Fundação Maitreya
 
A celebração do Natal e a pandemia

de Lubélia Travassos

em 04 Dez 2020

  A humanidade, tem estado a viver um sono profundo há séculos. Chegou, agora, o momento de haver um grande despertar de consciência, que já se iniciou, e que mudará o mundo nas próximas décadas. Estamos a atravessar uma época de Transição Planetária muito exigente, que não se ajusta aos valores das antigas formas de pensar e de agir. Temos de nos libertar da causa dos males do mundo, daquilo que é irreal, tal como a ignorância, o sofrimento, o egoísmo e a ilusão, que é o vírus mais difícil de tratar, e que nos tem impedido de avançar. A Terra está doente, mas a doença pode ser uma restauração da harmonia, e uma Pandemia é, na verdade, a restauração da harmonia global. Mas, a Pandemia é o maior grito de alerta para a falta de saúde planetária, uma espécie de pré-aviso do que poderá vir a seguir, se a humanidade não mudar.

Estamos a enfrentar uma das Pandemias mais alarmantes da história da humanidade, e a viver um momento de tremendo tumulto e verdadeira crise planetária, em que o homem devia perceber que a sua ganância tem prejudicado muito a sustentabilidade dos ecossistemas, factor causador das alterações climáticas e das pandemias. O aquecimento global, com aumento da temperatura do Planeta, pode dar origem a muitas mudanças com impacto negativo na vida da Terra. A ciência também explica que a Terra está a caminhar para um alinhamento, que levará a uma mudança natural no campo magnético terrestre. Infelizmente, o homem tem preferido procurar as riquezas terrestres, em vez de tentar desenvolver-se tanto moral, como ética e espiritualmente. Porém, as condições de vida no planeta só serão viáveis através de uma ecologia espiritual, com o comprometimento de todos. Não obstante, a Pandemia pode ser convertida em factor de evolução, no despertar da Consciência da Humanidade, e ao mesmo tempo contribuir para uma catarse, uma purgação e liquidação do “karma” individual e colectivo.

Sempre houve pragas e pandemias cíclicas, desde os tempos antigos, na história da humanidade. O Antigo Testamento, a escritura fundamental da Bíblia judaica narra as dez Pragas, que acometeram o Egipto faraónico e mítico há muitos milénios, que são vistas como pandemia, e um exemplo excelente de literatura totalitária do plano religioso ao político e moral. No Livro do Êxodo as pragas estão também relacionadas com uma pandemia. Quanto ao Novo Testamento, há um texto do apóstolo Paulo, dirigido aos cristãos que estavam em Roma (Carta aos Romanos), em que Paulo se refere à criação de Deus, a Terra habitada, e diz que ela geme, está agonizante, assim como todas as pessoas que a habitam. Naquele tempo, vivia-se a opressão e a exploração do Império Romano, porém, hoje vive-se o império do capitalismo e dos que dele se alimentam, que explora e oprime toda a criação. Os seres humanos têm sido constantemente alertados, por serem os portadores de um chamado divino, sendo seu dever cumprir e guardar o Éden, o maior símbolo de integridade da Criação de Deus, mas, ao invés, têm desprezado e negligenciado essa função, e se tornado a maior ameaça da Terra. Jesus Cristo falava de catástrofes e calamidades nunca vistas, que trariam muita destruição e só poucos sobreviveriam para fazer parte de um Mundo Novo e uma Nova Civilização.

Não há registos históricos exactos das primeiras epidemias ou pandemias da antiguidade, ainda que haja relatos da sua existência em livros sagrados e em papiros egípcios. Desde as mais antigas civilizações, a humanidade sofreu de epidemias ou pragas. O livro do Apocalipse de João já descrevia as pragas por doenças, como um dos Cavaleiros do Apocalipse, que traria a humanidade ao Dia do Juízo Final. A palavra Apocalipse, que vem do grego “apocalypsis”, tem sido assustadora para a maioria das pessoas, contudo, ela significa “revelação” que, na terminologia do judaísmo e cristianismo, é a revelação divina de coisas que até então permaneciam secretas a um profeta escolhido por Deus.

As pandemias ou epidemias proporcionaram uma mudança do rumo da história mundial. Não só provocaram rebeliões, como também impulsionaram inovações na saúde pública, e prefiguraram revoluções, que mudaram o mapa do mundo. Comecemos por resumir as piores: A praga de Atenas (430 a.C., com 75 a 100 mil mortos), apareceu depois da segunda guerra do Peloponeso, décadas depois da primeira guerra, quando os derrotados decidiram acabar com a imposição Ateniense. Teve a sua origem na Etiópia, e foi transportada através do Nilo até ao Egipto e a Líbia, pelos navios comerciais, e chegado depois a Atenas.

