Fundação Maitreya
 
Antecedentes Históricos do Nascimento de Jesus

de Lubélia Travassos

em 11 Dez 2010

  Jesus tinha herdado do pai a doçura especial, e a compreensão compassiva pela natureza humana. No entanto, o dom de ser um grande Mestre, e a sua imensa capacidade de indignar-se pela rectidão, fora herdado da mãe. Nas reacções emocionais, durante a sua vida de adulto, relativamente ao meio ambiente, Jesus era com o pai, meditativo e adorador, que deixava transparecer alguma tristeza, mas, era mais frequente deixar-se conduzir de maneira optimista, e com a disposição determinada da mãe. Em suma, a tendência era de que o temperamento de Maria dominasse a carreira do filho divino, não só durante o seu crescimento, mas também nos passos decisivos da sua missão de adulto. Ambas as famílias de José e Maria eram bem instruídas para a sua época, visto terem sido educados acima da média, considerando a sua situação social.

No livro de Urântia, obra excepcional com mais de duas mil páginas, constituída por quatro partes ou livros, que nos revela os mistérios de Deus, do Universo, de Jesus, e da humanidade, existe um capítulo dedicado exclusivamente à “Vida e Ensinamentos de Jesus”, que está inserido no IV livro daquela obra. Nos seus anais constatamos a existência de excertos dos arquivos de Jerusalém, que dizem respeito aos antecedentes e à história inicial do nosso planeta, que nos tempos primórdios se denominava Urântia. Na IV parte do livro, além de descrever a vida e ensinamentos de Jesus, são também referidos acontecimentos que precederam ao seu nascimento. Este artigo reportar-se-á, num pequeno resumo, aos antecedentes históricos e às condições especiais que levaram ao nascimento de Jesus.

O livro começa por referir que não é, de facto, possível esclarecer as razões essenciais que levaram à escolha da Palestina como sendo a terra para a auto-outorga do Arcanjo Miguel, nem porque foi seleccionada a família de Maria e José para a vinda do Filho de Deus, em Urântia. Menciona, aliás, que, após o estudo de informações especiais sobre as condições dos mundos segregados, preparado por Melquizedeques, num conselho com Gabriel, Miguel resolveu escolher Urântia, por ser o planeta ideal para cumprir a sua auto-outorga. A partir desta decisão, Gabriel visitou pessoalmente Urântia. Como resultado do seu estudo sobre os grupos humanos, e pesquisa sobre os aspectos espirituais, intelectuais, raciais e geográficos do mundo e dos seus povos, ele chegou à conclusão de que os hebreus possuíam as características que garantiriam a sua selecção, por ser a raça preferida para a sua auto-outorga. Assim que Miguel aprovou esta decisão, Gabriel destacou, de imediato a Comissão Familiar dos Doze, seleccionada entre as personalidades mais elevadas deste Universo, e despachou-a para Urântia, encarregando-a de efectuar a tarefa da investigação sobre a família judaica. Assim que a comissão terminou os seus trabalhos, Gabriel já se encontrava em Urântia, pelo que foi de imediato informado, que havia três casais que, na opinião dessa comissão, reuniam as condições favoráveis à auto-outorga da encarnação projectada por Miguel.

Dos três casais apontados, a escolha pessoal de Gabriel recaiu sobre José e Maria, pelo que resolveu fazer logo a sua aparição a Maria, a fim de lhe comunicar as boas novas, de que ela tinha sido escolhida para ser a mãe terrena do menino auto-outorgado. Joshua ben José, o pai humano de Jesus era um hebreu entre os hebreus, ainda que possuísse muitos traços hereditários não judeus, que vinham sendo adicionados à sua árvore genealógica, durante épocas, pela linhagem feminina dos seus progenitores. Na verdade, a linhagem ancestral do pai de Jesus remontava aos dias de Abraão, e através desse venerável patriarca remetia-se até às linhas mais antigas de hereditariedade, que se ligavam aos Sumérios e aos Noditas, e pelas tribos meridionais dos antigos homens azuis, até Andon e Fonta. Portanto, David e Salomão não faziam parte da linha directa dos antepassados de José, sendo que os ancestrais imediatos de José foram trabalhadores em artefactos, isto é, construtores, carpinteiros, pedreiros e forjadores. O próprio José era carpinteiro e mais tarde foi empreiteiro. De facto, a sua família pertencia a uma longa e ilustre linhagem notável de gente comum, acentuada de vez em quando pelo aparecimento de indivíduos incomuns, que se haviam distinguido de algum modo, e estiveram ligados à evolução da religião de Urântia.

