Fundação Maitreya
 
O mundo em mudança

de Maria

em 26 Dez 2019

  Contrariando o pensamento dos cépticos, direi que nada está ao acaso, que a vida na esfera terrestre tem um propósito e, que nem tudo o que acontece ao nível do ambiente ou climático é resultante da negligente vivência humana. Deste modo, fica assim ultrapassada a sua culpa, em muitos casos, visto haver ciclos naturais de alinhamento do próprio planeta, causadas pelas mudanças na órbita solar da Terra. Segundo, Mestre Djalkul, instrutor de Alice Bailey, numa obra escrita em 1925, diz que, durante os próximos mil anos produzir-se-ão cataclismos de extensão mundial, serão sacudidos os continentes (terramotos); aparecerão e aparecerão terras o qual culminará num grande desastre material e humano e, isto acompanhará a diluição, da actual raça raiz, a quinta*, para que floresçam as seguintes: sexta e sétima.


Portanto, não restam dúvidas de que se vive um novo paradigma, já tão intuído por muitos visionários, mas que ninguém acreditava. Agora a evidência dos factos não deixa fugir de tal realidade e, os que não admitem que o globo obedece a ciclos de evolução, pois este é apenas mais um, ao longo de milhões de anos, preferem atribuir culpas à crescente pegada do homem, de tudo o que acontece. Assim, vão surgindo os salvadores do mundo, tal como acontece actualmente, com o alarido do aquecimento global. Difícil é então aceitar e viver esta realidade de mudança, pois engloba muitos aspectos, desde o tão imprevisível clima, a novas estruturas psíquicas humanas e, a extinções de animais, como de raças humanas.

Contudo, a vida do ser humano é curta e não permite acompanhar as transformações terrestres que vão ocorrendo lentamente sem darmos por elas - em milhares de anos - como por exemplo, as montanhas que nos parecem estáticas, sem alterações, mares e rios, mas não é bem assim. Toda a evolução que se processa no planeta é necessária e, vai fazendo naturalmente, extinções de espécies ou emergem novas. De certa forma, estamos iludidos nas perspectivas, porque não temos tempo de vida suficientemente longa para dar conta dessas mudanças e percebermos também, que esta natureza está viva, ou é vida, com movimentos próprios. A nave em que navegamos no espaço foi concebida para um bom viver dos seres humanos, mas também para outras criaturas ou reinos que a habitam.

O aquecimento ou arrefecimento global fazem assim, parte da evolução da Terra e, portanto, nem tudo é provocado pelo viver negligente da humanidade. Muitas vezes as grandes catástrofes são consequência da falta de preparação técnica, científica e social; ou seja, cidades em zonas costeiras, construções de habitação de estruturas precárias, que facilmente cedem a abalos, quer de sismos, quer de inundações e, falta de prevenção. Por outro lado, não quer dizer que se descuide a forma mais ecológica de viver; preservar, respeitar e ajudar toda a natureza do planeta.
Se o séc. XX, teve décadas de impulso evolutivo, onde apesar das guerras (1ª e 2ª mundiais) resultou depois uma certa estabilidade de viver tendo a liberdade como meta é difícil acreditar que, de cada conflito mundial possa nascer maior fraternidade entre os povos e, contribuir para uma grande expansão de consciência colectiva humana e espiritual. Segundo ainda, Mestre Djalkul, houve mesmo um grande impulso de evolução espiritual, que culminou numa iniciação colectiva, devido a estes conflitos, pelo esforço de superação e de sobrevivência, a que uma parte da humanidade esteve sujeita. Infelizmente, para que o ser humano saia da sua letargia e marasmo precisa de fortes embates.

Razão porque a meados do referido século, no Ocidente, especialmente na Europa, houve um grande avanço científico, filosófico ou cultural e espiritual, onde se estabeleceram acordos, assentes na confiança entre nações, fracturadas pelos conflitos de armas, que impeliu à paz e à conciliação entre povos. Porém, a mudança ou novo paradigma já vinha ocorrendo, que arrastou consigo novos conceitos e valores, mas também muita imprevisibilidade ao nível de catástrofes naturais, bem como no comportamento de pessoas, que se fez notar logo na entrada do séc. XXI. Agora, após quase duas décadas, confrontamo-nos com essa realidade; não só pelos desastres ambientais ao nível mundial, como pela extravagância de ideias e atitudes reveladoras dos comportamentos humanos, onde cada um pode expressar-se nos seus modos de viver, sem temer a crítica social, que antes não fora possível devido à falta de liberdade; hoje, cada um pode ser o que quiser. Mas, convenhamos que desta amálgama de ideias e atitudes sobressai de facto, um grande caos mundial, onde uma parte da humanidade não se revê, tentando manter-se em equilíbrio. Porém, a mudança é de tal forma avassaladora, que abrange e arrasta todos na corrente; seres de todas as idades, padrões de viver e, portanto, difícil de manter a equanimidade devido ao caos generalizado.
Segundo a filosofia do Veda, há várias épocas que marcam as civilizações ao longo de milhares de anos desta manifestação de vida e, esta será a era do Kali Yuga*, que prima pelo caos e instabilidade.

