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O Monge- Dhammapada 18
de Acharya Buddharakkhita
em 03 Abr 2018
O ensinamento do Buddha pode apenas dar-nos uma compreensão inicial do Dhamma, mas não pode fazer com que o Dhamma fique nos nossos corações. E porque não? Porque ainda não praticámos, ainda não ensinámos a nós mesmos. O Dhamma emerge com a prática. Conhecem-no através da prática. Se duvidarem do Dhamma, duvidam da prática. Os ensinamentos dos mestres podem ser verdade, mas somente ouvir o Dhamma não é, por si só, suficiente para sermos capazes de o realizar. O ensinamento apenas indica qual o caminho. Para realizar o Dhamma temos de agarrar no ensinamento e trazê-lo para os nossos corações. A parte que é para o corpo, aplicamos ao corpo, a parte que é para a fala aplicamos à fala e a parte que é para a mente, aplicamos à mente. Isto significa que depois de ouvirmos o ensinamento devemos ensinar a nós mesmos.
Bhikkhuvagga: O Monge
360. Bom é o domínio da visão; bom é o domínio da audição; bom é o domínio do olfacto; bom é o domínio do paladar.
361. Bom é ter domínio do corpo, bom é o domínio da fala; bom é o domínio do pensamento. Comedimento em qualquer lugar é bom. O monge comedido em todos os sentidos está livre de todo sofrimento.
362. Aquele que tem o controlo sobre suas mãos, pés e língua, que é totalmente controlado, deleita-se no desenvolvimento interior, é concentrado na meditação, mantém-se discreto e está contente – a esse as pessoas chamam monge.
363. Aquele monge que tem controlo sobre sua língua, que é moderado em discurso, despretensioso e que explica o Ensinamento tanto na letra como em espírito - o que quer que diga é agradável.
364. O monge que permanece no Dhamma, que se deleita no Dhamma, medita sobre o Dhamma, e tem o Dhamma bem em mente - não se afasta do Dhamma sublime.
365. Não se deve desprezar o que se recebeu, nem invejar o ganho dos outros. O monge que inveja o ganho dos outros não alcança a absorção meditativa.
366. Um monge que não despreza o que recebeu, mesmo que seja pouco, que é puro na subsistência e incessante em esforço - até mesmo os deuses o elogiam.
367. Aquele que não tem qualquer apego de mente e corpo, que não se lamenta por aquilo que não tem - é verdadeiramente chamado um monge.
368. O monge que permanece no amor universal e é profundamente devotado ao Ensinamento do Buddha (§), alcança a paz do Nibbāna, a bem-aventurança da cessação de todas as coisas condicionadas.
369. Esvazia este barco, ó monge! Vazio, navegarás leve. Livre da paixão, luxúria e ódio, alcançarás o Nibbāna.
370. Corta os cinco(w) inferiores, abandona os cinco superiores e cultiva as cinco faculdades de controlo. O monge que superou as cinco prisões é chamado aquele que atravessou o dilúvio.
371. Medita, ó monge! Não sejas negligente. Não deixes a tua mente girar em prazeres sensuais. Inconsciente, não engulas uma bola de ferro em brasa, não chores quando queima. “Como isto é doloroso!”
372. Não há concentração meditativa para aquele que não tem compreensão introspectiva, e nenhuma sabedoria introspectiva para aquele que não tem concentração meditativa. Aquele em que se encontram tanto a concentração meditativa como a compreensão introspectiva, na verdade, está perto do
Nibbāna.
373. O monge que se retirou para um local isolado e acalmou a sua mente, que profundamente compreende o Dhamma, existe nele uma felicidade que transcende todas as delícias humanas.
374. Sempre que com clareza introspectiva, ele vê a ascensão e a queda dos agregados, enche-se de alegria e felicidade. Para os sábios isso reflecte a Realidade Imortal(x).
375. Controlo dos sentidos, contentamento, o comedimento de acordo com o código da disciplina monástica - estes são a base da vida santa para o monge sábio.
376. Que ele se associe com amigos nobres, enérgicos e com vida pura, seja cordial e educado na conduta. Assim, cheio de alegria, ele porá fim ao sofrimento.
377. Assim como a trepadeira de jasmim larga as suas flores murchas, da mesma maneira, ó monges, largai totalmente a luxúria e o ódio!
378. O monge calmo no corpo, calmo na fala, calmo no pensamento, bem controlado e que renunciou à vida mundana - esse, na verdade, é chamado de sereno.
379. Cada um deve censurar-se e examinar-se a si mesmo. O monge que se vigia e é consciente vive sempre em felicidade.
380. Cada um é o protector de si mesmo, cada um é o refúgio de si mesmo. Assim, cada um deve dominar-se, da mesma maneira que um comerciante domina um nobre corcel.
381. Cheio de alegria, cheio de fé no Ensinamento do Buddha, o monge atinge o estado de paz, a felicidade da cessação das coisas condicionadas.
382. Aquele monge que, embora jovem, se dedica ao Ensinamento do Buddha, ilumina este mundo como a lua liberta das nuvens.
Tradução de Ajahn Dhammiko

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