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Mosteiro Budista
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A prática da minhoca

de Ajahn Nyanarato

em 09 Abr 2022

  (...anterior) Quando olhamos para a vida no Butão, esta paciência, na verdade, traz consigo a bênção. O ritmo da vida é de paciência e cada momento e cada encontro oferecem a oportunidade para Sermos, totalmente. Questões, argumentos e pensamentos acerca da ideia de paciência param e tudo é simplesmente aquilo que está a acontecer. Qualidades como a confiança, força e contentamento são então vistas juntamente com a paciência. Elas são inseparáveis. Penso que isto mostra a maravilhosa qualidade e benefício da paciência. Esta experiência no Butão foi como um relembrar do claro contraste entre aquilo a que chamamos “desenvolvimento” e a força que o Butão demonstra de uma forma sem qualquer tipo de insistência.

As palavras do Venerável Ajahn Chah “a nossa prática é como a minhoca” foram dirigidas aos monges que viviam com ele no mosteiro. As pessoas têm tendência para imaginar a vida na floresta como algo repleto de paz e talvez de experiências maravilhosas, mas na realidade é muitas vezes neste local que as nossas tendências mais latentes poderão manifestar-se até á exaustão. Irritação, dores, aborrecimento e por aí fora – as lutas interiores – encontram-se presentes.

Quando se vive num mosteiro há já algum tempo começa-se a apreciar o valor das palavras do Venerável Ajahn Chah. Não é uma questão de quão espertos somos ou de quão promissora era a ideia que tínhamos de início. Tentar ser como as minhocas não é ofensivo ou desencorajador, mas é uma forma de reconhecermos as nossas tendências (tão fortemente enraizadas) de buscar quaisquer resultados e recompensas, visíveis e imediatos. As minhocas têm de viver a vida pacientemente, totalmente concentradas no momento e no seu próprio esforço e movimento.
Isto desafia a aparentemente fascinante ideia de conquista pessoal, a qual é a força que está por detrás do desenvolvimento, particularmente nesta era moderna.
Poderemos tornarmo-nos minhocas?

Imagine-se a resistência, todo o tipo de razões ou desculpas que podem surgir quando tentamos ser de maneira diferente. É como se a importância da pessoa fosse negada. Vivenciar o processo, humildemente rendermo-nos a ele. Paciência não é algo para ser pensado ou falado mas sim para Ser.

Ser um mendicante significa que se depende da generosidade alheia para se ter os quatro requisitos, ou seja, abrigo, comida, roupa e medicamentos. No início podemos achar que o facto de não podermos ter e escolher as coisas que gostamos é demasiado difícil e restritivo, mas depois aprendemos a familiarizarmo-nos com estas condições e a alegria irá eventualmente aparecer. O sentimento de gratidão é profundo. Estar satisfeito não é um estado passivo mas sim um estado que nos confere estabilidade, confiança e felicidade. Isto é, também, o oposto da forma como normalmente estamos no mundo. Acho que estas qualidades de contentamento e gratidão são impossíveis de realizar se não formos pacientes.

Quando somos pacientes ganhamos força interior e, ainda mais importante, somos levados a perceber que este mesmo momento é, por si só, pleno. Nada lhe falta. Não perdemos o nosso compromisso para com o imediatismo do momento presente e nem estamos na expectativa de que o verdadeiro significado da vida se torne disponível algures no futuro. Quando queremos mudar a nossa atitude da exigência para a aceitação, isto torna-se não só relevante no contexto monástico mas também no mundo em geral.

Gostaríamos que o mundo vivesse de uma forma mais harmoniosa e o ponto crucial de viragem para isso é: ou simplesmente continuamos com a atitude de obter aquilo que satisfaz os nossos desejos, livrando-nos daquilo que não se enquadra nos nossos gostos e opiniões, sem plenamente apreciarmos o que está disponível à nossa volta, ou cada um de nós poder receber em si a variedade e totalidade do mundo tal como ele é, através de, graciosa e humildemente, reaprender a virtude da paciência. Preciso de acrescentar que, a nível individual, isto significa receber diferentes tipos de emoções tais como medo, ódio, mágoa, desejo, etc.
  (... continua) 
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