Não sou saudosista ou conservadora de costumes agarrada ao passado, ainda mais, que assumi um propósito de caminho espiritual, a par da minha humanidade, na qual vou sempre integrando mudanças internas, como aceitando e acompanhando as externas e, portanto, nunca estou no mesmo “lugar”. Mas ao longo dos séculos a humanidade foi adquirindo valores, no qual me incluo, que de geração em geração enriqueceram toda a civilização mundial e, especificamente, os últimos dois mil anos na Europa, que nos deu um avanço na estruturação social, cultural e religiosa que, vemos actualmente, serem abaladas pela deturpação, onde cada um usa a liberdade outrora conquistada, de forma aleatória e egoísta. Também a avalanche de outras culturas devido às migrações vão diluindo a cultura ocidental, amalgamando-a.

No entanto, há que saber integrar-se nos novos valores que também os há, mas discernir com muita clareza o que se quer aceitar ou renegar. Sem dúvida que houve a vantagem da comunicação entre povos, nações e pessoas pelo avanço da tecnologia que beneficiou a humanidade e, obviamente, que as mentes estando ligadas para o impulso colectivo, cultural e espiritual, permite a todos beneficiar das ideias e das acções daqueles que trazem novas visões do mundo, ao mundo. Porém, é preciso saber filtrar o que vem agregado numa tentativa de perturbar e, de desviar as atenções sobre o modo de agir mais correcto para todos.

Na transmutação do planeta são necessárias certas extinções, quer vegetais, animais ou humanas em que se há espécies que se englobam nas existentes, outras são na realidade para acabar, visto já não serem uteis à evolução actual. Assim, é contraproducente clonar espécies. Quanto à questão actual de preocupação com o ambiente é na maioria dos defensores uma grande hipocrisia, que aproveitam a ocasião para se destacarem, mas também, uma forma de fugirem daquilo que de facto é importante em cada ser humano e que muitos esquecem, que é o trabalho interior de elevação de consciência; essa sim, leva os seres à acção correcta e modos de viver harmoniosos, onde se convive melhor e atentamente à natureza do planeta.

Assim, esta suposta preocupação vem desviar do verdadeiro propósito de vida dos seres humanos, que é conhecer inteligentemente a Unidade ou Deus através do seu labor interno. A hipocrisia está bem escondida no interior de muitos e, assim emergem da sombra os alarmistas assumindo causas inúteis, onde empregam a energia e o tempo que devem usar numa caminhada espiritual mais consciente. Temos que, a característica distinta do ser humano é a autoconsciência e, ela vai sendo adquirida, gradualmente, obtendo-se cada vez mais consciência pela vontade e, não na linha da menor resistência, que produz o mal ou o negativo visto contrariar a linha vertical de aperfeiçoamento. Ao deixar-se levar pelas circunstâncias pode, facilmente, enveredar pela linha de menor resistência ou falta de reacção e domínio mental, descurando o esforço consciente para obter o equilíbrio ou o positivo.

A distância (diferença) ou conciliação entre os seres depende dos níveis de entendimento intelectual e só depois então vem a compreensão, já que esta abrange um patamar de evolução mais avançado mental e espiritual. As castas na Índia e as diferenças de classes no Ocidente, por exemplo, deve-se a um acontecimento cíclico de vida de reencarnação na Atlântida com a 4ª raça raiz, onde certos Seres (Espíritos) se recusaram a submeter-se aos corpos existentes na terra, por serem inadequados (atrasados) em relação às suas condições avançadas de espiritualidade e inteligência. Quando estes Seres finalmente aceitaram reencarnar foi nos corpos mais evoluídos existentes na Atlântida e, daí nasceu a discriminação entre os mais adiantados, perante os que progrediam numa evolução terrestre.

Assim, há de facto, circunstâncias que nos ultrapassam pelo desconhecimento que temos da nossa evolução anterior, como também da pouca evolução cognitiva, mas outras são nitidamente, fruto de preguiça mental e física em melhorar pelo esforço as capacidades de inteligência e derrubar as barreiras ao torpor mental, preferindo adoptar a acomodação. Eis a razão, porque muitas vezes são necessários fortes embates físicos e emocionais para que uma pessoa reaja e desperte e, assim buscar as suas capacidades de inteligência e superar-se, opondo-se ao torpor ou marasmo mental.
Quanto à controversa questão de comer ou não carne, deve passar por uma opção muito consciente de cada um, o qual, precisa necessariamente, de estar na posse de esclarecimento e informação que permita tal decisão, considerando várias razões e, não apenas aquela, de ter pena do sofrimento dos animais, muitas vezes debaixo de uma grande hipocrisia. Ser vegetariano comporta razões de ordem mais interna que deve vir de convicções bem fundamentadas, senão passará o tempo a desejar a carne e não transmuta o interior no que verdadeiramente interessa, que é a purificação energética psicofísica e, que abrange então a espiritual. Só com um apelo interior consciente se deve optar por uma dieta vegetariana para que a decisão tenha valor, força e consistência.

