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  Células gliais   12 Jun 2013

Células gliais humanas disparam convulsões
As tempestades eléctricas do cérebro podem envolver concentração de cálcio

Ataques epilépticos ocorrem quando neurónios disparam juntos de maneira incontrolável. Mas o que faz as células entrarem em curto-circuito? Em Janeiro, cientistas descobriram uma resposta inesperada. Quando células gliais no córtex de moscas da fruta não conseguem controlar seus níveis de cálcio adequadamente, eles deixam neurónios vizinhos vulneráveis a convulsões.

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts identificaram uma mutação genética que faz moscas da fruta entrarem em convulsão quando são expostas a calor ou vibrações.

Enquanto estudavam a mutação, os cientistas descobriram que ela afecta um gene chamado de zydeco, que controla a troca de cálcio entre células gliais – algo surpreendente, considerando que a maior parte da pesquisa sobre convulsões se concentrou em neurónios porque são eles que disparam impulsos eléctricos, enquanto a maioria das células gliais não o faz.

“Isso nos deixou muito confusos inicialmente”, explica Jan Melom, principal autora do estudo e aluna de pós-graduação do MIT.

A mutação identificada no estudo evita que minúsculas flutuações de cálcio ocorram nas células gliais, que Melom acredita resultar em um acúmulo de cálcio no interior das células.

O stress, como o calor, normalmente aumenta ainda mais os níveis de cálcio, então a combinação poderia disparar “algum tipo de reacção glial que se transforma em convulsão”, declara ela.

Uma grande pergunta é como as células gliais se comunicam com neurónios, fazendo com que fiquem super-estimulados. Como uma versão do zydeco existe em mamíferos, a resposta poderia ajudar a explicar a génese de ataques epilépticos em humanos.

Características das células gliais As células gliais têm muitos papéis importantes no cérebro, incluindo regular o desenvolvimento e função de sinapses, Promover a sobrevivência e protecção dos neurónios após ferimentos, auxiliar o aprendizado e a memória, ajudar no controle do fluxo sanguíneo e regular o humor.

As células gliais também participam de uma gama de doenças e transtornos, como epilepsia; deterioração dos vasos sanguíneos; depressão; esclerose múltipla e doença de Alzheimer.

Cientistas acreditavam que células gliais, que são pelo menos tão numerosas quantos neurónios no cérebro, eram células passivas de apoio; o termo “glia” vem da palavra grega para “cola”. Pesquisas da última década revelaram que essas células, e também neurónios, são participantes activos da cognição
Por Melinda Wenner Moyer
Scientif American



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