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Filhas e Filhos

de Ajahn Jayasaro

em 19 Abr 2021

  (...anterior) A nossa obrigação para com ele é, consequentemente, a mais elevada. Assim, se os nossos esforços para expressar gratidão pelos nossos pais entrarem em conflito com o nosso compromisso com a bondade e a verdade, então a pessoa sábia, com todo o tacto e respeito, tomará o que está certo como seu guia. Ser bom amigo dos nossos pais não quer dizer agradar-lhes de todas as maneiras. Sem sermos rígidos e insensíveis, temos de ter princípios claros e bons e evitar sermos tendenciosos.

Se tiverem tempo de manhã ou à noite, convidem os vossos pais para cantar ou meditar convosco. A paz que se pode sentir através da meditação proporciona uma felicidade, uma força e um brilho maravilhosos àqueles que lhe chegam. As pessoas que têm mentes tranquilas normalmente vivem mais porque o poder da mente estabilizada consegue suprimir a frustração, a proliferação e as preocupações que enfraquecem o sistema imunitário. Se os nossos pais praticarem meditação até lhe apanharem o jeito, terão um ótimo refúgio interior quando estão doentes. Para ser eficaz, a meditação deve ser desenvolvida em conjunto com esforços para treinar as acções e o discurso. Uma forma simples de ajudar os nossos pais a reduzirem as suas kilesas é não ceder a conversas nocivas com eles. Se um dos nossos pais começar a falar em relação a alguém de forma indelicada, por exemplo, ou a atacar a pessoa pelas costas, podemos simplesmente mantermo-nos calados. Se não respondermos ou entrarmos na conversa, então o nosso pai ou mãe (§) rapidamente perderá o prazer de falar assim e talvez ganhe alguma autoconsciência.

Filhas e filhos que ainda vivam com a família devem tentar manter-se neutros nas discussões que possam despontar entre os pais de vez em quando. Em momentos stressantes, tanto a mãe como o pai tentam muitas vezes puxar os filhos para o seu lado. Uma boa filha ou filho não permitirá que isso aconteça, e terá como objectivo ser um árbitro imparcial. Devemos tentar acalmar pais irritados, e ter o cuidado de não dizer ou fazer nada que piore a situação. Devemos ajudar os pais a resolver as suas diferenças sem que nenhuma das partes tenha de sentir que ganhou ou perdeu. Devemos tentar escutar pacientemente os resmungos e os queixumes dos nossos pais. Escutar os nossos pais, mediar as suas discussões, incentivá-los no sentido do discurso correcto: estas também são formas em que podemos retribuir a nossa dívida de gratidão para com eles.

Se conseguirmos ser um bom amigo para os nossos pais durante um período de tempo longo, eles começarão a confiar e a respeitar-nos cada vez mais. Do mesmo modo, a nossa influência sobre eles e a oportunidade de os encorajar à bondade irá crescer. Só que leva tempo e não nos devemos precipitar. Devemos observar de que maneira também nós beneficiamos dos nossos esforços, pois é precisa muita paciência para lidar correctamente com as pessoas de idade. À medida que envelhecem, as pessoas muitas vezes tornam-se rabugentas, mesquinhas ou esquecidas. Ao convivermos com elas, podemos facilmente sentirmo-nos irritados com isso, daí que tenhamos de estar muito cientes para manter o nosso equilíbrio interior. Assim, ao ajudá-los a eles, também nos estamos a ajudar a nós mesmos.

Na verdade, este mundo é um mundo de benfeitoria. Cultivámos a comida que comemos hoje? De onde é que ela veio? Fizemos a roupa que temos vestida hoje? De onde é que a roupa veio? Uma única peça de roupa que tenha sido feita de algodão implica agricultores de algodão, ceifeiros de algodão, tecelões de algodão, alfaiates, designers, designers das máquinas de tecer e de coser, fabricantes e vendedores. Se hoje usamos um telefone, uma televisão ou entramos num carro, dependemos da esperteza e diligência de quantas pessoas em quantos países? Ter consciência da origem do que temos pode acalmar-nos a mente, e deixar-nos cientes da rede de relações entre pessoas por todo o mundo que é invisível a olho nu.
  (... continua) 
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