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O Jardim do Silêncio

de Ana Maria Coelho de Sousa

em 22 Set 2022

  (...anterior)

“Quando todas as coisas repousavam num profundo silêncio, descia sobre mim, do mais alto do Trono Real, uma palavra secreta”, Meister Eckart, grande místico cristão.

Todos os dias, logo que abrimos os olhos, o nosso mental desperta. Os nossos sentidos orientam-no para as coisas deste mundo e monopolizam-no. Estamos continuamente distraídos com aquilo que vemos, ouvimos e tocamos … Todas estas coisas mobilizam a integridade da nossa atenção. Os pensamentos aparecem, encadeiam-se, pressionam-se, empurram-se no mental. Esquecemos quem somos, esquecemo-nos muito simplesmente de Ser, absorvidos no parecer. A fim de parecer ainda melhor, misturamos a nossa voz à cacofonia geral, falamos excessivamente e de coisas insignificantes.

A Disciplina espiritual repousa em primeiro lugar no silêncio vocal, que impede as palavras supérfluas, e em seguida no silêncio mental que pára a onda incessante dos pensamentos. O silêncio mental absoluto depende da experiência mística e muito poucos de nós possuem suficiente maturidade espiritual para vivê-la. O nosso espírito deve concentrar-se no interior, em direcção ao centro e à fonte do nosso ser. A partir de então, todas as coisas, tanto interiores como exteriores, são percebidas num silêncio cada vez mais profundo.

Segundo os místicos, quando atingimos esse estado, torna-se possível sentir a Presença divina, como se descesse sobre nós de um Trono Real, revelando-nos uma palavra justa até aí ignorada. O silêncio interior faz-nos entrar na presença íntima do divino, pelo menos poderá ser esta a sensação.

Para concluir direi que os grandes sábios têm afirmado a possibilidade de se permanecer neste estado de silêncio enquanto se está também empenhado em actividade exterior – uma possibilidade que está para além da nossa compreensão vulgar. É dito que o silêncio de um homem santo é muito mais valioso do que muitas palestras. Houve um santo e sábio no sul da Índia, nosso contemporâneo, chamado Ramana Maharshi, que ilustra este facto. Eram muitos os que chegavam até ele com dúvidas que queriam ver esclarecidas e dificuldades a resolver. Sentados a seu lado, em silêncio, este mesmo silêncio esclarecia as dúvidas e questões e as dificuldades viam-se dissolvidas. É este o poder do silêncio do sábio, daquele que vive na Verdade e assim a Verdade e a Luz são automaticamente partilhadas. É bom acrescentar aqui que esta partilha existe desde que o receptor esteja preparado para a receber, isto é, se tenha esforçado por a merecer.

Assim, “Conhecer, ousar, querer e ficar em silêncio” pode ser resumido como as virtudes primárias que todo o aspirante ao Caminho deve esforçar-se por praticar. Aprendamos, então, a mergulhar no mais profundo de nós mesmos, a recolhermo-nos e aí encontrar o abrigo ou refúgio que nos proporciona paz e silêncio.

Cortesia da autora, Ana Maria Coelho de Sousa
Magazine de Filosofia Esotérica nº 12 - (Sociedade Teosófica Portuguesa)
   
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