Fundação Maitreya
 
JESUS

de Maria Ferreira da Silva

em 08 Dez 2008

  As minhas maravilhosas memórias de infância são evocadas, logo que pronuncio o nome de Jesus…
Um menino pobre, nascido num estábulo, inspirou-me sempre muita ternura e compaixão desde criança. Vivi natais cheios de devoção, alegria e religiosidade, em parte, pela família profundamente cristã onde nasci mas também, principalmente, pelas minhas vivências internas: experiências tocantes de amor e de graça mística que ultrapassavam a compreensão da minha tenra idade.


A presença de Jesus esteve desde sempre presente em mim, mas na época natalícia renascia e Ele tornava-se um “nascido de novo”. A imagem renovada a cada ano, no presépio, representando o menino Jesus, num berço de palha, rodeado de Maria e de José e sob a protecção dos Reis Magos, tornava-se então mais real. Essa era a época em que compreendia que Ele era de todos, tornando-se, portanto, natural (aos olhos de uma criança) que todos O tivessem, O vissem, O amassem, como eu o fazia todo o ano. Só mais tarde percebi que não era bem assim…
Hoje, não sei se os pais ainda ensinam aos filhos que o Natal é especialmente a comemoração do nascimento de Jesus. Provavelmente já muitos comemoram o Natal não como uma festa religiosa, mas uma festa vulgar, quase pagã, onde o principal motivo é comer e beber (exageradamente), tudo vivido de forma muito consumista.

Até pareço uma saudosista ligada no passada da infância – mas os valores religiosos e até morais, bem como os conceitos, mudaram e houve tais transformações que hoje é difícil reconhecer o verdadeiro espírito de Natal na sua essência e razão de ser, neste mundo tão materialista…
Esse menino que tanto me tocou, enterneceu e embelezou os meus natais de criança, relembrados por muitos anos em grande felicidade, cresceu comigo, acompanhou-me à escola e juntos celebramos muitas alegrias. Também me impulsionou a uma saudável solidão, refúgio pelo qual, eu ficava mais só, com Ele… Com Ele nasci e com Ele vivi desde sempre.

Aos oito anos de idade, inesperadamente, através de um passeio escolar fiz uma viagem ao Gerês. Quando em S. Bento da Porta Aberta, o autocarro parou no recinto ou adro da Igreja para descansarmos, havia uma pequena Capela fechada com grades, que curiosamente fui espreitar e, lá estava Ele, o meu querido Jesus... O que veio de dentro da Capela como um raio penetrante, directo ao meu coração, foi uma bola de fogo, de luz e de amor que inundou todo o meu ser de tal beatífica felicidade, que fui arrebatada ao êxtase. Não tinha ainda consciência nem conhecimento suficiente para saber o que acabava de me acontecer, só mais tarde vim a compreender esta bela experiência mística e iniciática, que me acompanhou por muitos anos, e se repetiu nas mais diversas ocasiões, tanto ainda na infância como na adolescência. Foi esta Luz do Mestre, minha companheira, tal um Anjo da Guarda ou protecção Divina.

Se o Natal é a invocação do começo da vida de Jesus entre nós, com especial relevância para o seu nascimento e infância, o menino prodígio que fala aos doutores no Templo, o restante da sua vida (curta) marcou profundamente a civilização do Ocidente, uma época de viragem de mentalidades. E esse Jesus, para alguns um mito para outros histórico, para mim foi sempre uma presença viva, a água cristalina que purifica todos os males, e o farol que sempre iluminou a minha vida.

Falar de Jesus é falar de um grande Companheiro; o mais belo, o mais amoroso, o único com o qual permaneço, como se eternamente lhe pertencesse. Nunca nos separamos, seja Natal, seja Páscoa seja nos dias normais…

É este Natal que eu desejo para todos – com um Jesus sempre presente em todos vós…
   


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