Fundação Maitreya
 
O Cristianismo

de Maria Ferreira da Silva

em 12 Dez 2018

  Falar no Cristianismo é sobretudo falar de Jesus pois é Ele o centro onde se congregam os ideais mais nobres de aspiração ao Divino. Foi um Ser simples e teve vida breve no entanto, seu poder espiritual perdurou no tempo e foi o inspirador mais sublime para milhares de seres intelectual e espiritualmente. Jesus revelou que Deus pode manifestar-se a qualquer homem e referiu-se a Deus, não como um conceito filosófico, mas como Entidade real e transcendente, Absoluto e Presente, não só na humanidade como um Todo, como também em cada ser. O Cristianismo, no seu começo está fundido com o Judaísmo, nasce no seio dos próprios Judeus, e forçosamente encontram-se ideias comuns. Contudo, elas foram-se transformando e distanciando, conforme evoluíram no tempo também se afastavam no espaço geográfico, estabelecendo-se por fim o Cristianismo no Ocidente, baseado sobretudo na crença de alguns Judeus no messianismo de Jesus. Considerando-se que Jesus e todos os seus seguidores estavam naturalmente marcados pela tradição e educação judaica, foi sob este prisma que viveram e ensinaram, encontrando-se assim, ideias hebraicas entre os fundamentos principais do Cristianismo. É mais tarde, quando o Cristianismo se desenvolve entre os Judeus e não judeus em Roma, que surgem as maiores desavenças e se distanciam alguns, da tradição talmúdica para estabelecerem o Cristianismo.

Dentro da Palestina, a ascensão e expansão do Cristianismo deveu-se sobretudo a dois factores importantes existentes no Judaísmo. Havia duas fortes facções, os Fariseus e os Saduceus, que emergiram cerca de 140 a C., e fora destes dois centros de poder social e religioso, havia também Judeus que eram livres da coerção religiosa. Foi esta relativa liberdade fora das comunidades mais ortodoxas, que favoreceu o desenvolvimento do Cristianismo dentro da Palestina.

Mais tarde já no Ocidente, o Cristianismo veio dar corpo ou completar uma via espiritual, onde florescia a Filosofia Grega principalmente a Estóica, tornando-a mais acessível à mente humana, sem grandes austeridades ou extremos no caminho da Virtude, pois principalmente no estoicismo a imagem dos sábios, apresentava-se distantes da maioria dos cidadãos, desprendidos e desprezando os bens terrenos, e mesmo os Judeus que afinal foram os primeiros cristãos, estavam também muito fechados nas suas leis. Todavia, o Cristianismo veio a absorver algumas ideias da cultura e filosofia grega, em parte devido à necessidade de se converterem os gentios que viviam no riquíssimo ambiente cultural e intelectual grego. S. Paulo sobretudo falava para os Gregos cultos ou Judeus helenizados.

Portanto a filosofia praticada no Ocidente até Cristo, era sobretudo baseada no pensamento mais racional acerca da existência, ou tentativas de perceber essa existência e nunca abertamente falaram de Deus, a não ser como um “sopro ou animus que permeia tudo e todos”, no caso dos Estóicos. Uma das diferenças principais entre gregos e judeus é que estes últimos, havia muito falavam de um Deus único. Os Judeus desde sempre, defenderam a unidade do princípio divino do mundo, o que os filósofos gregos conheceram mais tarde, talvez com as ideias de Platão, e depois com o estoicismo de Epicteto. Desta forma a Religião Cristã, apresentou a fé em Cristo para o conhecimento directo de Deus pela via do coração. Ele trouxe a revelação do Reino dos Céus como o objectivo essencial para todo o ser humano através da fé e da devoção. Veio também lembrar que as escrituras mesmo sendo sagradas, não passam de letras mortas, se cada um não praticar conscientemente numa vivência diária, a verdade e a pureza, que permitirá então a integração em Deus.

Falar no Cristianismo é sobretudo falar de Jesus pois é Ele o centro onde se congregam os ideais mais nobres de aspiração ao Divino. Foi um Ser simples e teve vida breve no entanto, seu poder espiritual perdurou no tempo e foi o inspirador mais sublime para milhares de seres intelectual e espiritualmente. Jesus revelou que Deus pode manifestar-se a qualquer homem e referiu-se a Deus, não como um conceito filosófico, mas como Entidade real e transcendente, Absoluto e Presente, não só na humanidade como um Todo, como também em cada ser.

Jesus viveu no meio de todas as crenças e ideias da época, mas a sua mensagem foi a da união dos seres pelo amor e pela bondade, realçando a comunicação directa com Deus, o que era privilégio apenas dos Profetas de Israel, dos iniciados e pitonisas no caso dos gregos, ainda por cima humanizando tal relação a ponto de lhe chamar Pai.

Livro “A Eterna sabedoria”.
   


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