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Penso, logo desisto

de Maria João Firme

em 14 Set 2014

   Esta frase não é minha e por isso, desde já, obrigada amiga Paula. Confesso que na manhã de Verão que a ouvi, achei-a tão fabulosa e leve como o chilreio dos pássaros no teu jardim. Um grande peso saiu-me de cima como nem tu, nem Descartes imaginaram. Quando o grande filósofo René Descartes, no século XVII, procurando sistematicamente a verdade, afirmou na sua obra “Discurso do Método” o grande princípio penso, logo existo, não imaginava que nos quatrocentos anos que se seguiriam a sua filosofia seria tomada tão a sério. Tão a sério, que ai de nós que não pensemos continuamente e a uma velocidade vertiginosa, ai de nós que não consigamos agir adequadamente a essa mesma velocidade e ai de nós que não acreditemos que pensar é a coisa mais real e importante que existe. Assim nos encontramos hoje, no paradigma cartesiano.

- um novo paradigma?

Na verdade, o nosso filósofo chegou à conclusão de que qualquer opinião podia ser falsa, que os nossos sentidos nos enganavam, que nenhum raciocínio estava isento de erros e que qualquer pensamento podia ser tão ilusório como um sonho. E que quando pensava nestas coisas, pensava em alguma coisa, tendo chegado assim a este grande princípio filosófico.

Com o passar do tempo chegámos a uma ditadura do pensamento. Muitos de nós, de tão fatigados que estamos, tentamos libertar-nos da mente. Não queremos, pura e simplesmente, pensar. Precisamos de pausas para descansar. Se na época do nosso filósofo se vivia uma escravidão física, hoje pode viver-se uma espécie de escravidão mental ou intelectual, pois a nossa mente está hiperativa. Essa é uma forte razão pela qual tanta gente procura relaxar, meditar, ou seja, aproximar-se de si próprio. E parece que o “si próprio” não é a sua mente. Desta forma, se não pensar, também existo, portanto estou para além do meu pensamento. Poderá criar-se então um novo axioma: Eu Sou, logo existo. Será que nos estamos a aproximar de um novo paradigma?

Existe uma grande necessidade de Ser, no século XXI. Temos usado todo o nosso tempo a pensar e fazer, a pensar e a obter, e esquecemo-nos de que também somos. E apercebemo-nos de que quando morrermos teremos que dar contas apenas do nosso ser, daquilo que fomos. Claro que as nossas ações vão refletir o nosso ser, mas apenas as ações significativas, não as ações mecânicas, desprovidas de sentido, com que ocupamos grande parte da vida. É na meditação, no silêncio, na paz mas também na alegria e na brincadeira que deixamos as capas das múltiplas funções que temos, dos benefícios que obtivémos, e que pura e simplesmente somos.

Que saudável é brincar com o nosso pensamento e não levar a sério tudo o que nos diz a nossa mente. Quantas vezes a nossa mente... nos mente! Adoramos pensar, tal como adoramos relaxar e meditar. E, com frequência, desistir de pensar.
     


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