Fundação Maitreya
 
Cristo nascendo...

de Maria

em 09 Dez 2012

  A religião cristã foi sem dúvida a grande unificadora do Ocidente, que através dos séculos teve um papel religioso, cultural e pedagógico fundamental para o estabelecimento desta civilização, influenciando grande parte da humanidade. Foi a vida de Cristo que inspirou em certa medida a literatura europeia, quer vinda de místicos ou religiosos, historiadores, humanistas ou cientistas dando uma grande riqueza espiritual à humanidade. A instrução escolar originou-se nas congregações religiosas, tais os jesuítas que foram os primeiros educadores, instituindo escolas por vastas regiões do mundo marcando e divulgando a cultura e religiosidade cristã.

Ninguém pode negar que esta civilização está impregnada da cristianização e sua cultura - englobando a arte tão inspiradora de contemplação - que mesmo hoje, os não religiosos e os que se dizem ateus, vivem sob padrões culturais e espirituais inspirados na vida de um homem, Jesus, o Cristo, que viveu há 2.000 anos e pelo qual milhões de seres se deixaram cativar.
A força divina crística (plano espiritual cósmico) existe desde sempre como uma etapa a ser atingida pelo homem no seu percurso peregrino na Terra. O que Jesus veio demonstrar é que essa realização se produz e constrói aqui na Terra, pela superação humana e na aspiração ao conhecimento de Deus. Sendo um estado (crístico) alcançado pelo esforço daquele que se guinda aos planos da perfeição, pode ser realizado pelo homem no decurso da sua vida. Quando nos Evangelhos é referido que Jesus se tornou Cristo, aquando do baptismo por João Baptista foi apenas um acto de reconhecimento de ambos, pois não se tornou Cristo pelo simples facto de emergir na água do rio Jordão. Tudo estava já realizado dentro de Jesus, na sua avançada evolução espiritual, concretizada anteriormente, razão pela qual estaria designado para trazer à Terra, o impulso espiritual necessário ao avanço civilizacional da humanidade pelo poder do seu próprio estado crístico.

Essa energia poderosa que fluía de Jesus, provinha da sua própria realização em Deus que a transmitia convictamente aos seus seguidores. Ficou expressa em atitudes e palavras, capazes de influenciar a construção de toda a civilização ocidental no decorrer dos séculos. Hoje, tanto moral, como cultural e espiritualmente, uma grande parte da humanidade é o fruto dessa cristificação de Jesus. Foi essa herança que Jesus legou a todos: fazer nascer o Cristo em cada Ser. Assim, o Natal pode ser celebrado, marcando uma nova etapa da vida, tal como o baptismo no Jordão marcou o início da missão de Jesus, para que nascesse uma nova humanidade ao estado crístico. Esta força crística foi imbuindo os seres nesta purificação, que hoje, está amadurecida interiormente em cada um, para que conscientemente possa assumir essa realização ou partir para ela. Se novas forças cósmicas poderão “descer” sobre o planeta e desencadear uma nova consciência é porque certa percentagem da humanidade está receptiva psíquica e espiritualmente a recebê-la, sendo em parte, o resultado da energia crística que foi impregnando a sua própria força ao longo dos séculos.

A força crística, representa o despertar da força do amor espiritual em cada ser humano, impulsionando primeiro e de forma natural a expansão do coração através dos relacionamentos entre os seres. Agora que foi assimilado o amor mais básico em longa evolução, pode despertar consciente e inteligentemente o amor universal ou incondicional. Contribuirá assim, para tornar os seres mais apaziguados nos seus quereres afectivos e materiais – sentimentos que ainda desencadeiam muito dramatismo na vida de muitos seres pelo sentido de posse. Tudo acaba por ser construído lenta e gradualmente, através de pontes periódicas (por séculos) para que depois se encontre o equilíbrio entre o coração e a mente – nem tão racionais, nem tão emocionais - trata-se de um processo evolutivo ganho através de milhares de anos na consciência colectiva.
Ser cada um, um Cristo é possível quando se atinge a realização espiritual na energia crística, que é um estado a ser consumado pessoalmente e, que corresponde, a certo plano subtil de energias cósmicas e espirituais, e portanto no culminar desse plano, cada um se torna um Cristo. Tal como ser Buda, corresponde ao estado búdico, que é um estado que cada ser humano pode e deve realizar.

Estas energias e demais forças de planos que a humanidade tem de alcançar estão à disposição de todos quer sejam cristão, budistas, islâmicos, ou daqueles que não assumem qualquer religião. No entanto, será sempre mais fácil o entendimento para o comum dos seres haver uma doutrina, tal como aconteceu com os seguidores de Jesus e de Buda, que compilaram os ensinamentos que estes seres legaram através da palavra, deixando-os em sistemas que se designam por religiões. Não será necessário, porém, seguir-se uma doutrina para viver em si mesmo o amor e a serenidade mental no caminho da iluminação – está à disposição de todos os seres. Na verdade, entre estes dois seres, não há grandes distinções, pois ambos pregaram o amor, o aperfeiçoamento e o domínio tanto da palavra como da acção, bem como o respeito pelo próximo.
“Amareis o vosso próximo como a vós mesmos”.

Poucos são aqueles que têm pegado nos ensinamentos directos de Jesus, porém, foi a sua palavra, ecoando ainda hoje, que mais marcou a sua passagem pela Terra. A igreja, instituída por homens com diversas personalidades e caracteres, já bem longe da sua presença, estabeleceu o cristianismo mais baseado na sua linhagem, morte e ressurreição, perdendo assim, o real sentido do ensinamento de Jesus de levar os crentes a um aperfeiçoamento interior e, aí sim, encontrar o Cristo em si mesmo, para glória de cada um. Na realidade, a verdadeira ressurreição é antes da morte.

A máxima cristã dirigida ao comum dos crentes era que tivessem uma vida piedosa para combater o pecado, senão teriam como certo o inferno e, nisto, consta um apelo ao sofrimento para resgatar a falta de virtudes. O sofrimento está muito presente no cristianismo numa evocação à morte de Jesus na cruz – contudo, esse seu sacrifício foi um abraço amoroso à humanidade pela convicção de que iria contribuir para que os homens se tornassem mais conscientes da Fonte Divina - à qual Jesus chamava Pai, e que constitui um caminho em si mesmo de aperfeiçoamento e de felicidade.

Esta foi a lei, a nova força de que Jesus falava e que denuncia verdadeiramente o amor na sua plenitude, pois abrange uma forma incondicional de amar. Ele renovou forças e esperanças para a humanidade, onde se desenvolveu um poderoso estado de fé, baseado na sua presença. Essa fé representou e estabeleceu uma ligação espiritual, onde tantos homens e mulheres se transformaram em poderosos místicos, em muitas épocas, mas principalmente, na Idade Média e no Renascimento, como exemplos de sublimação. A fé levou muitos seres a unirem-se a Cristo, na sua força e no seu coração, despertando grande intensidade de amor. O amor que Jesus distribuiu e irradiou foi o grande contributo para esta civilização, no sentido de cada um se tornar um Cristo.
Votos de um Natal sereno no Amor crístico.
   


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