Fundação Maitreya
 
Atisha

de Maria

em 08 Mai 2016

  Atisha foi filho de um rei e foi criado com a comodidade e a opulência como qualquer pessoa que desfruta desta condição. Nasceu no ano 982 da era comum na Índia oriental. Consta da sua história, que desde muito cedo, ainda com três anos já se interessava por matemática, poesia, literatura e filosofia. Aos oito anos teve uma visão de uma divindade feminina, Tara, que lhe deu conselhos sobre a superficialidade da vida mundana e o inspirou para que abandonasse a sua casa em busca de um guru. Atisha recebeu instruções de muitos mestres espirituais de renome e quando voltou ao seu lugar de origem, sentiu uma grande aversão pela sua forma de vida anterior. Seguindo o conselho de um dos seus mestres, o jovem vestiu-se de mendicante e simulou ser uma pessoa louca para que seus pais abandonassem a ideia de que seu filho herdaria o trono. A farsa foi um êxito e partiu para sempre para seguir com as suas práticas espirituais.

Por entre montanhas brancas e seus longos desfiladeiros passou Atisha, sábio indiano para levar a sabedoria do Buddha ao Tibete.

Atisha fez a profissão solene (ordenação completa), de monge quando tinha vinte e nove anos em Bodhgāyā, o lugar de iluminação do Buddha. Seu nome de ordenação foi Dipamkara Shrijiñana, que significa “Lâmpada da sabedoria primordial”. Estudou todos os aspectos do Hīnayāna, Mahāyāna e Tantrayāna das mãos de muitos mestres, incluindo o grande mestre tântrico Rahulagupta. Não obstante, depois de receber todos estes ensinamentos profundos, sentiu que lhe faltava ainda a chave da iluminação. Rahulagupta aconselhou que se centrasse a cultivar amor e compaixão e a dedicar-se a espalhar Bodhichita, a mente que busca a iluminação por motivo dos demais. Atisha viajou para a Indonésia com um grupo de estudantes para encontrar um mestre de Bodhichita de renome, o Guru Selingpa. Ficou com o Guru Selingpa durante doze anos e foi ele que profetizou que Atisha viajaria “à terra das neves” para ensinar o Dharma, e converteu-se em um dos mestres espirituais mais venerados do seu tempo. Atisha voltou à Índia do norte com a idade de quarenta e cinco anos.

Yeshe O, era o rei de uma província do Tibete ocidental onde o interesse pelo Budismo se mantinha forte e sonhou em trazer Atisha ao seu país, mas os seus intentos não tiveram êxito. Entretanto o rei buscava o ouro que lhe permitiria trazer o iminente mestre indiano, quando o Khan de Garlog o aprisionou. Os seus opressores exigiram que o rei abandonasse o seu plano de trazer Atisha ao Tibete, ou então teria de reunir seu próprio peso em ouro. Yeshe O, disse a seu sobrinho, Janchub O, que em lugar de usar o ouro para resgate, deveria enviar o ouro à Índia e oferecê-lo a Atisha. O rei sabia que o matariam, mas sentiu que se sacrificasse a vida, quem sabe o mestre não aceitaria o pedido.

Janchub O, enviou um intérprete à Índia para que suplicasse a Atisha que ensinasse no Tibete. Os discípulos indianos não queriam perder o seu Guru venerável, contudo, quando Atisha o escutou comoveu-se profundamente, em especial pelo sacrifício de Yeshe O, o qual descreveu como um Bodhisattva pela sua devoção ao Dharma. Assim, é com a idade de cinquenta e três anos que Atisha empreendeu a viagem de dois anos à capital do Tibete ocidental, chegando em 1042. Em lugar de pedir a transmissão de poderes superiores, Janchub O, que era agora o rei, pediu a Atisha que desse uma instrução básica de um modo, que o povo pudesse integrar a prática budista em sua vidas diárias.

Atisha passou dezassete anos ensinando a doutrina budista no Tibete. Faleceu com a idade de setenta e dois anos. O seu livro mais famoso é: “Uma Luz no Caminho”.
Quanto à deusa inspiradora de Atisha, a sublime Tara, a principal figura feminina na tradição budista, é chamada a Mãe dos Buddhas, e representa a realidade última que é a fonte das actividades compassivas da mente iluminada. Diz-se que a sua compaixão pelos seres é mais forte que o amor de uma mãe pelos seus filhos. Em tibetano também se conhece como “Dolam” que significa “Libertadora”, ou “a que salva”, e se crê que tenha o poder de libertar todos os seres da verdadeira causa do sofrimento, das acções cármicas e das emoções negativas. Tara é famosa pela rapidez em responder aos pedidos dos fiéis, e sabe-se de aparições milagrosas de Tara ao longo da cultura budista.

Diz-se que Tara foi em outro Tempo, uma devota praticante budista, a princesa chamada Sherab Drolma. Depois de muitas vidas no caminho espiritual converteu-se numa Bodhisattva, ou “heroína iluminada”, aquela que faz o voto de voltar a nascer até que não haja mais sofrimento no mundo. Alguns monges sugeriram-lhe que nascesse como homem que seria, assim, de maior benefício para todos. Entendendo que masculino-feminino são meras etiquetas ela respondeu: Não existe tal coisa como homem e mulher, “eu” e “meu”, e vendo que havia poucas praticantes femininas fez o voto de trabalhar para aliviar o sofrimento renascendo num corpo de mulher.

Existem vinte e duas emanações de Tara, contudo as formas principais são Branca e Verde. Tara está estreitamente associada com Avalokiteśvara, o Buddha da Compaixão. Diz-se que, noutro tempo, quando Avalokiteśvara estava observando o sofrimento dos seres no mundo, se sentiu impotente ao pensar na tarefa de salvar tantos seres e começou a chorar. Das suas lágrimas nasceram Tara Branca e Tara Verde para dar-lhe ânimo e ajudar os seres em viagens através dos oceanos da existência. Ambas as Taras defendem dos perigos externos tais como fogo e terramotos, e de perigos internos tais como as emoções negativas do orgulho e da ira, e, sendo que Tara é dinâmica e trabalha activamente para superar os obstáculos, associa-se a Tara Branca com a protecção e a purificação.

Ainda dentro da tradição religiosa tibetana, encontramos Tsong Khapa, um dos maiores filósofos e reformadores budistas de todos os tempos. Nasceu em 1357, na província de Amdo no Tibete oriental. Tsong Khapa lançou-se a reformar a prática budista no Tibete que havia perdido parte da sua pureza original. Notou um desleixo na prática e falta de disciplina moral, na qual acreditava ser essencial para o progresso espiritual. Revitalizou a tradição do Kālachakra, que ia desaparecendo e instituiu o festival de Monlam, uma festa de três semanas que se centra em actividades espirituais e que continua sendo o festival mais importante do Tibete. Em 1409 fundou o Mosteiro de Garden, onde instituiu um programa rigoroso dos três fundamentos superiores de ética, concentração, sabedoria, junto com o debate filosófico. Foi a partir destas bases monásticas que se formou a escola Gelug. Gelug significa “Forma de virtude”. É a mais moderna das quatro escolas budistas tibetanas e à qual pertence o actual Dalai-Lama.

   


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Impresso em 22/10/2017 às 23:47

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