Quanto a Maria, a mãe terrena de Jesus, era descendente de uma longa linhagem de ancestrais singulares, que abrangia muitas das mais notáveis mulheres da história das raças de Urântia. Embora Maria fosse uma mulher comum, da sua época e geração, sendo uma pessoa normal, contava, no entanto, entre os seus antepassados com mulheres bem conhecidas, tais como Anon, Tamar, Rute, Betsabá, Ansie, Cloa, Eva, Enta e Ratta. Não havia nenhuma mulher judia naquela época que fosse de linhagem de progenitores mais ilustre, e nenhuma remontava a origens mais auspiciosas. Por conseguinte, a linha dos ancestrais tanto de Maria como de José era caracterizada pela predominância de indivíduos fortes, mas comuns, destacando-se de vez em quando várias personalidades, na marcha da civilização e da evolução progressiva da religião. Contudo, sob o ponto de vista racial não podemos considerar Maria como judia, ainda que na cultura e na crença ela fosse judia, mas pelos dons hereditários, era mais uma composição de sangue sírio, hitita, fenício, grego e egípcio, de forma que a sua herança racial era mais genérica do que a de José.

A verdade é que, de todos os casais que viviam na Palestina, naquela época da auto-outorga projectada por Miguel, José e Maria é que possuíam a combinação ideal de parentescos raciais favoráveis e de dons de personalidade acima do normal. O plano de Miguel era que aparecesse na Terra um homem comum, de modo a que pessoas comuns pudessem entendê-lo e o recebessem bem. Por essa razão, Gabriel havia seleccionado José e Maria para se tornarem os progenitores nessa auto-outorga. Não obstante, o trabalho da vida de Jesus em Urântia seria iniciado por João Baptista. O pai de João, Zacarias, era um sacerdote judeu, enquanto a mãe, Isabel, era membro do ramo mais próspero do mesmo grande grupo familiar a que pertencia Maria, a mãe de Jesus. Embora Zacarias e Isabel estivessem casados há muitos anos, não tinham filhos.

Tempos depois do casamento de Maria e José, o anjo Gabriel apareceu um dia a Isabel, ao meio-dia, no final do mês de Junho, do ano 8 a.C., tal como se apresentaria a Maria mais tarde. Gabriel disse a Isabel que, enquanto o marido Zacarias estava reunido com o povo no altar em Jerusalém a orar pela chegada do libertador, ele, Gabriel, vinha anunciar que ela iria dentro de pouco tempo conceber um filho, que seria o precursor do seu divino Mestre, a quem deveria chamar João. Comunicou-lhe que o filho cresceria dedicado ao senhor seu Deus e, quando atingisse a maturidade, daria muita alegria ao coração de Isabel, porque lhe tinha sido destinado conduzir muitas almas para Deus e também proclamar a vinda do curador de almas do seu povo, que seria o libertador do espírito de toda a humanidade. O Anjo também lhe comunicou que a prima seria a mãe desse menino prometido, e que iria igualmente visitá-la. Esta visão amedrontou muito Isabel, que depois da partida de Gabriel ponderou, por muito tempo, nas palavras do majestoso visitante, mas não falou da revelação a ninguém, a não ser tempos mais tarde ao marido e a Maria, numa visita posterior no princípio de Fevereiro do ano seguinte. Contudo, Isabel guardou aquele segredo durante cinco meses, até mesmo do marido, e quando lhe contou da visita de Gabriel, Zacarias ficou céptico e duvidou de toda essa experiência durante semanas, e só conseguiu acreditar, quando não pode mais duvidar de que ela esperava uma criança. Ainda que perplexo com a maternidade próxima de Isabel, Zacarias não duvidava da integridade da esposa, apesar da idade avançada. No entanto, só seis semanas antes do nascimento de João é que ele, em consequência de um sonho impressionante, ficou plenamente convencido de que Isabel iria ser mãe de um filho do destino, aquele que iria preparar o caminho para a vinda do Messias.

