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Arrábida - Retiro

de Helena Gallis

em 28 Jun 2009

   Aninhámo-nos, portugueses e ingleses, na Serra da Arrábida, como para um reencontro intemporal. Cinco dias destinados a viver com três monges do Sangha de Amaravati, sob a égide do mosteiro simples e majestoso da outrora comunidade franciscana – duas expressões de vida religiosa unidas na pobreza e simplicidade, na paz e silêncio.


Retiro de Meditação e Silêncio no Convento da Arrábida da Fundação Oriente, com Ajahn Sumedho.

A serra emprestava o seu plácido olhar sobre o oceano. Oliveiras, loendros, figueiras, cedros, medronheiros abraçaram-nos logo à entrada, ensinando-nos a caminhar em passos marcados pela gratidão

Os insectos, beijando as flores e os frutos, dançavam em rituais cadenciados ao som dos zumbidos; as formigas apressavam a procissão solene sob os nossos pés, esperando clemência, da nossa parte, sempre que pisávamos este solo sagrado.

O Universo vestiu-se de sol, lua, nuvens e estrelas, num cenário de recolhimento; as escarpas deslizavam até se banharem nas águas azuis turquesa, ao som das cigarras, besouros, melros e tordos; seres visíveis e invisíveis, devas/anjos insistiam em nos serenar num afago de brisa, e todos, em oração, rezavam connosco a sublime Oração do Silêncio.

Na sala de meditação, a abóbada passou a vigiar os segredos desarrumados, provavelmente os cansaços aborrecidos, os rompantes surdos de protesto e rejeição, ou a aceitação harmonizada no abandono do recolhimento e, num gesto de reverência, foi-se inclinando em amplexo de Amor e Compaixão.

O pensamento doía na insistência de querer ficar, de reinar no seu domínio habitual, pretendendo impor-se, inquieto e perturbador, sabendo sempre, contudo, que o seu caminho era partir. E, se, desistindo, partia, a quietude dos Imortais, que aguardavam no Portal, recebia, triunfante, quem para lá caminhava.
Agraciados pela inspiração de Ajahn Sumedho, coração de leão Theravada, nesta floresta que também lhe pertence, fomos aquietando a mente, despertando a consciência e elevando o coração, e, a pouco e pouco, reimprimimos as passadas esquecidas por séculos, no pomar, na calçada, na terra batida e na rocha sofrida.

Por querer e, sem querer, o Dia de Portugal, o Corpo de Deus, o Dia de Santo António (Franciscano no seu anelo de despojamento e pobreza, de fraternidade e paz), foram encontro internacional e ecuménico vividos por budistas, cristãos e universalistas, na conciliação da busca da Verdade, ou nas palavras do querido e Venerável Ajahn Sumedho, Sati-sampajañña – realizados em plena atenção e clareza de consciência - no caminho para a consciência do que é imortal (Deathless), realizados no Buddho, sem nações, géneros, raças ou credos.
A serra, na calmaria usual, foi despertando também, solidária, com o vibrar colectivo e sorriu, como só Luang Por sabia sorrir!

As nuvens que nos cobriram ao princípio, e se tinham recolhido humildemente, oferecendo-nos o céu azul em dádiva merecida, na despedida, aspergiram-nos com algumas gotas purificadoras, imitando o Abade na sua bênção final.

E na hora da despedida, quando o portão se fechou por detrás de cada um de nós, os pássaros e os insectos, numa melodia melancólica e sincera, afinaram-se num gorjeio chilreante, superior a todo o trinar com que nos tinham acompanhado. As árvores, mais verdes e brilhantes, acenaram ao ritmo harmonioso do vento perfumado. O mar estendeu um braço por cima dos nos nossos ombros, saudoso, refrescando-nos no caminho de regresso a casa. E a serra, em nome dos irmãos Franciscanos, fez três vénias – ao Buddha, ao Dhamma, ao Sangha - no respeito venerado de quem a tinha tocado num Pacto de União e Paz.

12 a 14 de Junho de 2009
     


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