Outra praga, possivelmente de varíola, a Praga Antonina (165 DC a 180 DC, com 5 milhões de mortes, 2,5% da população mundial), deve ter chegado à Europa a partir das tropas romanas, que voltavam da região que é hoje o Médio Oriente.

A Peste Justiniana (541-542 DC, com 25 a 100 milhões de mortes), foi o primeiro aparecimento da Peste bubónica no mundo, ou seja, a mesma peste negra da Idade Média. A sua causa deve-se a uma bactéria transmitida pelos ratos e pulgas dos ratos. Teve origem na Ásia Central e foi trazida até ao Império Romano pelas rotas comerciais, de Constantinopla, duramente atingida, até às diversas partes do império e fora dele pelas expansões militares.

A Lepra (Séc.VIII – Séc.XIV), diferente da Peste, é uma doença bacteriana que ocorreu na Idade Média, com surtos sucessivos, teve origem no Leste de África. As condições medievais eram péssimas, na altura, com sítios mal arejados e más condições sanitárias, deixando marcas profundas na história. As pessoas tinham de viver isoladas, e deixadas ao abandono até morrer.

A Peste Negra (1343-1353 DC – 75 a 200 milhões de mortes), é a segunda epidemia de peste bubónica no mundo, sendo a anterior a Justiniana, foi originada nas estepes da Ásia Central, e propagou-se por toda a Eurásia através dos 4 impérios Mongólicos, formados depois da guerra de secessão, após a morte de Genghis Khan. Pode estar relacionada com o que foi considerado o primeiro registo de “guerra biológica no mundo”. A sua propagação deve-se ao entreposto comercial genovês, Caffa, na actual Crimeia, sitiado por um contingente armado mongol, atacado pela peste negra, que resolveu catapultar os cadáveres infectados para dentro dos muros, infectando os comerciantes genoveses. Os que conseguiram escapar levaram consigo a peste para a Europa nos seus navios. A Peste bubónica no século XIV, que atingiu a Europa, foi pavorosa, matando cerca de um terço da população, mas deve ter contribuído para o desenvolvimento da região, pois levou a Europa Ocidental a desenvolver uma economia mais moderna, começando a investir em tecnologias para economizar mão-de-obra, muito cara de contratar, na altura. Na época das explorações marítimas (Séc.XV-Séc.XVIII), conduzidas no início pelos reinos espanhóis e Portugal, houve um intercâmbio de muitas doenças novas, levadas para o Novo Mundo, e trazidas para a Europa.

Segue-se a Cólera e a última Epidemia de Peste bubónica (Séc.XIX). A cólera é uma infecção bacteriana, transmitida pela ingestão de água ou comida contaminada, que causa diarreias, e mata pela desidratação, além de facilitar a propagação da doença pelas fezes que, se não for tratada, poderá matar em questão de horas ou dias. Esta doença começou em Bengala, na Índia e propagou-se pela Ásia, África, Europa, e pelo mundo inteiro. Quanto à terceira e última epidemia de peste bubónica, começou em 1855, em Yunnan, na China, e atingiu a importante região portuária de Hong Kong, controlada pelos britânicos, e de lá viajou para o mundo inteiro. Porém, com o avanço da ciência, descobriu-se a causa da doença, que gerou um controlo de pragas nas cidades principais, com 10 milhões de mortos na Índia, e 2 milhões na China.

Chegamos, então, à já conhecida Gripe Espanhola, do Século XX, que surgiu em 1917. Doença infecciosa de difícil contenção, causada por 4 tipos diferentes de vírus, que sofrem mutações muito rápidas. Antes dessa apareceu a Gripe Russa, no final do Século XIX, que se espalhou por toda a Europa e América. Porém a segunda Pandemia, a Gripe Espanhola, foi a mais devastadora, e deve o seu nome à alta notificação dada pela imprensa espanhola. A Europa, em 1917, encontrava-se na Primeira Guerra Mundial, e a Espanha estava numa situação neutra, para notificar o mundo sobre a pandemia. Acredita-se que foram a tropas americanas que trouxeram a doença para a Europa, então, debilitada pela guerra. Essa gripe matou cerca de 50 milhões de pessoas, muito mais que a própria guerra.