Quando João nasceu a 25 de Março, na cidade de Judá, no ano 7 a.C., Zacarias e Isabel rejubilaram-se sobremaneira pelo facto de terem tido um filho, tal como Gabriel havia prometido, baptizando-o no oitavo dia, quando o apresentaram para a circuncisão, com o nome de João, como lhes tinha sido ordenado. Logo a seguir um sobrinho de Zacarias levou a mensagem de Isabel até Maria, a Nazaré, que proclamava o nascimento do filho João. Desde a mais tenra idade os pais inculcaram em João a ideia de que ele cresceria e tornar-se-ia um líder espiritual e um mestre religioso. O coração de João foi sempre muito sensível a essas sementes sugestivas, e em criança era frequente encontrá-lo no Templo, durante os ofícios do serviço do pai, onde João ficava muito impressionado pelo significado de tudo o que via.

Anteriormente, em meados de Novembro do ano 8 a.C., Gabriel visitou Maria, em Nazaré, na altura em que ela estava a trabalhar em casa. O anúncio de Gabriel a Maria, deu-se numa tarde, perto do pôr-do-sol, antes de José retornar ao lar. Gabriel apareceu a Maria, ao lado de uma mesa baixa de pedra, e depois de ela se recompor, disse-lhe que vinha a pedido do seu Mestre, a quem ela iria amar e nutrir. Comunicou-lhe que trazia alegres novas e lhe anunciava a concepção que havia sido ordenada pelo Céu, e que no tempo devido tornar-se-ia mãe de um filho, a quem chamaria Joshua. O filho estava predestinado a inaugurar o Reino do Céu na Terra entre os homens. O anjo Gabriel pediu a Maria que não dissesse nada a ninguém, a não ser a José e a Isabel, pois também lhe tinha aparecido, e que ela estava prestes a conceber um filho, de nome João, que seria o precursor de Jesus, a fim de preparar o caminho da mensagem de libertação, que o filho de Maria proclamaria aos homens, com grande força e profunda convicção. O Anjo pediu-lhe para não duvidar da sua palavra, pois o seu lar tinha sido escolhido para a residência mortal do menino predestinado, e que a sua bênção havia recaído sobre ela, assim como os poderes dos Altíssimos que fortalecê-la-iam, sendo que o Senhor de toda a Terra acobertar-lhe-ia na Sua sombra.

Mais tarde, depois de ter a certeza de que iria ser mãe, Maria persuadiu José a deixá-la viajar à cidade de Judá, a sete quilómetros a oeste de Jerusalém, nas montanhas, para visitar Isabel. Gabriel tinha informado a cada uma das futuras mães sobre a sua aparição, e elas estavam ansiosas para se encontrarem, a fim de partilharem as suas experiências, e falarem sobre os prováveis futuros dos filhos. Maria permaneceu com a sua prima três semanas, e Isabel ajudou-a a fortalecer-se na fé da visão de Gabriel, pelo que ela voltou a casa mais dedicada ao chamado de ser mãe do menino predestinado, que iria muito breve apresentar ao mundo como um bebé indefeso, uma criança comum e normal deste reino. Maria meditou secretamente no seu coração sobre esta visitação, durante várias semanas, antes de se abrir com o marido, até que estivesse certa de que carregava em si uma criança. José quando ouviu a nova ficou muito perturbado, se bem que tivesse plena confiança em Maria, mas não conseguiu dormir por muitas noites.

