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  Dados cruciais a partir do impacto do meteoroide   08 Nov 2013

Uma equipa de cientistas internacionais e da NASA reuniu pela primeira vez uma compreensão detalhada dos efeitos na Terra de um pequeno impacto de asteróide.
Os dados inéditos obtidos como resultado da explosão aérea de um meteoróide sobre a cidade russa de Chelyabinsk no dia 15 de Fevereiro de 2013, revolucionou a compreensão dos cientistas acerca deste fenómeno natural.
O evento de Chelyabinsk foi bem observado por câmaras de cidadãos e por outras fontes. Isto proporcionou uma oportunidade única para os pesquisadores calibrarem o evento, com implicações para o estudo de objectos próximos da Terra (em inglês, near-Earth objects ou NEOs) e para o desenvolvimento de estratégias de mitigação de risco para a defesa planetária. Cientistas de nove países estabeleceram agora um novo marco para a modelagem de impactos futuros de asteróides.
"O nosso objectivo foi compreender todas as circunstâncias que resultaram na onda de choque," afirma o especialista em meteoros Peter Jenniskens, co-autor principal de um estudo publicado na revista Science. Jenniskens, astrónomo do Centro de Pesquisa Ames da NASA e do Instituto SETI, participou num estudo de campo liderado por Olga Popova do Instituto para Dinâmica de Geosferas da Academia Russa de Ciências em Moscovo nas semanas que se seguiram após o evento.
"Foi importante para nós termos seguido os relatos em primeira mão de muitos cidadãos, que registaram vídeos incríveis, enquanto a experiência ainda estava fresca nas suas mentes," afirma Popova.
Ao calibrar as imagens de vídeo utilizando a posição das estrelas no céu nocturno, Jenniskens e Popova calcularam a velocidade de impacto do meteoro em 19 quilómetros por segundo. À medida que o meteoro penetrava na atmosfera, fragmentou-se de forma eficiente em pedaços a 30 km por cima da superfície da Terra. Nesse ponto, a luz do meteoro parecia mais brilhante que o Sol, até mesmo para pessoas a 100 km de distância.
Devido ao calor extremo, muitos dos fragmentos dos detritos vaporizaram-se antes de cairem para fora da brilhante nuvem laranja de detritos. Os cientistas acreditam que entre 4.000 e 6.000 kg de meteoritos caíram no chão. Isto inclui um fragmento com aproximadamente 650 kg recuperado das profundezas do Lago Chebarkul no passado dia 16 de Outubro, por mergulhadores profissionais guiados por investigadores da Universidade Federal dos Urais.
Os cientistas da NASA que participavam no consórcio de 59 membros suspeitam que a abundância de fracturas de choque na rocha contribuíram para a sua fragmentação na atmosfera superior. Os meteoritos disponibilizados pelos pesquisadores da Universidade Estatal de Chelyabinsk foram analisados para aprender mais sobre a origem das veias de choque e suas propriedades físicas.
"Um destes meteoritos quebrou-se ao longo de uma destas veias quando pressionado durante a nossa análise," afirma Derek Sears, meteorólogo em Ames.
Mike Zonlensky, cosmoquímico do Centro Espacial Johnson da NASA em Houston, EUA, pode ter descoberto o porquê destas veias de choque (ou fracturas de choque) serem tão frágeis. Continham camadas de pequenos grãos de ferro apenas dentro do veio, que precipitou do material vítreo quando arrefeceu.
"Existem casos onde o material derretido do impacto aumenta a resistência mecânica do meteorito, mas o de Chelyabinsk foi enfraquecido," afirma Zolensky.
O impacto que criou as veias de choque pode ter ocorrido há 4,4 mil milhões de anos. Isto deverá ter sido cerca de 115 milhões de anos após a formação do Sistema Solar, de acordo com a equipa de pesquisa, que descobriu que os meteoritos já tinham passado por um significativo evento de impacto nessa altura.
"Os eventos de há muito tempo atrás afectaram o modo como o meteoróide de Chelyabinsk se quebrou na atmosfera, influenciando a onda de choque prejudicial," afirma Jenniskens.
A pesquisa está ainda a decorrer de modo a melhor compreender a origem e natureza dos NEOs. Estes estudos essenciais são necessários para informar a nossa abordagem à preparação para a potencial descoberta e deflexão de um objecto em rota de colisão com a Terra.
A NASA anunciou recentemente uma missão que será a primeira a capturar e transferir um asteróide. Representa um feito tecnológico sem precedentes que levará a novas descobertas científicas e capacidades tecnológicas que ajudarão a proteger o nosso planeta.
Além de representarem uma ameaça potencial, o estudo dos asteróides e cometas representa uma valiosa oportunidade para aprender mais sobre as origens do nosso Sistema Solar, a fonte de água na Terra, e até mesmo a origem das moléculas orgânicas que levaram ao desenvolvimento da vida.

Núcleo de Astronomia
Ciência Viva do Algarve



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