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  Será que outro meteorito nos pode surpreender?  24 Fev 2013

Por John Matson

Quando um asteróide de17 metros atravessou a atmosfera da Terra sobre a Rússia central em 15 de Fevereiro lançando uma poderosa onda de choque que feriu mais de mil pessoas, muitos observadores se perguntaram como um evento tão grande pode chegar sem aviso. O facto é que o objecto que explodiu em uma bola de fogo sobre Chelyabinsk, liberando centenas de quilotons de energia, era peixe pequeno. Pode haver milhões de objectos de tamanho comparável no interior do sistema solar, apenas uma fracção deles foi descoberta. Até agora as pesquisas se concentraram em rastrear matadores de dinossauros muito maiores, e outros asteróides e cometas potencialmente catastróficos – aqueles objectos com mais de um quilómetro. Assim a porta foi aberta para desagradáveis, mas em última análise suportáveis, surpresas de asteróides.

Vários projectos novos e futuros acumularão pilhas de papel de novos dados sobre a população de asteróides próximos da Terra (NEA, em inglês), mas um catálogo completo de objectos com a escala do que atingiu Chelyabinsk permanece além de nosso horizonte tecnológico. Os asteróides são muito numerosos, e muito ténues, para serem sistematicamente rastreados. Abaixo está um resumo das melhores ferramentas que pesquisadores têm actualmente para detecção e defesa contra asteróides:

O projecto Catalina Sky Survey descobre aproximadamente 600 NEAs todos os anos a partir de telescópios no Arizona e na Austrália. Desde meados dos anos 2000, o Catalina é o principal projecto de detecção de NEAs existentes, ajudando a Nasa a atingir seu objectivo de catalogar 90% de todos os asteróides com mais de um quilómetro de diâmetro próximos da Terra. Mas seu ritmo de descoberta é lento demais para fazer frente à grande quantidade de objectos pequenos. Asteróides próximos da Terra com mais de100 metros provavelmente ficam na casa das dezenas de milhares, enquanto asteróides próximos de10 metros ou mais são contados aos milhões.

O primeiro de quatro telescópios Pan-STARRS no Havai foi activado recentemente e actualmente é a segunda principal busca por NEAs em termos de objectos detectados por ano. Em 2012, seu segundo ano completo de operação, o Pan-STARRS descobriu 251 asteróides próximos da Terra, de acordo com estatísticas da Nasa. Ele deve ajudar a descobrir muitos asteróides com diâmetros de centenas de metros, mas a maior parte de objectos menores permanecerá fora de alcance.

O Grande Telescópio de Rastreamento Sinótico (LSST), que deve entrar em operação até o final da década, no Chile, será um telescópio de rastreamento com capacidade impressionante. Com 8,4 metros e equipado com uma câmara digital de 3 gigapixels, o LSST varrerá os céus em pequenos intervalos de tempo para identificar objectos em movimento ou eventos passageiros. Mas mesmo esse telescópio terá problemas em rastrear asteróides do tamanho do que atravessou a atmosfera sobre a Rússia na semana passada. Serão necessárias décadas de trabalho (à direita) para que o LSST catalogue a grande maioria de objectos maiores – com mais de140 metros – assim atingindo o próximo objectivo da Nasa para a detecção de asteróides .

Se um asteróide for detectado com anos de antecedência, os governos do mundo poderiam tomar acções correctivas – detonando, empurrando ou puxando um objecto perigoso para uma órbita mais segura. O Asteroid Terrestrial-Impact Last Alert System (ATLAS, ou Último Sistema de Alerta de Impactos Terrestres por Asteroides, em tradução aproximada) tem um objectivo muito mais simples: detectar asteróides apenas semanas antes do impacto, para alertar ou evacuar áreas ameaçadas. O ATLAS, que compreenderá vários pequenos telescópios no Havai, está em desenvolvimento com assistência financeira da Nasa e pode entrar em operação em 2015. Seus planeadores estimam que um “destruidor de cidades” de50 metros poderia ser detectado uma semana antes do impacto.

A Fundação sem fins lucrativos B612 recentemente revelou seus planos de construir o Telescópio Espacial Sentinel, um detector de asteróides que varreria o sistema solar interno em infravermelho a partir de uma órbita semelhante à do planeta Vénus. Se a fundação conseguir levantar os milhões de dólares necessários para construir o Sentinel, o telescópio seria lançado em 2018 e rapidamente daria um jeito nos asteróides verdadeiramente perigosos que estão lá fora. O projecto da missão Sentinel exige um telescópio capaz de catalogar 90% dos NEAs maiores que140 metros durante sua missão de 6,5 anos. De acordo com uma declaração recente da B612, o Sentinel também localizaria mais da metade dos asteróides ainda não descobertos com mais de50 metros.

Com recursos limitados, localizadores de asteróides naturalmente se concentram nas rochas maiores, que poderiam provocar grandes catástrofes. Mas chegadas menores e mais frequentes a nosso planeta provavelmente permanecerão imprevisíveis no futuro próximo. O lado positivo é que nenhuma morte foi relatada como resultado do incidente de Chelyabinsk, e as chances do próximo meteoro significativo explodir sobre uma área tão populosa são baixas.

E, felizmente, espera-se que impactos como o do meteoro de Chelyabinsk só ocorram uma vez por século. Então talvez a humanidade já tenha descoberto técnicas melhores de localização e rastreio quando o próximo vier em nossa direcção.
Scientifc American



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Impresso em 25/4/2017 às 17:40

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