Fundação Maitreya
 
Os Anjos

de Maria

em 03 Dez 2017

  A arte é uma das formas que o ser humano concebe para expressar o sagrado, o belo, o divino. A criatividade é a capacidade que o artista possui de revestir, de concretizar as suas ideias, sendo por vezes inspirado pelos arquétipos do mundo espiritual; que podendo parecer fantasioso, não deixa de ser uma fonte real, paralela ao mundo material. Na realidade, a arte aliada às asas da imaginação, tal como as asas dos anjos nos mostram, pode transportar-nos ao mundo subtil e ao divino.
As três pinturas que apresento foram criadas exactamente sob o seu cariz mais esotérico e, portanto, com profundo significado espiritual, e necessitam de alguma explicação iconográfica.


O primeiro, o “Anjo de Portugal” e para mim não é relevante qual o nome, se Miguel, ou Rafael, ou outros e se é Anjo ou Arcanjo, mas o seu valor espiritual. Trata-se de uma iniciação colectiva que o Anjo está a transmitir a Portugal. No pequeno espaço de uma tela retracta-se a paisagem de Lisboa, onde logo se reconhece o Castelo de S. Jorge, as casas de telhado cor-de-rosa e o azul do céu tão peculiar. O ceptro que se encontra na sua mão esquerda transmite a força dessa iniciação poderosa e evidente pelo fluxo energético que brota da sua mão direita.

O segundo Anjo, quanto a mim, mais “naif”, representa contudo, um ambiente cândido tanto pela natureza como pela postura do Anjo, com um semblante mais feminino. Como “Anjo da Natureza” está rodeado de uma panóplia de cores e de formas que animam a pintura numa atmosfera festiva, à qual o seu sorriso dá vida. Foi pintado no Verão e é uma homenagem a toda a vegetação do nosso País, que se perdeu com tantos fogos. Convém preservar, pois como indica o livro nas mãos do Anjo, há leis contidas na própria natureza, a qual é mantida pelos devas: duendes, fadas e tantos outros seres etéricos, que todos devemos respeitar como universais. O bem que a natureza nos faz repercute-se em todos os ambientes e níveis. Estão reunidos nesta pintura alguns dos elementos essenciais à vida: as árvores, as flores, a água e o ar (infinito do céu), e através deste o vento espalha sementes contribuindo para que tenhamos uma vida suportável e frutífera na Terra. Os lótus, erguendo-se das águas, são um belo exemplo para a vida do ser humano que, no seu processo de purificação, também emerge da turbulência das emoções e desejos e, finalmente, liberto destes estados, reflecte como um espelho sereno de um lago a realidade que o rodeia.

O terceiro Anjo o “Anjo da Paz”, também representado no seu aspecto feminino, traz a candura do movimento que rasga o deserto da paisagem. O seu semblante é sério e doce ao mesmo tempo, exprimindo equanimidade, naturalmente pelo estado de paz da qual é transmissor. De pergaminho na mão vem lembrar que este objectivo da paz é milenar, faz parte da evolução da humanidade, quer seja no seu aspecto interno, quer seja externo e pelo qual se deve esforçar cada ser humano na sua conquista. A paz adquire-se pela sublimação. Se ao contemplarmos a arte ela nos transmitir algum bom sentimento, como paz (Anjo da Paz), alegria (Anjo da Natureza) e seriedade (Anjo de Portugal), então foi atingido o objectivo principal que é “tocar o coração” do observador com a luz irradiante do divino. Certos temas na arte podem ser muito catalisadores de experiências espirituais.

Esperemos que estes quadros o consigam.

Bom Natal
   


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Impresso em 11/12/2017 às 5:55

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