Fundação Maitreya
 
Nascimento esotérico e universal de Jesus

de Lubélia Travassos

em 13 Dez 2021

  Surgiram na Terra, ciclicamente, e em determinadas épocas Grandes Seres Divinos, Iluminados, Avatares, à semelhança de Jesus, a fim de gerarem uma certa ordem, darem esclarecimentos, de modo a salvarem a humanidade, e para fundaram uma religião. Jesus foi, então, escolhido e enviado, na altura, para o mundo, a fim de se tornar o veículo de um grande Espírito de Luz, para que pudesse proteger o Ensinamento da Hierarquia, assim como orientar o Caminho da Salvação para a humanidade.

De um modo geral, estes Seres Perfeitos escolhidos, que possuíam o escudo da hierarquia, reencarnavam na Terra, para derramar a Sua Luz, apesar das condições adversas e dos ataques das forças do mal, em épocas, em que o mundo civilizado se encontrava nas piores condições e mergulhado no caos, da imoralidade indescritível, da deslealdade e perversidade, tal como na época em que Jesus nasceu. Visavam, também, proteger as Religiões de Mistério que se encontravam cristalizadas, e a serem usadas para explorar os pobres e os inocentes, e onde predominava a política corrupta e a moral degradante, da maioria das pessoas, pelo mau uso da energia, na satisfação física e emocional, do poder e autoridade, que estava na eminência de arrastar a humanidade para um grande perigo.

Não foi por acaso que Jesus nasceu no Oriente, na Palestina e, mais propriamente em Belém, onde havia perto daquele local um importante Centro Esotérico, além da Comunidade Essénia de Qumran, no Deserto da Judeia, que era uma ramificação do Centro do Monte Carmelo e, que havia preparado o caminho para a Sua vinda. Foi na Escola de Mistérios daquele Centro Esotérico do Monte Carmelo que Jesus ingressou depois de ter terminado a instrução dos seus pais e, voltado com eles do Egipto. Além disso, recebeu, mais tarde, e até à idade dos trinta anos, instrução nos outros quatro Centros Esotéricos, da Ásia e da Grécia.

A história mítica, mistério-dramática de Jesus, que foi denominado o “Avatar do Amor”, e Príncipe da Paz, tal como descreve S. João, no Evangelho, representa, esotericamente, a história do Universo, desde a sua formação ou nascimento, até à sua morte ou ascensão, que tornou a vida de Cristo na Vida Universal. E, os Evangelhos, escritos por homens sábios, conhecedores da Sabedoria das Eras, e qualificados no que se chama a Linguagem Sagrada dos símbolos e alegorias, descrevem-nos, não só na formação ou nascimento, como também na evolução de todo o Universo, numa perfeição relativa, assim como na Alma individual dos homens, que poderá levá-los à perfeição crística.

O mistério profundo da vida de Jesus, como todas as vidas dos Grandes Seres, Instrutores e Salvadores do mundo, foi transmitido em linguagem simbólica para esconder o que não deve ser público. Essa linguagem foi dirigida a vários tipos de necessidades, proveniente de Seres em distinto nível evolutivo, isto é, de deuses que, num passado distante, foram homens como nós. Eles representam a esperança de perfeição e de paz para uma humanidade sem esperança. Embora, o mistério da Sua vida tenha começado a ser revelado, de forma gradual, ainda existe muitos segredos que continuam por desvendar.

Na verdade, a informação sobre o nascimento e vida de Jesus, que nos foi legado, desde a antiguidade, permanece ainda uma incógnita sobre a verdade. A descoberta de vários manuscritos, em diversas partes do mundo, põem em dúvida, o que nos foi ensinado, sendo que eles têm vindo a contribuir, de maneira significativa, para o conhecimento da notável seita judaica dos Essénios, assim como para destrinçar os mistérios que subsistiam com o Cânon e o Texto das Escrituras do Antigo Testamento. Todos os manuscritos, até agora descobertos, são da autoria dos Essénios, que os esconderam em diversos lugares, para preservá-los das mãos corruptas, cuja intenção era eliminá-los, para que as verdades espirituais fossem desconhecidas do domínio público, na época em que foram escritos. Felizmente, conseguiram ser preservados, embora tivessem estado perdidos por tantos séculos. Esses manuscritos, que contêm informações corroborantes, tanto a nível espiritual e histórico, como filosófico e científico, ajudam a descodificar a origem da vida de Jesus, e a influência dos Essénios como seus instrutores religiosos e espirituais.

