Fundação Maitreya
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  Apelo a Camões  10 Jun 2008

Onde estão os intelectuais deste País?
Onde estão as mentes brilhantes, aqueles que deveriam ter clareza mental suficiente para argumentar solidamente contra o “Acordo ortográfico”, quem sabe anulando-o definitivamente? Ou será que um Presidente da República deve promulgar leis absurdas, apenas porque forças políticas e económicas decidiram? Onde está a coerência deste Acordo, que em vez de melhorar a língua portuguesa a avilta?

Naturalmente que as línguas evoluem no sentido (de acordo com a lei do menor esforço) da simplicidade, por vezes adulterando termos ou assimilando estrangeirismos, mas, neste caso, a língua que teria de ser revista, melhorada (fixada) seria a brasileira e não a portuguesa, ou seja, a língua portuguesa que no Brasil evoluiu para a língua brasileira. É isto que deve entender-se: há uma nova língua no mundo que é a brasileira, derivada do português. A nossa foi há muito fixada por Camões e pelos clássicos. De forma nenhuma somos nós, portugueses a ter de adoptar a língua brasileira ou os seus termos, que fazem parte de uma língua modificada pelo convívio ou encontro de alguns povos, nomeadamente os africanos, levados para o Brasil no princípio da colonização portuguesa, como na dificuldade que tiveram com uma nova linguagem, e os índios também com natural dificuldade em serem introduzidos noutra cultura. Foi disto tudo que nasceu a língua brasileira. Por cá, mantivemos a nossa com pequenas mudanças que não a deles.O grande problema das sociedades humanas é que quando se tem de nivelar alguma coisa, se faz sempre por baixo - inferioriza-se em vez de elevar-se. Nunca os ingleses consentiriam que os americanos ou australianos lhes ensinassem a língua!!!

Se o problema político reside na necessidade de pôr a língua portuguesa como uma das línguas mais abrangentes no mundo (ou por outras razões que desconheço), não precisávamos deste Acordo, visto ela ser falada e propagada largamente pelos povos de África, que nesse sentido conservam mais a pureza da língua portuguesa do que os brasileiros, merecendo-me estes, note-se, o mesmo respeito.

Por tudo e por nada se fala em referendos, então porque não o fizeram para auscultar os portugueses quanto a este problema? Mas evitando despesas colossais que comporta este tipo de resolução (contudo, mais se gastará em dicionários e restantes consequências) porque não se fizeram debates para clarificar situações? Ouviu-se Vasco de Graça Moura, infelizmente, já depois do Acordo assinado e só depois (porquê) dizer que ele é um absurdo, portanto, sem sentido e, realçando ainda os prejuízos para todos nós portugueses. Estamos ainda a tempo de rectificá-lo novamente ou anulá-lo simplesmente, se as vozes dos portugueses não se calarem. Nada é impossível, pois agora estamos até perante aquilo que inteligente e logicamente nunca pensaríamos pudesse ocorrer na nossa língua.

Já se fala e escreve tão mal em Portugal, que a negligência no falar até causa arrepios, mesmo naqueles que deveriam dar exemplo, como políticos, figuras públicas, escritores e professores. Mas a partir de agora como a salgalhada vai ser tanta, cada um falando como lhe apraz e será sem dúvida, pela “lei do menor esforço”, para onde irá a nossa literatura? Acabará numa babilónia….

Na realidade, só aceita este acordo quem desconhece o valor intrínseco da Palavra. A palavra pronunciada correctamente, tem o poder de conduzir a mente à compreensão directa e imediata do que se pretende transmitir. Sem dúvida, que o poder de expressão da língua portuguesa decairá no seu valor.

Oh Camões, que das esferas penetrantes da arte do bem falar já nem nos reconhecerás!

Maria

LINGUA PORTUGUESA CONTRA O ACORDO ORTOGRÁFICO

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