Embora com muitas dúvidas a princípio sobre a visita de Gabriel, ele torturava-se com a ideia dessas coisas acontecerem, de como seria possível os seres humanos terem um filho com destino divino! Então, após várias semanas, José e Maria chegaram à conclusão de que tinham de aceitar o facto dessa escolha, para se tornarem os pais do Messias, ainda que o conceito judeu não fosse, nem um pouco, o de que o libertador aguardado deveria ter a natureza divina. Por isso, Maria resolvera apressar-se a visitar a prima Isabel, e ao voltar foi visitar os pais Joaquim e Ana. Tanto os seus dois irmãos como as duas irmãs e os pais foram sempre muito cépticos quanto à missão divina de Jesus, embora naquele momento nada soubessem sobre a visita de Gabriel. Contudo, Maria confidenciou a sua irmã Salomé que achava que o seu filho estava destinado a tornar-se um grande Mestre. De salientar, que o anúncio de Gabriel a Maria aconteceu no dia seguinte à concepção de Jesus, e foi o único evento de ocorrência sobrenatural ligado a toda a experiência de Maria, de conceber e gerar o menino da promessa.

Foi difícil para José reconciliar-se com a ideia de que Maria iria ser mãe de uma criança extraordinária, até que viveu a experiência de um sonho muito revelador. Nesse sonho apareceu-lhe um mensageiro celestial brilhante que, entre outras coisas, lhe disse que aparecia sob o comando Daquele que reinava nas alturas, com ordem para instruí-lo a respeito do filho que Maria iria gerar, e que tornar-se-ia uma grande luz para o mundo. Nele estaria a vida, e a sua vida tornar-se-ia a Luz da humanidade. Comunicou-lhe que Ele viria primeiro para o seu próprio povo, e no entanto eles não o receberiam bem, mas, a quantos o recebessem, ser-lhes-ia revelado que eram filhos de Deus. Depois dessa experiência José deixou de duvidar de Maria sobre a visita de Gabriel e sobre a promessa de que a criança tornar-se-ia um mensageiro divino para o mundo. Porém, nessas aparições nada foi dito sobre a casa de David. Nada deixou transparecer que Jesus tornar-se-ia o “libertador dos judeus”, nem mesmo que seria o Messias há muito esperado. Jesus não era um Messias tal como os judeus haviam antecipado, mas sim o libertador do mundo, e a sua missão não era dirigida apenas a um povo, mas sim a todas as raças e a todos os povos.

Em relação às características dos pais terrenos de Jesus, José era um homem de maneiras suaves e muito consciente, fiel às convenções e práticas religiosas do seu povo, falava pouco mas pensava muito. As condições de sofrimento do povo judeu causavam-lhe muita tristeza, ainda que na juventude entre os seus oito irmãos e irmãs, tinha sido muito alegre. Porém, nos primeiros anos de casado, durante a infância de Jesus esteve sujeito a períodos de desencorajamento espiritual leve, sendo que essas manifestações do seu temperamento foram bastante atenuadas um pouco antes da sua morte prematura. Quanto a Maria, o seu temperamento era completamente oposto ao do marido. Ela era em geral alegre, e raramente se sentia abatida, mantendo sempre o ânimo elevado, nunca se sentindo afligida com nada, até à súbita morte de José. Até mesmo quando teve de enfrentar todas as experiências extraordinárias do seu filho, conseguiu manter-se sempre calma e corajosa.

Jesus tinha herdado do pai a doçura especial, e a compreensão compassiva pela natureza humana. No entanto, o dom de ser um grande Mestre, e a sua imensa capacidade de indignar-se pela rectidão, fora herdado da mãe. Nas reacções emocionais, durante a sua vida de adulto, relativamente ao meio ambiente, Jesus era com o pai, meditativo e adorador, que deixava transparecer alguma tristeza, mas, era mais frequente deixar-se conduzir de maneira optimista, e com a disposição determinada da mãe. Em suma, a tendência era de que o temperamento de Maria dominasse a carreira do filho divino, não só durante o seu crescimento, mas também nos passos decisivos da sua missão de adulto. Ambas as famílias de José e Maria eram bem instruídas para a sua época, visto terem sido educados acima da média, considerando a sua situação social. José e Maria casaram-se no mês de Março do ano 8 a.C., de acordo com os costumes judeus, na casa de Maria, nas proximidades de Nazaré, quando José tinha 21 anos, depois de um noivado normal que durou quase dois anos. Pouco depois mudaram-se para a casa de José, a norte de Nazaré, perto de uma elevação, que dominava a paisagem aprazível do campo, construída por ele, com a ajuda de dois dos irmãos.