Outra pandemia, no Século XX., a HIV (Sida, AIDS) com 30 milhões de mortes, originária da África central, na década de 1960, que saltou do chimpanzé para o ser humano a partir da caça do animal. Começou no Congo Belga, e espalhou-se por todo o continente africano. Foi levada para a América em 1964, junto com os trabalhadores haitianos, que regressavam a casa nos navios. Em 1970, espalhou-se pelos Estados Unidos, mas a AIDS só foi considerada pandemia em 2005.

Na nossa situação actual, a OMS classificou o Coronavírus de Pandemia, a 11 de Março de 2020 e, pelo que tudo indica, teremos de saber conviver com ele até ao fim deste ano e também no próximo ano, sendo que a forma de acabar com ele, será pela imunização ou acabando com a transmissão. Certo é que o Coronavírus está a mudar dramaticamente a maneira de viver de milhões de pessoas em todo o mundo. Instalou-se entre nós, trazendo sofrimento, morte, dor, inquietude e medo. Tem condicionado, por toda a parte, os empregos, dificuldades de circulação, recessão económica, educação, bens, saúde, morte de familiares e amigos, etc. Todavia, temos de admitir que o Coronavírus é o resultado de muitas acções nocivas ao planeta, e de mutações virais explicadas pela ciência, além da poluição atmosférica, causadas pela ganância humana e estupidez.

Contudo, o seu aparecimento é um ponto fundamental para reflexão, e não foi por acaso, que fomos submetidos colectivamente aos seus riscos. Poderá ter sido uma lição e oportunidade de redenção e esperança, para mudarmos a nossa maneira de ser e viver, pensarmos melhor num mundo ecológico e justo, organizado e cuidadoso, não centrado apenas no homem, mas, mais ligado à espiritualidade e que busque a harmonia de todos os Seres que habitam a mesma Terra. É uma prova e uma oportunidade para o homem mudar, ter compaixão por todos os Seres, superando o individualismo e o egoísmo, de uma sociedade afastada de Deus, e focada no materialismo, na competição e no lucro. Assim, esperemos que esta lição, nos dê a esperança de sobreviver, para podermos construir um mundo melhor. Desde sempre, as bactérias, os vírus e outros micro-organismos têm causado muitos estragos à humanidade, tão grandes ou maiores que as mais terríveis guerras, terramotos e erupções vulcânicas.

No que concerne à celebração do Natal, numa época atribulada de pandemia, optemos pela positividade, paciência, aceitar e cumprir as regras, sendo que é para o bem de todos, pois estamos a viver num momento especial, e temos de ver a situação sob o ponto de vista universal, e não pela estreiteza dos nossos egos.

Na época em que Jesus nasceu, as condições do mundo civilizado eram de grandes perturbações. As religiões de mistério e os ensinamentos encontravam-se cristalizados, e eram usados para explorar os pobres e os inocentes. A política era corrupta e a moral da maior parte das pessoas encontravam-se ao nível mais baixo. Em suma, o mundo civilizado estava mergulhado em orgias indescritíveis de imoralidade, deslealdade e perversidade, e o homem buscava apenas a satisfação física e emocional através do mau uso da energia, do poder e da autoridade. A humanidade corria grande perigo. Tais condições não eram favoráveis para que almas evoluídas reencarnassem e ocupassem cargos num mundo onde prevalecia a corrupção e o crime, e onde os Mestres de Sabedoria fossem influenciados por anseios e impulsos inferiores. Dominava, então, o mau exemplo de Roma, que exercia o maior poder mundial, e o centro de libertinagem e da intriga. Roma tinha conquistado a Palestina 63 anos a.C., advindo as consequentes décadas de poder e guerras civis, onde imperaram o egoísmo e a animalidade. Se compararmos essas condições de então, com as actuais, do mundo de hoje, não veremos grande diferença.

Ora, sempre que o nascimento dessas almas for impedido, haverá consequências graves para o progresso da humanidade, que se torna mais lento e pode, inclusive, parar temporariamente. Por isso, apenas os Seres escolhidos, que possuam o escudo protector da Hierarquia, poderão sobreviver e derramar a Sua Luz pela humanidade, apesar das condições adversas e dos constantes ataques das forças malignas. Jesus foi, então, escolhido e enviado sob tais circunstâncias, a fim de se tornar no veículo de um grande Espírito de Luz, para proteger o Ensinamento da Hierarquia e abrir o Caminho da Salvação aos Homens.

