Fundação Maitreya
 
Destemor

de Maria

em 20 Nov 2020

  O bem comove, sublima sentimentos e predispõe à irradiação do coração, fomentando o amor incondicional, o bem, faz bem. Mesmo na mais baixa condição humana, atraso de evolução psico-espiritual, acreditamos que existe o bem inerente, porém, bastante condicionado pelo estado ainda primário onde se esconde a violência. Uma parte da humanidade ainda se encontra debaixo de certos parâmetros, centrados nos interesses pessoais, na maldade e satisfação, como, por exemplo, violência doméstica, pedofilia e gatunagem.

Contudo, há uma outra percentagem de seres humanos em avanço mental e espiritual que contrapõe os estados mais primevos, onde se deduz, naturalmente, uma grande luta no seio da humanidade. E, porque há o caos, quando sobrevem o bem ou a harmonia entre os seres, desponta uma luz que purifica o mal.

Não haveria esta dualidade se vivêssemos sempre no bem, no certo, esse bem de que gosto, que me compraz na alegria e bem-estar - sempre gostei de finais felizes. Quando o meu Pai, aos serões nos contava histórias (éramos seis filhos e não havia ainda televisão), habituei-me ao final feliz e ao bem moral e espiritual que elas continham. Bendito Pai que me ensinou o Bem…

Será que esta pandemia, onde vive mergulhada toda a humanidade estar a dar alguma lição de bem? Dará com certeza, mas temos de contornar e descontar a manipulação comercial, política e social para extrairmos o que dela podemos aprender. Sobreviver, mas com consciência da resiliência interior, capaz de enfrentarmos esta calamidade com coragem, fazendo face ao medo que nos impõem, aqueles que têm o controlo das “massas”, através da ciência, da economia e da política. Contudo, acredito que eles impõem mais pela ignorância do que pela maldade.

Cada um, de facto, deve saber tratar de si. Buscar o aperfeiçoamento através da força interior pela ligação espiritual, afinal com a qual nascemos, e que devemos alimentar e, será aí que teremos força, para nos sabermos conduzir perante a adversidade - não só pela esperança que pode acabar numa solução vã, pela confiança em algo ou milagre, sem o nosso esforço - mas pela capacidade de inteligência de enfrentar os momentos presentes com coragem, valentia de saber viver com o bem, mesmo dentro do caos, que no fundo é esta pandemia causada pelo vírus, Covid-19.

Que nada abale a estrutura mental, psíquica e espiritual, mas nos guie interiormente para nos adaptarmos o melhor possível às circunstâncias, aprendendo a reprogramar as nossas vidas em função dos nossos deveres. Olhar em frente, ver sempre a vida de cima e acreditar que ao acrescentarmos o aperfeiçoamento um pouco que seja, estamos a contribuir também para o melhoramento dos outros e, assim, construiremos um final feliz, de todos os dias, perenemente. Só confiar no advir de dias melhores pode ser uma falsa premissa, pois a vida reconstrói-se todos os dias, onde se renova a coragem, o destemor de um levantar da cama, a cada dia mais forte para viver.
Segundo a Bhagavad-Gītā:

«Uma vez encaminhado nesta via, verás que nada é em vão e não haverá obstáculo
algum para o avanço na direcção; um pequeno esforço nesta via livrar-te-á de muitas
faltas».
«Nesta via, a inteligência polarizada concentra-se no seu objectivo, não havendo a
sua dispersão em imaginações vãs».


   


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Impresso em 1/12/2020 às 23:19

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