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Filhas e Filhos

de Ajahn Jayasaro

em 19 Abr 2021

  (...anterior) Não só estamos em dívida para com os seres humanos nossos semelhantes como para com as outras criaturas vivas. Se as minhocas não comessem o solo, por exemplo, não poderíamos cultivar colheitas, e sem agricultura, a raça humana não sobreviveria. Temos uma enorme dívida de gratidão com as minhocas. E depois há os búfalos-da-índia, as vacas e outros tipos de gado. Alguma vez nos sentimos gratos por eles?

Inclusive, receio bem que se a raça humana desaparecesse deste mundo, todas as outras criaturas se reuniriam e dariam vivas tão alto, que ficariam roucas. Os seres humanos são extraordinariamente ingratos: nós esgotamos os recursos naturais, destruímos a natureza e estamos perto de tornar o mundo inabitável – tudo para nosso proveito pessoal. Por detrás das nossas acções, está a ilusão de que somos os donos do mundo e não temos responsabilidades para com as criaturas e as plantas que o partilham connosco. Enquanto budistas, cabe-nos ser mais espertos do que isso, e contudo a maioria de nós absorveu inconscientemente esta forma ocidental louca de olhar para a vida. Como consequência, prosseguimos com indiferença. No futuro, nós e os nossos descendentes teremos de sofrer com os resultados deste kamma que criámos, e de quem é a responsabilidade senão nossa? Talvez não seja demasiado tarde para resolver este problema agora, mas temos de mudar a nossa atitude, de modo a darmo-nos conta da profundidade e amplitude da bondade e benfeitoria no mundo. Devemos tentar trabalhar juntos para reduzir o poder do egoísmo humano. E podemos começar pela nossa própria família.

O Buda diz que é extremamente difícil encontrar alguém que nunca tenha sido nosso pai, mãe (§), irmão ou irmã numa vida anterior. Assim, quando reflectimos na dívida de gratidão que temos para com os nossos pais e outros membros da família, há que ter em mente este ensinamento também. Expandam os vossos esforços para manifestar a vossa gratidão de modo a incluir todos os seres humanos nossos semelhantes. Treinem-se para ser bons amigos para todos em vosso redor e no mundo em que vivemos.

Por fim, que todos vivamos a vida de um bom amigo. Que sejam bons amigos para vocês mesmos fazendo, dizendo e pensando apenas coisas benéficas, para vocês e para os outros. Sejam bons amigos para aqueles que vos ajudaram, sobretudo o vosso pai e a vossa mãe. Dêem-lhes o que puderem, ajudem-nos como se deve ajudar alguém que vos ajudou tanto. E mais importante, pelo poder das Três Jóias, que os nossos pais e todos nós cresçamos e prosperemos com as virtudes de saddhā, sīla, chaga e pañña.


GLOSSÁRIO
Arahant – Literalmente, um “Meritório”. Uma pessoa cuja mente está livre de impurezas (kilesa), que abandonou todos os dez grilhões (saṃyojana) que prendem a mente ao ciclo de renascimento, cujo coração está livre de efluentes mentais (āsava) e que por isso não está destinado a mais renascimentos. Um título para o Buda e os seus discípulos de mais elevado nível.

Dhamma – (1) um fenómeno em e por si mesmo; (2) qualidade mental; (3) doutrina, ensinamento; (4) nibbanā*. Igualmente, princípios comportamentais que os seres humanos devem seguir para se ajustarem à ordem natural e correcta das coisas; qualidades da mente que devem desenvolver para ganhar consciência da qualidade inerente da mente em si e por si mesma. Por extensão, Dhamma (normalmente em maiúscula) também é usado para referir qualquer doutrina que ensina tais coisas. Assim, o Dhamma do Buda remete tanto para os seus ensinamentos como para a experiência directa do nibbanā, a qualidade para a qual esses ensinamentos apontam.

*Nibannā – Libertação final de todo o sofrimento, o objectivo da prática budista. A libertação da mente dos efluentes mentais (āsava), das impurezas (kilesa) e da ronda do renascimento (vaṭṭa) e de tudo o que pode ser descrito ou definido. Como este termo também denota a extinção de um fogo, ele acarreta consigo as conotações de sossegar, acalmar e de paz.
  (... continua) 


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