Tendo César Augusto decretado que todos os habitantes do Império romano fossem contados, deveria ser feito um censo de modo a ser utilizado para uma cobrança mais eficiente dos impostos. Os judeus sempre usaram muita precaução contra qualquer tentativa de “enumerar o povo”, e isso, para além das dificuldades domésticas com Herodes, rei da Judeia, havia conspirado para o adiamento de um ano, na concretização desse censo, no reino dos judeus. Esse censo ficou registado em todo o Império romano no ano 8 a.C., excepto no reino de Herodes, na Palestina, que foi feito um ano mais tarde, no ano 7 a.C. Por conseguinte, cumpridor das suas obrigações, José decidiu empreender a viagem a Belém, e estava autorizado a efectuar o registo para toda a família, por isso não era necessário Maria acompanhá-lo. No entanto, Maria, sendo uma pessoa dinâmica e ousada insistiu em ir também, pois temia ficar sozinha, e a criança nascesse na ausência de José. Uma vez que Belém não ficava longe da cidade de Judá, Maria previu a possibilidade de visitar a sua parente Isabel. Embora José tivesse proibido Maria de acompanhá-lo, tornou-se inútil, visto que ela já tinha preparado tudo para a viagem de três a quatro dias. Como Maria e José eram pobres, só tinham um burro de carga, pelo que Maria tinha de cavalgar no animal junto com as provisões, enquanto José caminhava guiando-o. E assim partiu o casal judeu, da sua humilde casa, na manhã do dia 18 de Agosto do ano 7 a.C., para a sua viagem a Belém.

No primeiro dia de viagem contornaram o sopé do monte Gilboa e passaram a noite acampados na margem do Jordão. Cedo, na manhã brilhante de 19 de Agosto, o casal pôs-se de novo a caminho, tomando a refeição do meio-dia junto do monte Sartaba, que dominava o vale do Jordão, e continuaram a viagem, chegando a Jericó à noite, onde pararam numa hospedaria na estrada nos arredores da aldeia. Depois da refeição da noite e de assistirem a muita discussão sobre a opressão do governo romano, retiraram-se para o repouso nocturno. Retomaram a sua viagem de manhã bem cedo do dia 20 de Agosto, e alcançaram Jerusalém antes do meio-dia. Aproveitaram para visitar o Templo, e continuaram o caminho para chegar a Belém a meio da tarde. Todavia, o albergue encontrava-se superlotado, e José procurou, então, um alojamento entre os parentes distantes, mas todos os quartos de Belém estavam repletos. Ao retornarem à praça, em frente do albergue, informaram José que os animais das caravanas tinham sido retirados dos estábulos, que tinham sido feitos nos flancos do rochedo, situados abaixo do albergue, e estava tudo limpo para receber os hóspedes. José então deixou o burro na área em frente ao albergue, colocou os sacos de roupas e provisões sobre os ombros e desceu junto com Maria os degraus de pedra, até aos alojamentos abaixo. Viram-se instalados no que era uma sala de armazenagem de grãos, na frente dos estábulos e das manjedouras, onde cortinas de tendas tinham sido dependuradas, e eles deram-se por muito felizes por terem alojamentos tão confortáveis. José tinha pensado registar-se logo de seguida, mas Maria sentia-se muito cansada, e pediu-lhe que ficasse com ela.