Quer os Manuscritos do Mar Morto, descobertos no deserto da Judeia, em Israel, em 1947, quer o Evangelho de Tomé, descoberto em Nag Hammadi, no Alto Egipto, em 1945-1946, são achados de grande importância no campo da arqueologia bíblica e religiosa. Esses eventos relevantes dão expressão a um significado muito especial, visto terem surgido num período bastante negro da história da psique do mundo ocidental, após a II Guerra Mundial e o surgimento da Era Atómica. As suas descobertas, no último quarto do século XX, altura em que parecia a muitos que o mundo não conseguiria recompor-se da maior calamidade da história da humanidade, num momento de uma profunda escuridão, e do desespero da alma humana, foram providencialmente divinas.

Esses documentos antigos, escondidos em potes, e em grutas inacessíveis ou enterrados em ânforas, deviam ter uma razão divina para que fossem descobertos, pelo que possuem o potencial necessário para ajudar o ocidente a recuperar uma grande parte da sua alma perdida. Assim, com o advento do após guerra, tinha chegado o momento para se dar uma nova fase de desenvolvimento da individualização da cultura ocidental. Apareceram, portanto, na altura certa para que o mundo tomasse conhecimento da espiritualidade, proveniente do Evangelho dos Gnósticos e dos Pergaminhos dos Essénios, cuja herança, plena de experiências pessoais vivas e de emoções de natureza mística, veio em boa hora para o avanço da espiritualidade e da cultura ocidental.
Entretanto, mais recentemente, no fim do século XX, foi dada publicidade a outras descobertas importantes, muito anteriores (1870), às já descritas e também da autoria dos Essénios. São elas, o “Evangelho dos Doze Consagrados” e o “Evangelho da Paz dos Essénios”, traduzidos do original em Aramaico para o Inglês e editados pelo Reverendo Gideon Ousley, em 1892, que encontrou os manuscritos preservados num dos Mosteiros Budistas, no Tibete, onde foram escondidos, pelos Essénios. Esses Manuscritos completam o conhecido Novo Testamento e narram aspectos da vida de Jesus desde os doze aos trinta anos, omitidos na versão dos textos aceites pela Igreja Católica. Além disso, relatam a compaixão de Jesus Cristo por todas as criaturas de Deus, sem qualquer excepção, e dão a conhecer que Jesus era vegetariano, assim como os Essénios. Estes novos Evangelhos, que são considerados como o Evangelho Original Humanista de Jesus, ou seja, o verdadeiro Novo Testamento, ajudam a compreender a perseguição religiosa, que matou tantos Seres humanos, incluindo os corajosos da Península Ibérica.

Por efeito da libertação da Ciência, uma nova luz desceu na mente dos homens livres, mais despertos e ávidos da Verdade. A investigação científica treinou os homens a pensarem de modo objectivo e as religiões são maculadas por excesso de subjectividade, que cegam para Verdade. Talvez, por isso, os manuscritos, escritos em Aramaico, com aspectos ignorados do ensino de Jesus Cristo, tenham estado tantos séculos escondidos e preservados, vindo agora à luz, por ser a altura ideal, onde poderiam ser melhor compreendidos pelo Homem Científico da Era actual.
Foram dadas ordens aos revisores antigos, os que estavam autorizados a corrigir os textos das Escrituras, nas partes consideradas ortodoxas, para que excluíssem dos Evangelhos originais, os ensinamentos administrados por Jesus, que estavam cheios de sabedoria e compaixão, por não terem intenção de os seguir. São exemplos os relativos à ingestão de carne, assim como relatos da interferência de Jesus, em várias ocasiões, respeitantes à protecção dos animais. Na verdade, estes ensinamentos são fundamentais nas escrituras Orientais, e não deve haver uma Ciência Espiritual para o Oriente e outra para o Ocidente. E, assim, fomentaram uma das grandes fraudes da história da humanidade, que transformou a Terra, que faz parte da Vida Una deste Planeta, onde se iniciaram guerras quando deveriam trazer paz. Não há dúvida de que os verdadeiros Cristãos antigos eram de origem Essénia, e possuíam princípios e moral Essénios, e pregavam uma religião de sabedoria. Os Cristãos primitivos também se chamaram terapeutas. Onde estivesse um verdadeiro Cristão devia haver paz, saúde e bem-estar, pois este era o critério que o definia.

