e com a Natureza que nos rodeia.
Data: 02 Jan 2016
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O Natal e a Árvore da Vida de Manuel Cavaco Nunes
O Paraíso da tradição judaico-cristã é um bosque. Ali, segundo Gênesis, II, “Deus fez crescer do solo toda espécie de árvores formosas e boas de comer”. Porém, há duas árvores que se destacam nesse local sagrado. Uma delas é a árvore da sabedoria, que dá o conhecimento do bem e do mal. A outra é a árvore da vida, que simboliza a imortalidade. Mas, além das suas funções vitais e práticas, a árvore tem uma forte natureza mágica. Ela é universalmente considerada um símbolo do relacionamento entre céu e terra. Com sua estrutura vertical – o tronco – a árvore estabelece um eixo simbólico de ligação entre o mundo físico e o mundo divino. Por outro lado, seus galhos, ramos, folhas e frutos reúnem toda uma comunidade de aves, insectos, répteis e pequenos mamíferos, o que é um símbolo da infinita diversidade da vida. Aquele que medita pode aprender com as árvores uma sábia e serena imobilidade. Na antiga Índia, conta a lenda que Gautama Buda alcançou a iluminação ao pé de uma grande árvore chamada Bodhi, símbolo da sabedoria universal. Sentou-se ali em um entardecer, foi saudado amorosamente pelos seres da floresta, e travou sua batalha final. No momento da aurora, venceu definitivamente a ilusão e a ignorância.
Data: 19 Dez 2015
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Duas grandes verdades de Mira Prabhu
Na minha volátil adolescência, fiquei impressionada com a pungente beleza de uma antiga metáfora (contida no Mundaka Upanishad) que fala de dois pássaros empoleirados no ramo de uma árvore: um pássaro come o fruto da árvore, enquanto o outro observa. O primeiro pássaro representa o eu/alma individual; distraído com os frutos (significando prazeres sensuais), ela se esquece de seu senhor e amante e tenta aproveitar o fruto independente dele. (Esta amnésia separativa é conhecida em sânscrito como maha-māyā ou encantamento; que resulta na queda do indivíduo para o reino efémero do nascimento e da morte.) Quanto ao segundo pássaro, é um aspecto do Divino/Eu que repousa em cada coração - e que permanece para sempre constante, mesmo que a alma individual se deixe deslumbrar pelo mundo material.
Data: 09 Set 2015
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Flor de Lótus
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