A história mítica do mistério e drama da vida de Jesus, o Avatãra do Amor e Príncipe da Paz, tal como é descrito no Evangelho de São João, representa, esotericamente, a história do Universo desde a sua formação ou nascimento até à sua morte ou ascensão, tornando a Vida de Cristo a Vida Universal. Na verdade, o mistério da vida de Jesus, como todas as vidas dos Grandes Seres Instrutores e Salvadores do Mundo, é um mistério muito profundo, onde a linguagem simbólica é usada para esconder o que não deve ser público. Ainda que ele comece a ser revelado de forma gradual, muitos segredos continuam por desvendar.

A descoberta de manuscritos, em diversas partes do mundo, tem vindo a contribuir, significativamente, para o conhecimento da notável seita judaica dos Essénios, assim como para destrinçar mistérios que subsistiam com o Cânon e o Texto das Escrituras do Antigo Testamento. Todos os manuscritos, até agora descobertos, são da autoria dos Essénios, que os esconderam em diversos lugares, a fim de preservá-los de mãos corruptas, que tencionavam eliminá-los, para que as verdades espirituais não fossem do domínio público, na época em que foram escritos. Perdidos por tantos séculos, contêm informações corroborantes, tanto a nível espiritual e histórico, como filosófico e científico, que ajudam a descodificar a origem e mistério da vida de Jesus, e a influência dos Essénios como seus instrutores religiosos e espirituais.

Tanto os Manuscritos do Mar Morto, descobertos no deserto da Judeia, em Israel, em 1947, como o Evangelho de Tomé, descoberto em Nag Hammadi, no Alto Egipto, em 1945-46, são achados de grande importância no campo da arqueologia bíblica e religiosa. Esses eventos relevantes dão expressão a um significado muito especial, visto terem surgido num período bastante negro da história da psique do mundo ocidental, após a II Guerra Mundial e o surgimento da era atómica. As suas descobertas, no último quarto do século XX, altura em que parecia a muitos que o mundo não conseguiria recompor-se da maior calamidade da história da humanidade, num momento de profunda escuridão e desespero da alma mundial, foram providencialmente divinas. Houve, com certeza, uma razão divina, para que se descobrissem esses documentos antigos, escondidos em potes, em grutas inacessíveis ou enterrados em ânforas, que possuem o potencial necessário para ajudar o Ocidente a recuperar uma grande parte da sua alma perdida. Com o advento do após guerra, chegara o momento para se dar uma nova fase de desenvolvimento da individualização da cultura Ocidental. Foi a altura certa do mundo tomar conhecimento da espiritualidade, proveniente do Evangelho dos Gnósticos e dos Pergaminhos dos Essénios, cuja herança, plena de experiências pessoais vivas e de emoções de natureza mística, surgiu em boa hora para o avanço da espiritualidade e da cultura ocidental.

Entretanto, mais recentemente, no fim do século XX foi dada publicidade a outras descobertas importantes, muito anteriores (1870) às já descritas e também da autoria dos Essénios. Refiro-me ao “Evangelho dos Doze Consagrados” e ao “Evangelho da Paz dos Essénios”, traduzidos do original em Aramaico para o Inglês e editados pelo Reverendo Gideon Ouseley, em 1892, que encontrou os manuscritos preservados num dos mosteiros Budistas, no Tibete, onde foram escondidos. Eles completam o conhecido Novo Testamento e narram aspectos da vida de Jesus desde os doze aos trinta anos, omitidos na versão dos textos aceites pela Igreja Católica, e relatam a compaixão de Jesus Cristo por todas as criaturas de Deus, sem qualquer excepção, dando a conhecer que Jesus era Vegetariano, tal como os Essénios. Estes novos Evangelhos são considerados o Evangelho Original Humanista de Jesus, ou seja, o verdadeiro Novo Testamento, e ajudam a compreender a perseguição religiosa que matou tantos seres humanos, incluindo os corajosos da Península Ibérica.

