Fundação Maitreya
 
Transformação versus Transmutação

de Maria

em 05 Jun 2018

  Quem quer praticar meditação deve estar preparado para a transformação. Embora, muitas pessoas pensem que meditar é só dedicar algum tempo sentado na posição de lótus – por vezes apenas nas horas ociosas, portanto sem disciplina – e depois permanecer, nos velhos hábitos o resto do tempo. Mas, não é bem assim. Na realidade, a prática da meditação comporta uma mudança de atitude e, obriga a refazer todo o modo de vida de acordo com uma disciplina apropriada aos seus horários de trabalho e de ambiente familiar. Contudo, não se pode interpretar a disciplina como uma cadeia, mas como uma forma libertadora de gerir as suas próprias forças físicas e mentais. É a oportunidade de praticar a concentração, aperfeiçoando o domínio da vontade.

Quem pratica meditação com sincera devoção e regularidade pode, então, acompanhar a sua própria transformação, tanto física quanto mental. O fundamental é tornar-se consciente desse processo de transformação. A prática passa então, primeiro pela observação do corpo e na atenção aos mecanismos da mente, pois é através desta que se impulsiona a realização daquilo que somos enquanto Ser humano, devendo seguir em simultâneo com a aspiração espiritual. E, quais os elementos mais fortes que contribuem para a transformação? Os impulsos de aspiração espiritual ou devocional. Eles desencadeiam de imediato movimentos no cérebro produzindo um acréscimo de substâncias (dopamina, serotonina etc.,) ajudando a limpar certas áreas que impediam (bloqueados pelos problemas, emoções e frustrações) o bom funcionamento tanto da mente como do coração.

De facto, a espiritualidade ou mesmo a religiosidade não está separada da matéria, por isso, sem conhecer-se o funcionamento do cérebro não será possível compreender profundamente o que é a transformação devido à evolução espiritual, nem penetrar melhor os meandros da mente. Uma mente equilibrada na direcção certa depende do bom funcionamento do cérebro. Este equilíbrio passa, também pela alimentação adequada, movimentos ou acções precisas e objectivas e, pensamento elevado. Estes são os requisitos para o bom funcionamento da mente-cérebro.
Ao longo de uma vida de cada ser, acontecem sempre transformações, quer seja ao nível do carácter e de sentimentos, quer seja física e mentalmente, mas quando se empreende um caminho espiritual com conhecimento e consciência contribui-se, então, para a transmutação interna com claro entendimento do que vai acontecendo e, donde emerge, necessariamente, uma nova expansão de Consciência.

A transformação engloba todo o processo duma viragem de caminho que abrange mudanças de hábitos, de carácter, de entendimento; é o processo mais leve e “externo” do resultado da prática da meditação quando feito com perseverança: é o lado mais alquímico do caminho.
Portanto, transformação significa mudança interna consciente que provém dum esforço na concretização espiritual, que dá então a oportunidade de um renascer alquímico.
A transmutação é uma viragem interna mística e espiritual mais profunda que surge com a auto-realização espiritual. É a mudança reveladora da metamorfose.

A própria vida engloba uma transformação constante, quer no cosmos onde estrelas, planetas ou nuvens de gás se encontram sempre em movimento transformando o espaço num palco diversificado e imprevisível de acontecimentos, quer no homem, numa constante mudança externa e interna. Embora seja normal haver no ser humano certa resistência à mudança, ninguém pode impedir a marcha dos processos, seja no cosmos, seja no homem. A transformação é uma potencial fonte de criatividade quando se aceita a vida e com ela colabora, mesmo nas coisas mais insignificantes, mas que pode criar sempre novas afirmações num novo rumo, revelando-se o destino a cada passo.

A corrente da vida cósmica gera formas que constroem a evolução no tempo, sendo por si mesma, incomensurável e ininterrupta onde o homem participa dos fenómenos universais pela correlação da acção magnética. Portanto, o ser humano é arrastado pelo tempo como a corrente do rio, forçando-o a atitudes flexíveis para acompanhar a mudança a que está sujeito. A transformação resulta da força da vida onde pode haver resistência e portanto sofrimento pela impermanência – a transmutação é agarrar nessa oportunidade de forma confiante, mas principalmente consciente para aproveitar e empreender concreta e internamente a sua auto-realização espiritual: sendo esta, então, uma forma interna mais potente da transmutação.

Actualmente, a meditação virou moda, não como um paradigma de mudança, mas como satisfação de vaidades intelectuais, ou seja, é empregue esta palavra de forma aleatória para justificar qualquer modalidade para relaxar. A verdade é que meditar requer uma predisposição interna que corresponda à sua aspiração espiritual, havendo assim uma evolução que permita empreender a prática sem obstáculos ou mesmo sofrimento, pois muitos desistem por não serem capazes de concentrar as mentes, sendo este um princípio básico para a meditação. A meditação é uma prática espiritual cuja origem vem dos sistemas religiosos-filosóficos da Índia, com uma tradição milenar e com diversos níveis de entendimento adequados à necessidade evolutiva de cada um.

Assim, quem se sente pronto para empreender a sua caminhada espiritual toma decisões sérias e opções de vida que facilitem a prática da meditação para um dia (ou vidas) chegar à libertação ou iluminação. Contudo, hoje em dia e no Ocidente, tudo se quer rápido e, portanto a meditação não é a melhor opção para os apressados, pois ela exige uma prática constante e perseverança para dar resultados seguros e verdadeiros. Muitos pseu-mestres actualmente até não aconselham a meditar, pois dizem estar esta prática aboleta. Sim é mais fácil dizer que já todos os seres estão muito evoluídos e, portanto, não se justifica a meditação. Mas são exactamente os mais evoluídos os que vêm preparados para a prática da meditação.
   


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