Fundação Maitreya
 
O Pensamento

de Diogo Castelão Sousa

em 21 Jan 2024

  O pensamento é a força criativa capaz de construir mundos infinitos. O seu poder constitui-se por ser na sua génese a grande origem de todo o movimento, dualidade e ilusão (entenda-se no seu sentido objetivo e não depreciativo). O pensamento guia a construção de uma civilização, enquanto se geram as cidades, as Leis e os vários caminhos que direcionam o ser humano para um objetivo maior, quer individual quer coletivo.

Na verdade, são as ideias que governam o mundo. Contudo, é fulcral compreender que as melhores ideias não são necessariamente aquelas que são implementadas. Isto acontece por duas razões evidentes: pelo facto de a evolução da humanidade estar em decurso e, mais importante ainda, por ser árdua a tarefa de ‘remar contra a maré’, de não só questionar o status quo, como oferecer soluções viáveis e concretas que superam em boa medida os recursos atuais.

Num momento de sonolência, as civilizações perdem a memória de que foi o próprio ser humano quem dirigiu o seu próprio destino e quem, por vontade própria, também pode alterar o seu curso. Como tal, existem sempre aqueles que vêm ‘despertar’ uma civilização da sua letargia e elevar os seus modos, inspirando os seus contemporâneos a erguer-se das trevas e conduzir as suas ações na direção de um destino de luz e benfeitoria. Exemplos, todos os conhecemos.

O pensamento é, portanto, considerado a grande distinção da Humanidade, face aos animais. Assim, o pensamento está ligado essencialmente à origem da linguagem e apresenta duas formas essenciais de expressão. A expressão visual (através de imagens mentais) e fonética (através das palavras). O pensamento é invisível, apenas se pode inteligir, não podendo ser captado com os órgãos sensoriais. Deste modo, por alguns é chamado de ‘o sexto sentido’.

Além disso, é interessante compreender que um pensamento é tão real quanto uma voz pronunciada bem alto. Numa situação caricata, por vezes, podemos dar por nós a completar um raciocínio em alta voz, confirmando-o tão real como se o Universo o escutasse permanentemente.

Os seres mais sensíveis são capazes de sintonizar o pensamento dos outros, porque ele não está confinado ao espaço exíguo da sua cabeça. Na verdade, são ondas mentais capazes de atravessar o espaço-tempo sem as limitações impostas do mundo objetivo.
Isto acontece, por exemplo, no caso da telepatia. Um pensamento pode ser enviado tão longe, que quebra as leis espácio-temporais, dependendo apenas do poder criativo do transmissor.

De igual modo, o pensamento elevado é capaz de receber ‘visões’, ou seja, desenvolver a sensibilidade de prever o futuro ou captar o ‘invisível’. Por oposição, o pensamento diminuído projeta as suas alucinações, que são a distorção de desejos ou ambições interiores. O que permite distinguir ambos é, na verdade, muito simples. Basta observar o modo de viver do indivíduo. Se vive nobre e eticamente, sem excessos, desapegado e equânime, o seu pensamento refletirá naturalmente a mesma conduta e elevação, ou seja, a mesma receptividade ao Superior.

Consequentemente, o pensamento é o resultado do nosso modo de viver, ainda que, paradoxalmente, também seja a sua causa. Isto acontece porque ele não é diferente de nós; o pensamento é quem somos, enquanto memória, enquanto entidade.

Além dos seus poderes, é importante compreender o que permite o seu bom funcionamento, i.e., o pensar inteligente. A preservação de dois hábitos é fundamental: o descanso, representado pelo sono, a meditação, ou simplesmente a não sobrestimulação do pensamento, e a alimentação. Na verdade, uma alimentação regrada, saudável e consciente, que inclui períodos de jejum, em que a digestão não ‘suga’ energias para si, concentradas nessa ‘tarefa’ ao longo de horas, é a chave para manter a acuidade do pensamento ativa, para afiar a navalha do poder criativo.

Como se referiu, o Pensamento é a força criativa capaz de construir mundos infinitos. Deste modo, esta frase pode ser interpretada ou aplicada quer ao mundo objetivo, quer ao mundo interior ou subjetivo.

A vida interior do indivíduo é determinada por uma ‘batalha’. A batalha entre as ideias com mais força e as mais débeis, com menos influência. Por vezes, são mais fortes os pensamentos que não nos são originais, i.e., que dizem respeito a uma egrégora coletiva, e que exigem desconstrução por parte de uma nova abordagem.

Assim, um dos mais poderosos e simbólicos momentos na vida de um indivíduo é a capacidade de plantar uma ideia na mente de alguém, de modo benéfico. Nesse ato, a semente criativa cresce e viceja até ao momento em que se torna uma grande e bela árvore, cujos frutos são as ações inspiradas pelo sabor desse ato original. Neste sentido, o indivíduo transforma-se, quando uma nova ideia substitui uma ideia obsoleta, ou seja, literalmente a vence em força, expelindo-a permanentemente.

Nesse sentido, tal como Buddha refere nos seus sermões, ‘a mente é o precursor de todos os estados de ânimo’. A razão para um sentimento de tristeza ou felicidade, de medo ou coragem se manifestar, tem sempre lugar na predominância de um certo tipo de pensamento, consciente ou inconscientemente, nesse preciso instante. Cada ação tem um motivo por detrás, cada atitude obedece a um determinado tipo de pensamento ou ideal...No fundo, o pensamento ‘move a matéria’. Ele é o motor oculto que faz girar a Vida e a projeta, como a rodagem de um filme.

Assim, concluímos que o pensamento deva ser estudado e compreendido, interiorizado e reconhecido pela sua força vital, pelo seu potencial oculto e infinito. Neste sentido, o trabalho interno de cada um deve passar pela investigação das origens misteriosas, da sua génese, indo à fonte de onde emergiu, indo ao encontro do seu Criador. Aqui jaz a imensidão do seu poder criativo, da sua plenitude.
   


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