Maria sentiu-se inquieta toda a noite, e nenhum dos dois conseguiu dormir. Ao amanhecer começou a sentir as dores do parto, e no dia 21 e Agosto do ano 7 a.C., ao meio-dia, com a ajuda carinhosa de mulheres viajantes amigas, Maria deu à luz um pequeno varão. Jesus de Nazaré havia nascido para o mundo, e encontrava-se enrolado com as roupas que Maria tinha trazido consigo para essa contingência, e deitado numa manjedoura próxima. No dia do nascimento de Jesus, ao meio-dia, os serafins de Urântia, reunidos com os seus directores, cantaram hinos de glória sobre a manjedoura de Belém, mas esses cânticos de glória não foram escutados por ouvidos humanos. Nenhum pastor, nem outras criaturas mortais vieram prestar a sua homenagem ao menino de Belém, até ao dia da chegada de certos sacerdotes de Ur, que tinham sido enviados de Jerusalém por Zacarias. Um instrutor religioso da Mesopotâmia havia contado a esses sacerdotes que tinha tido um sonho, que informava que a “luz da vida” estava quase a aparecer sobre a Terra, na forma de um menino entre os judeus. Por isso esses sacerdotes partiram em busca dessa “luz da vida”. Após muitas semanas de infrutífera procura em Jerusalém, e quase a voltarem para Ur, os sacerdotes conheceram Zacarias, que lhes confiou que acreditava ser Jesus o objecto da sua procura e mandou-os para Belém, onde eles encontraram o menino e deixaram as suas oferendas com Maria. Na altura da sua visita a criança já estava com quase três semanas de idade.

No dia seguinte ao nascimento de Jesus, José fez o seu registo. Lá encontrou um homem com quem tinha conversado em Jericó, que levou José até um amigo abastado que possuía um quarto na pousada, e que se dispôs a trocar de quartos com o casal de Nazaré. Portanto naquela tarde o casal mudou-se para a pousada, onde ficaram por quase três semanas até encontrarem hospedagem na casa de um parente distante de José. No segundo dia após o nascimento de Jesus, Maria enviou uma mensagem a Isabel, dizendo que o seu filho já tinha chegado, e recebeu em resposta um convite feito a José para ir a Jerusalém, para falar sobre todos os assuntos com Zacarias. José foi a Jerusalém na semana seguinte para conversar com Zacarias, e ele e Isabel ficaram completamente convencidos de que Jesus estava destinado a se tornar o libertador judeu, o Messias, e que João, o seu filho seria o seu principal colaborador. Uma vez que Maria partilhava das mesmas ideias, não foi difícil convencer José a permanecer em Belém, a cidade de David, para que Jesus pudesse crescer e se tornar o sucessor de David, no trono de todo o Israel. Deste modo eles permaneceram em Belém por mais um ano, tendo José se dedicado, durante esse tempo, ao seu ofício de carpinteiro. Tal como todas as crianças, Jesus foi circuncidado ao oitavo dia, conforme a prática judaica e normalmente denominado Joshua (Jesus).

Voltando aos sábios homens da Mesopotâmia ou Reis Magos, tal como os conhecemos, eles não viram nenhuma estrela a guiá-los para Belém, tal como foi originada a belíssima lenda da Estrela de Belém. Contrariando as datas e o ano de nascimento de Jesus da nossa tradição, estabelecidos pela Igreja Católica Romana, no Concílio de Niceia, pelo Imperador Constantino e outros chefes de Estado, segundo os manuscritos que têm sido descobertos, e a descrição do Livro de Urântia, esse acontecimento deu-se muito antes e não combina com o determinado no nosso calendário. De acordo com este livro, Jesus nasceu a 21 de Agosto, ao meio-dia, do ano 7 a.C. Curiosamente a 29 de Maio do mesmo ano houve uma extraordinária conjunção entre Júpiter, Saturno e a constelação de Peixes. Esse foi um acontecimento astronómico marcante, visto terem ocorrido conjunções semelhantes também a 29 de Setembro e a 5 de Dezembro do mesmo ano. Por conseguinte, com base nesses acontecimentos extraordinários, mas naturais, os bem-intencionados zeladores das gerações seguintes, com o seu zelo de crentes, elaboraram a lenda fascinante da estrela de Belém e dos Reis Magos adoradores, que foram guiados pela estrela até à manjedoura, para contemplar e adorar o recém-nascido. Na verdade, as mentes orientais e do Médio Oriente deleitam-se com fábulas, e inventam constantemente belos mitos sobre a vida dos seus dirigentes religiosos e dos seus heróis políticos. Por isso, na falta de uma imprensa, quando a maior parte do conhecimento humano se transmitia oralmente, de geração em geração, era muito fácil e natural que os mitos se tornassem tradição, e que as tradições fossem eventualmente aceites como factos…
   


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Impresso em 26/5/2019 às 9:14

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