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  Os sonhos  23 Nov 2012

Cientistas podem descobrir o que um paciente está a sonhar enquanto dorme.

Uma equipe de pesquisadores liderada por Yukiyasu Kamitani dos Laboratórios Computacionais de Neurociência em Kioto, no Japão, usou neuroimagens funcionais para examinar os cérebros de três pessoas enquanto elas dormiam, simultaneamente registrando suas ondas cerebrais com eletroencefalografia (EEG).

Os pesquisadores acordavam os pacientes sempre que detectavam o padrão de ondas cerebrais associado ao início do sono, perguntavam-lhes o que tinham acabado de sonhar e depois pediam que voltassem a dormir.

Isso foi feito em sessões de três horas e repetido entre sete e 10 vezes, em dias diferentes, para cada participante. Durante cada sessão, participantes eram acordados 10 vezes por hora. Cada voluntário relatou ter sonhos visuais seis ou sete vezes a cada hora, fornecendo aos pesquisadores um total de mais ou menos 200 relatos de sonhos.

Conteúdo dos sonhos

A maioria dos sonhos reflectia experiências quotidianas, mas alguns tinham conteúdo incomum, como conversar com um actor famoso. Os pesquisadores extraíram palavras chaves dos relatos verbais dos participantes e escolheram 20 categorias – como ‘carro’, ‘masculino’, ‘feminino’ e ‘computador’ – que apareceram mais frequentemente nos relatos oníricos.

Em seguida, Kamitani e seus colegas selecionaram fotos relacionadas a cada categoria, examinaram os cérebros dos participantes novamente enquanto eles viam as imagens e compararam os padrões de actividade cerebral com aqueles gravados logo antes de os participantes serem acordados.

Os pesquisadores analisaram a actividade nas áreas cerebrais V1, V2 e V3, que estão envolvidas nos estágios iniciais do processamento visual e codificam elementos básicos de cenas visuais, como contraste e orientação. Eles também observaram várias outras regiões que estão envolvidas em outras funções visuais, como o reconhecimento de objetos.

Em 2008, Kamitani e seus colegas relataram que podiam descodificar a actividade cerebral associada aos estágios iniciais do processamento visual para reconstruir imagens mostradas a participantes. Agora eles descobriram que a actividade em regiões cerebrais podem prever com precisão o conteúdo dos sonhos dos participantes.

“Construímos um modelo para prever se cada categoria de conteúdo estaria presente nos sonhos”, explica Kamitani. “Analisando a actividade cerebral durante os nove segundos antes de acordarmos os participantes pudemos prever, por exemplo, se haveria ou não um homem no sonho, com uma precisão de75 a 80%”.

As descobertas, apresentadas na reunião anual da Sociedade para Neurociênciaem New Orleans, na Louisiana, sugerem que os sonhos e a percepção visual compartilham representações neurais semelhantes nas áreas visuais do cérebro.

“Esse é um trabalho interessante e empolgante”, elogia o neurocientista Jack Gallant da University of California, Berkeley. “Ele sugere que sonhar envolve as mesmas áreas cerebrais de alta ordem que estão envolvidas em imagens visuais”.

“E isso também parece sugerir que nossa memória onírica é baseada na memória de curto prazo, porque a descodificação dos sonhos foi mais precisa nas dezenas de segundos antes do despertar”, adiciona ele.

Agora Kamitani e seus colegas estão tentando recolher o mesmo tipo de dados da fase de movimento rápido dos olhos (REM, na sigla em inglês), que também é associada com o sonhar. “Isso é mais desafiador porque temos que esperar pelo menos uma hora para que os voluntários adormecidos atingirem essa fase”, observa Kamitani.

Mas o esforço extra valerá a pena. “Saber mais sobre o conteúdo dos sonhos e sobre como ele se relaciona com a actividade cerebral pode nos ajudar a entender a função do sonhar”.

Este artigo foi reproduzido com permissão da revista Nature. O artigo foi publicado pela primeira vez em 19 de outubro de 2012.



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Impresso em 30/4/2017 às 15:44

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