Pelo que sabemos, veio ao mundo, há pouco mais de dois mil anos, um grande instrutor da Humanidade, que foi mental e espiritualmente um exemplo supremo da perfeição humana, denominado Jesus Cristo. O Evangelho da Paz de Cristo, devido aos seus ensinamentos Humanistas, da estrita defesa do Vegetarianismo, da abstinência à ingestão de álcool e da continência, foi odiado, tanto pelo Imperador Constantino, como pelos anteriores Imperadores Romanos. Constantino gostava demais da boa vida e não queria aceitar uma Religião, que ostentava o nome de Cristãos Essénios. Por isso enviou os seus exércitos para exterminar todos os descendentes dos seguidores de Jesus Essénio. Além disso, os sacerdotes romanos começaram a ver a religião de Roma a entrar em estado de decadência avançado, e a perder o apoio das massas, enquanto os Cultos de Jesus e das Comunidades Essénias, apesar das perseguições, continuavam a espalhar-se, e a ameaçarem os interesses empossados de Roma. Então, Constantino decidiu reunir o Concílio de Niceia, no ano 325 A.D., com o propósito de estabelecer não a Religião, mas uma religião que respondesse às necessidades políticas do Estado. Assim, determinaram assumir a popularidade desfrutada pelos seguidores de Jesus, o Essénio, e apoderaram-se das suas doutrinas principais e substituíram o Evangelho Humanista de Cristo, por um menos radical, que agradasse a Constantino, o denominado Novo Testamento, isto é, os “Quatro Evangelhos”.

Por conseguinte, a tarefa das Clérigos Romanos consistia em destruir todos os registos antigos, incluindo os que respeitavam a Jesus e ao seu ministério Essénio Cristão. A Biblioteca de Alexandria e outras bibliotecas antigas foram queimadas, e muitos Templos foram destruídos. O Mundo ficou em trevas, mas com o conhecimento da Ciência Espiritual moderna, nunca o mundo recebeu tanta luz, assim seja digno de a ver. O bem e a Verdade perduram sempre, felizmente, pois os Mestres que velam pela nossa Evolução, nunca iriam permitir que o mundo permanecesse na ignorância permanente. Alguns livros e manuscritos foram, por milagre, levados em segredo para o Oriente e preservados entre os Manuscritos dos Mosteiros Budistas, no Tibete, apesar de todos os esforços dos expedicionários das cruzadas, no interesse do Papado, para os destruir.
A Igreja tem seguido os textos aceites, legados e impostos pelos seus antepassados, e não tem feito mais do que cumprir cegamente o que está determinado, por total ignorância ou desinteresse pela existência de outros, mais completos e verdadeiros, que poderiam dar uma melhor vivência humana se fossem conhecidos desde os seus primórdios. Deviam era reconhecer, desde logo, o que já é do conhecimento da humanidade, e abrir-se aos novos acontecimentos legados por Jesus e transmiti-los aos seus fiéis, para que se crie uma Igreja e sociedade melhores.

Atendendo ao mencionado “Evangelho dos Dozes Consagrados” e a esta época natalícia, o mesmo narra uma parte que já conhecemos e acrescenta um pouco mais de texto. Começa por mencionar: «O Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, Nazaré, para visitar uma virgem chamada Maria, que desposara José, da casa de David. José tinha uma mente justa e racional, e era especialista em todos os trabalhos de madeira e pedra. Maria tinha uma alma terna e perspicaz, e havia-se dedicado completamente ao serviço do Templo. Ambos eram muito puros perante Deus, e deles nasceu Jesus-Maria, que foi chamado de Cristo, e que salvaria o povo dos pecados e todos aqueles que se arrependessem e obedecessem à sua Lei. Advertiu-a que não poderia ingerir qualquer tipo de carne de animais, nem bebidas fortes, pois a criança seria consagrada a Deus, a partir do seu ventre, e que nunca ingeriria carne, nem bebidas fortes, nem qualquer navalha lhe tocaria na cabeça. Mencionou também que a sua prima Isabel havia concebido um filho na sua velhice, porque para Deus nada é impossível. O Anjo também apareceu num sonho a José, e disse que ele era bendito entre os homens, pelo fruto da sua força geradora, e que estava cheio de graça e não tivesse receio de receber Maria como esposa, pois o que ela conceberia seria obra do Espírito Santo, pois daria à luz um filho, que salvaria os povos dos pecados.

Entretanto Maria foi à pressa a uma cidade da Judeia visitar a casa de Zacarias e saudar Isabel, e o menino ao ouvir a saudação de Maria saltou de alegria no seio de Isabel, que ficou cheia do Espírito Santo. Maria disse-lhe que a sua alma glorificava o Senhor e o seu espírito exultava de alegria em Deus, o Salvador, e que a partir de então todas as gerações haveriam de a chamar “ditosa”. Ficou em casa de Isabel cerca de três meses, regressando depois a casa. José também proferiu palavras de glorificação a Deus, e prometeu proteger e fazer de Jesus a promessa divina do povo, para renovar a face da Terra, dar liberdade aos cativos e àqueles que viviam nas trevas. Sendo que Jesus permitiria deixar entrar a luz e ensinaria o povo a alimentar-se com hábitos saudáveis, nunca mais caçariam, nem inquietariam as criaturas inferiores. Não teriam mais fome ou sede, o calor não mais os feriria, nem o frio os destruiria, e os lugares elevados seriam exaltados. E, ainda acrescentou: “Cantem os céus e haja regozijo na Terra; rompam pelos desertos com o cântico dos cânticos, porque Vós, ó Deus, que ofereceis o conforto ao vosso povo; consolai-os que sofreram injustiças”».

