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A Chamada do Silêncio

de Swāmi Prabhānanda

em 07 Mai 2007

   A nossa cultura é uma cultura verbal elevada. Muitas das nossas cidades encheram-se de tanta poluição sonora que a nossa saúde está em perigo. Além disto, onde quer que vamos, cartazes, revistas em quiosques apelam aos telemóveis, convidam-nos a falar consecutivamente para nosso grande prazer.

Talvez o facto de falarmos aos nossos entes queridos ou fazer coisas que tragam prazer à nossa mente cansada, possa ajudar os nervos a relaxar. Mas será que têm noção de que essas coisas o colocam cada vez mais longe do Eu interior – o Eu silencioso, brilhante e consciente?
Consegue ficar em silêncio dentro de si? Ficar longe dos seus horários ou evitar pessoas pode não ser suficiente, porque mesmo que se isole, não encontrará silêncio se a sua mente estiver continuamente ocupada, ou se a sua atitude não estiver orientada devidamente. Por outro lado, se a sua mente estiver calma e recolhida, poderá encontrar na profunda tranquilidade algo que toca o seu ser interior. O coração é o melhor relicário que temos para o Espírito. Quando o coração acalma – livre da avareza, da raiva, do ódio, etc. e cheio de amor, compaixão e humildade – então existe o ambiente adequado para acolher o Espírito. Nesse coração pode-se sentir a presença viva do Espírito silencioso. Só então percebemos que estar sozinho em silêncio, é estar sozinho com o Espírito.

O silêncio pode ser considerado a vários níveis – ambiental, social e pessoal. De forma a obter silêncio a nível ambiental e social, isolamo-nos, para longe da confusão e da azáfama da vida. Ao nível pessoal existem dois aspectos – externo e interno. Mas estes são interdependentes de certa forma. As pessoas que aprenderam técnicas para alcançar silêncio interior conseguem estar em paz em qualquer sítio; enquanto que os que não conseguem, requerem silêncio à sua volta para alcançarem o silêncio dentro de si.
Mas atingir o silêncio e a harmonia dentro de nossas mentes requer muito tempo e esforço. De forma a cultivar o silêncio a nível pessoal, o primeiro passo é parar de falar. Diz-se que Pitágoras impunha cinco anos de silêncio aos seus novos discípulos. O silêncio foi usado por praticantes espirituais durante séculos como forma de disciplina, tal como é essencial que paremos de falar quando entramos na câmara do coração. Assim também um aspirante deve aprender a silenciar os seus desejos. Se quisermos praticar disciplinas como oração contínua, o silêncio interior é um pré-requisito. Tal como só a água parada pode reflectir uma imagem perfeita, também só a superfície de um coração silenciado, privado de desejos, pode permitir ao aspirante ver a clara face do silêncio. Da mesma forma, uma pessoa vulgar não consegue ouvir a voz do silêncio, mas o místico ouve-a porque todo o seu ser se transformou em silêncio e harmonia. Os que lutam nos diferentes estágios de silêncio forçado, como se de disciplina espiritual se tratasse, alcançam geralmente o estado de abençoada serenidade. Esta é uma experiência mística impregnada de paz e tranquilidade. Então habitamos o nosso eu interior. As ondas da mente serenam, e a lanterna do nosso coração ilumina-se, permitindo-nos contemplar a face do silêncio. Não admira que Śri Kṛṣṇa diga: ” Dos segredos, Eu sou o silêncio.”

Se conseguirmos serenar as ondas do pensamento, poderemos ouvir a chamada do silêncio do mais recôndito do nosso ser. De princípio será percebido muito levemente, mas gradualmente o aceno torna-se mais distinto. Se conseguirmos responder à chamada, experimentaremos paz e alegria. Mesmo até um pequenino esforço nos beneficiará. Um sério anseio por este silêncio trará grandes resultados. Será que não deveremos responder a esta chamada antes que seja tarde demais?

Tradução de Helena Gallis
     


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