Fundação Maitreya
 
Amor Incondicional

de Maria

em 21 Jul 2014

  Todos aqueles que aceitam participar num Retiro de Meditação acabam por tomar uma decisão importante: olhar para o seu próprio interior. Cada um ao fazer esta escolha, está a ser responsavelmente consciente pela sua própria vida espiritual. A oportunidade de olhar para si mesmo contribuirá para que flua internamente mais amor e se estabeleça uma corrente forte de ligação superior, ao Divino. Somente desta ligação que parte do interior de cada um, pode então irradiar o Amor incondicional sem qualquer esforço ou preocupação em direccioná-lo para alguém em especial, pois fluirá entre todos. Aqui deixa de ser um amor exclusivamente humano, apenas amando o próximo, mas o eterno, perene, incondicional, que abarca tudo.

O amor humano, etapa necessária e pela qual todos passamos e sem o qual não evoluiríamos, passa depois para uma dimensão superior que é amar o, e no, divino. Não há mais sentimento de posse; infelizmente, o amor humano funciona neste registo de que o ser que alguém ama lhe pertence. Para ser livre no amar, é preciso fazê-lo sem condições dos directos adquiridos, ou seja, porque é o marido, a esposa ou os filhos.

Para tanto, convém deixar de lado conceitos e preconceitos, que criam ilusões, não só materiais, sociais como espirituais para que se processe o desapego a si mesmo. Parece uma contradição, mas olhar para dentro ajuda a encontrar e a lembrar a ligação ao Divino, e essa dimensão, contribui para fomentar o desapego. O silêncio da meditação vai permitir que essa memória transcendente esteja mais presente.

Devemos, então, deixar de lado as ilusões espirituais – querer de imediato a iluminação – o problema é que muitas pessoas não têm o conhecimento sobre como ela se alcança e geralmente, elaboram grandes projecções egóicas. Outras que não é preciso qualquer esforço no investimento do seu próprio caminho espiritual: Acontece! Dizem.
Contudo, a iluminação não acontece por um passe de mágica, mas por trabalho persistente num caminho de disciplina. Assim se ultrapassam os obstáculos à ilusão que começam em si próprio e oscilam entre:
Ego em alta – a pessoa comporta-se como se fosse o centro do mundo, um ser especial, diferente – o que dá ORGULHO.

Ego em baixa – o oposto onde é VITÍMA de tudo e de todos. Nunca está bem com nada porque é a sua mente que fabrica problemas.

Outros obstáculos: MINIMIZAR-SE – é uma ou, um coitadinho, não é capaz de se superar. O oposto disto é sentir-se especial, um SALVADOR do mundo.

Portanto, será necessário deixar de lado as ilusões, os quereres pelas experiências fáceis e centrar-se no seu interior. Então pode acontecer a grande experiência do Amor Incondicional.
E como se encontra o Amor Incondicional? No nosso coração em ligação com o Coração de Deus. Porém, para se ganhar este Amor incondicional tem de se trabalhar a mente usando a inteligência, pois o Divino é sem dúvida, Inteligência. No entanto, existe nas pessoas muita preguiça mental o que as leva a polarizarem-se apenas no coração e com essa felicidade se contentam. Não obstante, a evolução espiritual, precisa fazer-se com inteligência usando também a mente, pondo em movimento todo o sistema cerebral e corporal, desbloqueando então, a mente e o coração para que se expanda ao Amor Incondicional.

Esta é a grande experiência que pode acontecer a quem estiver preparado e que pode ocorrer a qualquer momento e em qualquer lugar. Contudo, o ambiente de um retiro espiritual, onde o propósito é despertar as energias de cada um para a ligação ao Divino, pode propiciar momentos especiais de elevação mais transcendente.

Deste modo, as experiências espirituais, provenientes da Consciência – êxtases de felicidade – influenciam a mente. É a Consciência que conduz a mente e contribui para o Ser, ser cada vez mais consciente de si. Quando há uma experiência espiritual, que envolve naturalmente uma expansão do amor no coração, ela tem repercussões no cérebro e na mente, onde ocorrem movimentos e mutações ao nível das ligações neuronais pelos impulsos eléctricos, que desencadeiam determinadas vivências ao nível do coração. Essas áreas do cérebro impulsionam as restantes e sobressai uma mente mais consciente, serena e lúcida ou inteligente. Há um novo estado de consciência que contribui para nova etapa de vida e assim, sucessivamente, vamos construindo e realizando a caminhada pessoal da nossa espiritualidade.

Portanto, a mente e o coração devem alinhar-se para a autêntica realização espiritual consciente. É educando a mente, pela prática da meditação que se consegue libertar o cérebro dos pensamentos invasivos. Na realidade, o propósito de um retiro de meditação é tornar os seres (participantes) mais conscientes de si.

Agimos, geralmente, debaixo de estados mentais inconscientes, automatizados que nem damos conta como fizemos determinadas acções ou porque dizemos certas coisas que nem sabíamos. Se transpusermos isso para um patamar espiritual, também temos acontecimentos internos ao nível do coração para os quais não temos explicação. Contudo, ao sermos cada vez mais conscientes do nosso percurso espiritual, mais conhecimento adquirimos sobre os impulsos místicos e devocionais que fazem com que vivamos plenamente esses estados transcendentes.

   


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