Quanto ao Nascimento de Jesus, o ensinamento do Evangelho da Paz começa por dizer: «Naqueles dias havia saído um Édito, da parte de César Augusto, para o recenseamento de toda a terra. Foi o primeiro que se fez, e todo o povo da Síria foi recensear-se, cada qual à sua própria cidade, na altura do solstício do Inverno. Maria e José também deixaram a cidade de Nazaré, na Galileia, e foram até à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, para se recensearem, quando Maria já estava no final da gravidez. Ao se encontrarem em Belém, Maria deu à luz e lá teve o seu filho primogénito, numa gruta, envolveu-o em panos e deitou-o numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria. A gruta encontrava-se iluminada, com muitas luzes celestiais, doze em cada lado, que brilhavam como o Sol na sua glória. Encontrava-se na gruta um boi, um cavalo, um burro e um carneiro, e debaixo da manjedoura estava um gato com as suas crias, e algumas pombas esvoaçavam por cima pelo teto, e cada animal tinha o seu companheiro, conforme a sua espécie. Jesus nasceu no meio dos animais, que através da redenção do homem, pelo seu egoísmo e ignorância, tinha vindo para redimi-los do sofrimento.

Naquela região, encontravam-se alguns pastores, que costumavam pernoitar nos campos a guardarem os seus rebanhos. Apareceu-lhes o Anjo do Senhor e ficaram com medo, pois a glória do Senhor refulgia à sua volta. O Anjo disse-lhes para não temerem, pois vinha anunciar-lhes que tinha nascido um Salvador, na cidade de David, que era Cristo, o Consagrado de Deus, e que encontrariam um menino envolto em panos, deitado numa manjedoura. Juntaram-se outros Anjos a glorificarem, a Deus nas alturas, e paz na Terra aos homens de boa vontade. Os pastores foram visitar Maria e José na gruta, e quando viram o Menino começaram a dizer o que tinham ouvido sobre Ele, e todos o admiraram. Ao completar oito dias, após os quais deveria ser circuncidado, deram-lhe o nome de Jesus-Maria, por indicação do Anjo. E, segundo a Lei de Moisés, depois de ter completado o tempo de purificação, levaram-No ao Templo de Jerusalém para o apresentarem ao Senhor. Lá residia um homem muito justo e piedoso, chamado Simeão, que esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo habitava nele. Tinha-lhe sido revelado que não morreria sem antes ver o Messias do Senhor. Então, impelido pelo Espírito foi ao Templo, e viu a criança como um pilar de luz, tomou-o nos braços e bendisse a Deus, dizendo que poderia partir em paz, pois os seus olhos já tinham visto a Salvação. Simeão abençoou Maria e José e disse-lhes que o Menino tinha vindo para que se desse a queda e o ressurgimento de muitos em Israel, e para ser um sinal de contradição, pois uma espada trespassaria a sua própria alma, a fim de se manifestarem os pensamentos de muitos corações. Lá, encontrava-se também uma profetisa, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Áser, de idade avançada, que nunca se afastava do Templo, servindo a Deus, noite e dia, com jejuns e orações. Ela pôs-se a louvar a Deus e a falar do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Maria, José e o Menino regressaram depois a Nazaré, após terem cumprido tudo o que a Lei do Senhor determinava».

Como se poderá constatar, nota-se alguns pormenores, que foram retirados nos textos que conhecemos, entre eles os animais na gruta. Se os animais representarem os corpos da personalidade, teremos a descrição de cinco animais, que são os cinco princípios, e nos coloca o problema de identificação, pois são três ou quatro noutras religiões. Assim temos de ter em mente que os mitos religiosos podem não se referir aos factos históricos, mas sim aos universais.

Que o Mestre Jesus nos abençoe. Desejo a todos um Feliz e Santo Natal, assim como um próspero Ano Novo de 2022, que vos traga muita saúde e uma maior abertura espiritual, como Jesus ensinou.
Lubélia Travassos
Ponta Delgada, Dezembro de 2021.
   


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