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O nosso foco

de Maria

em 18 Ago 2014

   Não há dúvida de que podemos e devemos “educar” o nosso cérebro; ele ajusta-se, molda-se e reorganiza-se se lhe dermos as coordenadas certas do que queremos melhorar. Temos o exemplo no aprender a andar de bicicleta que requer no princípio muita atenção consciente e depois de algum treino aperfeiçoam-se as capacidades sensórias – motoras que acaba por tornar-se uma actividade normal quase inconsciente, isto é, no sentido de não ser mais necessário focar no modo como se agarra o volante ou move os pedais; o cérebro sabe já exactamente quais os movimentos precisos para tal actividade.

Todos os nossos órgãos e membros têm correspondência com o cérebro. Quando nascemos o cérebro tem ainda mecanismos rudimentares que se vão automatizando e aumentando de acordo com os movimentos espontâneos do corpo. É assim que movemos os braços, as pernas, os olhos ou pensamos porque automatizamos os nossos movimentos. A razão de resistirmos a mudanças encontra-se na formatação que o cérebro vai fazendo aos nossos hábitos e formas de pensar. Quando queremos mudar ou pela força das circunstâncias somos obrigados a fazê-lo o próprio cérebro tem de se ajustar a novos movimentos, ou seja, a nova conjugação de neurónios, que neste espaço de tempo se traduz por resistência.

Apercebi-me no princípio da minha caminhada espiritual mais consciente, de que estava a fazer uma evolução na minha mente, levando o cérebro a ajustar-se à minha nova forma de estar, de pensar e de agir, ao ponto de não poder a partir daí voltar mais atrás nas minhas decisões, ou seja, não podia desistir nem regredir: o cérebro sofreria desequilíbrio.
Na realidade, o progresso mental e espiritual consciente, que tanto fomenta como resulta de realização interna passa a ser um dado adquirido e não é mais possível ser como antes; o próprio cérebro já se ajustou, formatou dentro dos novos paradigmas que a mente-Consciência lhe impôs, sendo impossível parar.

Podemos, assim, impor disciplina e desenvolver maior atenção nalguma melhoria que queiramos desenvolver para aprimorar as nossas capacidades tanto motoras como sensoriais, cognitivas, mentais e espirituais. Precisamos de um “programa”. Se o objectivo for uma atitude mais positiva para um alinhamento mais espiritual, altruísta ou aperfeiçoamento de carácter, o cérebro-mente vai-se capacitando para o ajuste, até que a certa altura, já não será necessário mais esforço - passa a ser uma nova atitude de Ser – pensamento e acção ordenados para o objectivo que se direccionou.

Quem ainda não teve consciência das mudanças que se vão operando na sua mente, tem dificuldade de entender a plasticidade (flexibilidade) cerebral e o quanto esse desenvolvimento beneficia a Consciência. Mas, o importante é a percepção e a sensibilidade de apreender essa mudança, pois então estamos a conhecer conscientemente a nossa evolução mental e espiritual.

Flexibilidade é adaptar os circuitos neuronais às “tarefas” que precisamos fazer, seja uma mudança de atitude, seja de ambiente cultural e social, ou principalmente espiritual, educando e focando a mente para os objectivos pretendidos. Empreender uma caminhada espiritual consciente representa o maior impulso no desenvolvimento da inteligência afectando os seus próprios circuitos ou mecanismos cerebrais para receber e expandir cada vez mais a sua Consciência através do seu veículo físico.
     


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