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O poder das civilizações

de Maria

em 15 Jun 2021

   o “El Dorado”, não existe em lugar nenhum. O que existe é o esforço humano em superar, vencer a sua própria humanidade, combatendo a inércia e usando o cérebro, no ganho de mais inteligência. A inteligência é o motor da evolução, pois ser mais consciente é o resultado dessa capacidade mental, onde a autoconsciência é característica distinta da humanidade. De facto, a capacidade cognitiva desenvolve-se com os desafios na procura da sobrevivência e não na acomodação, na vitimização e negligência.


Os homens tornam-se mesquinhos quando exercem o poder déspota sobre outros.

Budha (nascido na Índia, em 623, a.C.), ensinou o controlo da mente para superar os desejos e emoções exageradas e obter o aperfeiçoamento e a paz. Sobretudo, preconizou viver sem violência – a não violência – é o suporte da vivência espiritual ou o encontro de si mesmo na Transcendência.

Maomé (nascido na Arábia em 570, d.C.) era um guerreiro e seu ensinamento baseou-se na defesa física e na obtenção de territórios. Apelou à acção na fé em Deus (Alá) como justificativa para guerrear, com leis baseadas na repressão moral e controlo de liberdade, regras que ainda hoje, prevalecem, principalmente, para as mulheres, numa subjugação ao homem sem o direito pessoal.
Só nestes dois exemplos encontram-se já dois pontos de evolução humana que demonstra a diferença entre; raças, povos, religiões, áreas geográficas e mentalidades.

Por sua vez, a religião cristã no início, também exerceu força guerreira ou violenta, embora assente seu ensinamento em Jesus, um Ser cândido e pacífico, ganhou força e poder no controlo da civilização no Ocidente. As Cruzadas, por exemplo, tinham a finalidade de defender e proteger os peregrinos que se dirigiam para Jerusalém, mas pela força das circunstâncias transformaram-se em forças militares. Na sequência das Cruzadas surgiram os Templários ou “Ordem do Templo” por inspiração de São Bernardo de Claraval, sendo fundada depois por Hugo de Payens.

Sem dúvida que o Cristianismo ganhou poder e através da fé e da devoção abusou da crença das massas pela repressão, controlando até reis e políticos. No entanto, ao longo dos séculos e, principalmente, nas últimas décadas foi-se apaziguando o seu domínio e fomos assistindo, pouco a pouco, a mudanças. De facto, imperceptivelmente, vários Papas têm contribuído para reformas, que foram transformando o lado mais severo das normas religiosas, com as necessidades modernas.
Deve ressalvar-se, que o Ocidente ou esta civilização actual, deve muito da sua evolução ao

Cristianismo, nomeadamente, à Igreja Católica, principalmente como educadores, onde ainda hoje os melhores resultados escolares encontram-se em escolas ou colégios que dirigem. Acolheram e fundaram instituições para os mais desfavorecidos, em qualquer parte do mundo. Incentivaram a arte, não só como mecenas, mas particularmente contrataram notáveis pintores no Renascimento, que se inspiraram nas personagens e histórias da Bíblia, mas especialmente no Novo Testamento, com Jesus Cristo e sua Mãe. A Capela Sistina, por exemplo, contém uma das maiores riquezas da arte mundial.

Nestas comparações onde não cabem julgamentos pessoais, ou inclinações religiosas, apenas acrescento, algum ponto que considero mais relevante sobre a evolução humana e que possam estar mais ocultos, num pequeno contributo, comparado com a vasta complexidade do karma da humanidade. Efectivamente, ao longo das civilizações, alguns povos e raças foram-se destacando e progredindo nas suas capacidades de inteligência, numa etapa mais avançada de evolução, que causaram diferenças significativas entre grupos humanos. Deste modo, o importante é perceber que a humanidade não está toda no mesmo grau de evolução, havendo por isso, sempre diferenças entre os seres, o que ocasiona discrepâncias de entendimento. De alguma forma, a tendência será sempre encontrar motivos para justificar os “coitadinhos”, que sofrem injustiças pelas desigualdades e dificuldades em acompanhar os que vão mais à frente.

Infelizmente isto não é compreendido pela maioria, que nivela tudo no mesmo patamar, gerando conflitos desnecessários onde os mais fracos, menos evoluídos, se identificam sempre como vítimas. O que se vê hoje com as migrações na Europa denuncia, naturalmente, a falta de adaptabilidade de indivíduos a outras culturas, tradições e mentalidades.
   (... continua)  
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