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  Fibras essenciais  18 Out 2015

Por Katherine Harmon Courage

O intestino é palco de constantes guerras territoriais.

Centenas de espécies bacterianas, além de fungos, archaea (microrganismos unicelulares procariotas) e vírus, lutam diariamente, competindo por recursos.

Enquanto algumas empresas defendem maior consumo de probióticos, bactérias vivas benéficas, para melhorar a composição de comunidades microbiais em nosso intestino, cada vez mais pesquisas sustentam a noção de que a abordagem mais poderosa pode ser alimentar melhor as bactérias boas que já abrigamos.

A refeição preferida delas? Fibras.

Fibras têm sido associadas há muito tempo a uma saúde melhor e novas pesquisas mostram como a microbiota intestinal pode desempenhar um papel nisso.

Um estudo concluiu que acrescer mais fibras à dieta pode levar à mudança de um perfil microbiano associado à obesidade a outro vinculado a um físico mais magro. Outro trabalho recente mostrou que quando microrganismos estão depauperados de fibras, eles podem começar a se alimentar do revestimento mucoso que protege o intestino, possivelmente provocando inflamações e doenças.

“A dieta é uma das ferramentas mais poderosas que temos para mudar a microbiota”, ressaltou Justin Sonnenburg, um biólogo da Stanford University.

Palestrante em um simpósio sobre o microbioma intestinal, em Keystone, no Colorado, no início de Março, ele destacou que “fibra dietética e diversidade da microbiota se complementam para melhores resultados de saúde”.

Segundo Sonnenburg, microrganismos benéficos gostam de se banquetear particularmente em fibras fermentáveis, derivadas tanto de diversos vegetais, como de grãos integrais e outros alimentos que resistem à digestão (dissociação) por enzimas produzidas pelo corpo humano à medida que elas trafegam pelo do trato digestivo.

Essas fibras chegam relativamente intactas ao intestino grosso, prontas para serem devoradas por nossas multidões microbianas.

Microrganismos conseguem extrair energia, nutrientes, vitaminas e outros compostos extras das fibras para nós.

Ácidos graxos de cadeias curtas obtidos de fibras são particularmente interessantes por terem sido associados a uma melhor função imune, redução de inflamações e protecção contra obesidade.

Mas Sonnenburg salientou que, em padrões históricos, a actual dieta ocidental é extremamente pobre em material fibroso contendo apenas algo em torno de 15 gramas de fibras por dia.

Durante a maior parte de nossa história primitiva, como caçadores e colectores, provavelmente ingeríamos cerca de 10 vezes essa quantidade diariamente. “Imagine o efeito disso em nossa microbiota ao longo de nossa evolução”, argumentou.

Revista Scientific American



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Impresso em 19/10/2017 às 1:14

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