O grande problema é a falta de informação sincera ao nível do sistema nutricional, pois ser vegetariano requer um grande cuidado em fornecer os necessários nutrientes, mais do que quando se ingerem produtos animais. As proteínas de origem vegetal não comportam todos os aminoácidos essenciais, os quais não podem ser sintetizados pelo organismo e, eles são, portanto, indispensáveis para um bom desempenho orgânico.
Contudo, os nutrientes básicos também para vegetarianos estão nas leguminosas, nos frutos secos e frescos, algas, tofu, seitam e cereais. Deste modo, há um conjunto de razões que quando devidamente ponderadas, podem contribuir para que o vegetarianismo seja a opção certa, levando em conta que o valor desta dieta, contribui para prever e amenizar ou mesmo curar uma boa parte das doenças, tais, hipertensão, colesterol ou diabetes, etc.

No entanto, a campanha comercial feita à base dos suplementos alimentares, contribui para uma deficiência nutricional, ao contrariar a ingestão de uma refeição completa de alimentos frescos. O lucro comercial de alguns, opõe-se ao bem-estar de muitos. Os suplementos contrariam a alimentação saudável.

Dentro do que consideramos vegetarianismo há variantes, mas na essência a concordância é, não comer carne e peixe. O vegetarianismo, hoje está no auge e há cada vez mais seguidores, porém são poucos os que acompanham a filosofia subjacente, pois comporta também uma atitude de vida. Na Índia pratica-se o vegetarianismo há milhares de anos (dentro do Hinduísmo, com milhões de vegetarianos). Há uma cidade no Norte, Rishikseh que prima por esta dieta.

O mais preocupante são as crianças a quem os pais impõem uma dieta vegetariana, quando nem eles próprios se sabem alimentar convenientemente nesta versão. A dieta vegetariana eficaz e saudável deve conter todos os alimentos fundamentais; apenas não se consomem animais: carne e peixe. O idealismo de comer só vegetais ou sopas e saladas, sementes e suplementos, leva necessariamente à baixa de imunidade, sobressaindo depois graves carências, que no caso da criança, afecta o seu crescimento físico e mental ou cognitivo. Ao nível físico ficam com certo raquitismo, pois o corpo não se desenvolve na sua plenitude e ao nível mental, as ligações cognitivas ou neuronais ficam deficientes e, retarda, portanto, os níveis de inteligência e crescimento.

Não quer dizer que as crianças não possam usufruir de uma dieta vegetariana, mas é preciso que os próprios pais tenham conhecimentos do que se deve incluir neste tipo de opção, e as graves consequências que advêm se não se fornecerem os nutrientes necessários ao bom desenvolvimento físico e mental.

Os casos mais graves são os fundamentalistas: retiram o leite, os ovos, o queijo os quais contêm as proteínas indispensáveis para capacitar o crescimento a todos os níveis. A carne animal e os peixes são tóxicos e não passam de cadáveres quando são ingeridos, mas os seus produtos, como o leite e os ovos, não; estes não causam culpas e aliviam a pressão mental de quem não quer causar sofrimento aos animais. Fomentar nos jovens uma vida mais ecológica, sim, concordo, já o faço há quarenta anos, mas com a devida sensatez, ainda mais com crianças que têm de ser bem conduzidas na sua alimentação, passo importante para um viver saudável.

Em qualquer caso, crianças ou adultos, implica saber fazer escolhas para que se processe um bom funcionamento de todo o sistema psicossomático. Infelizmente se permanecerem os hábitos antigos de beber álcool com as refeições ou fora delas, como também a ingestão exagerada de açucares, tão prejudiciais, têm um efeito mais pernicioso em quem tem uma dieta vegetariana; actuam facilmente. O álcool danifica o cérebro e os açúcares provocam maleitas irreparáveis no pâncreas, no fígado e noutros órgãos.

Não faz sentido, ser vegetariano para purificar o organismo para ser mais saudável e ecológico, se permanecer em velhos hábitos perniciosos e que destroem a memória ou a inteligência em geral. Nos aspectos psíquicos pode ter graves consequências e, portanto, como eu dizia em linhas anteriores, ser vegetariano “obriga” de forma natural, a uma atitude de vida.

Novos passos para novas atitudes são sempre bem-vindos. E, com o futuro à porta, pronto para interferir no presente em movimentos rápidos de mudança numa avalanche de acontecimentos, aproveitemos então, a entrada numa nova década para transformar o nosso dia-a-dia beneficamente. O que se requer é uma Consciência cada vez mais atenta para que cada momento se transmute numa bênção e, ao mesmo tempo, saber encarar os desafios numa atitude de coragem e de compreensão. Acolheremos assim, os benefícios da vida divina, da qual todos fazemos parte. Saudemos o Novo Ano 2020, com votos de felicidade.

Notas
* Diz respeito a um conjunto de raças humanas de vários continentes.
*- Encontra mais informação sobre as “Eras” ou “Yugas”, na obra, “A Escrita Perfeita”, de Maria Ferreira da Silva- Publicações Maitreya.
   


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Impresso em 22/1/2020 às 17:53

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