Os manuscritos, escritos em Aramaico, com aspectos ignorados do ensino de Jesus Cristo, estiveram muitos séculos escondidos e preservados, vindo agora à luz por ser a altura ideal, para serem melhor compreendidos pelo Homem Científico da Era actual. Os revisores antigos, autorizados a corrigir os textos das Escrituras, nas partes consideradas ortodoxas, foram instruídos para excluírem dos Evangelhos originais os ensinamentos administrados por Jesus, cheios de sabedoria e compaixão, porque não tinham intenção de os seguir. São exemplos os que se referem à ingestão de carne, assim como relatos da interferência de Jesus, em várias ocasiões, respeitantes à protecção dos animais. Estes ensinamentos são fundamentais nas escrituras Orientais, e não pode haver uma Ciência Espiritual para o Oriente e outra para o Ocidente. E, assim fomentaram uma das grandes fraudes da história da humanidade que transformou a Terra, fazendo parte da Vida Una deste Planeta, onde se iniciaram guerras quando deveriam trazer paz. Os verdadeiros Cristãos antigos eram de origem Essénia, e possuíam princípios e moral Essénios e pregavam a religião de sabedoria. Os Cristãos primitivos também se chamaram terapeutas. Onde estivesse um verdadeiro Cristão devia haver paz, saúde e bem-estar, pois este era o critério que o definia.

Pelo que sabemos, veio ao mundo, há pouco mais de dois mil anos, um grande Instrutor da Humanidade, que foi mental e espiritualmente um exemplo supremo da perfeição humana, e atendendo a esta época natalícia e ao mencionado no “Evangelho dos Doze Consagrados”, correspondente à tradução para o Inglês do original em Aramaico, sobre a mesma, gostaria de referir, em resumo, o que ele diz.

No que concerne à Imaculada Concepção e Natividade de Jesus, o Cristo, o Evangelho fala numa parte que já conhecemos e acrescenta um pouco mais de texto. Começa por dizer: «O Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, Nazaré, para visitar uma virgem chamada Maria, que desposara José, da casa de David. José possuía uma mente justa e racional, e era especialista em todos os trabalhos de madeira e pedra. Maria tinha uma alma terna e perspicaz, e havia-se dedicado completamente ao serviço do Templo. Ambos eram muito puros perante Deus, e deles nasceu Jesus-Maria, que foi chamado de Cristo. O Anjo veio até ela e disse: “Salve Maria, ó cheia de graça, o Senhor está convosco, bendita sois vós entre as mulheres, bendito o fruto do vosso ventre”. Maria ao ouvi-lo ficou perturbada e interrogou o Anjo sobre aquelas palavras, pelo que ele referiu que não tivesse receio, pois estava cheia de graça perante Deus e que iria conceber e dar à luz um filho, que seria grande e poderoso, e Filho do Altíssimo. O Senhor dar-lhe-ia o trono do Seu Pai David e reinaria eternamente sobre a casa de Jacob, e o seu reino não teria fim. Maria então retorquiu que isso não poderia acontecer pois ela não se relacionava com o homem. O Anjo respondeu-lhe que o Espírito Santo viria sobre José, o esposo, a força do Altíssimo estenderia a Sua protecção, e o Santo que iria nascer chamar-se-ia Filho de Deus, cujo nome na Terra seria Jesus-Maria, que salvaria o povo dos pecados, e todos aqueles que se arrependessem e obedecessem à Sua Lei. Depois advertiu-a que não poderia ingerir carne de qualquer tipo de animais, nem beber bebidas fortes, pois a criança seria consagrada a Deus a partir do seu ventre, e que nunca ingeriria carne, nem bebidas fortes, nem qualquer navalha lhe tocaria na cabeça.

Mencionou, também, que a sua prima Isabel havia concebido um filho na sua velhice, ela que era considerada estéril, porque para Deus nada é impossível. Maria, perante isso, entregou-se como escrava do senhor e que se cumprisse a sua palavra. No mesmo dia o Anjo apareceu num sonho a José, que ficou perturbado quando o Anjo lhe disse que a graça do Pai estava com ele, e que era bendito entre os homens pelo fruto da sua força geradora. O Anjo acrescentou que ele estava cheio de graça e que não tivesse receio de receber Maria como esposa, pois o que ela conceberia seria obra do Espírito Santo, pois daria à luz um filho, que salvaria os povos dos pecados. José ao despertar do sono fez o que o Anjo ordenou, recebeu Maria como sua mulher e ela concebeu no seu ventre o Senhor. Entretanto, Maria foi à pressa a uma cidade da Judeia, para visitar a casa de Zacarias e saudar Isabel. O menino, ao ouvir a saudação de Maria, saltou de alegria no seio de Isabel, que ficou cheia do Espírito Santo, dizendo a Maria que Ela era bendita entre as mulheres e bendito era o fruto do seu ventre. Maria disse-lhe que a sua alma glorificava o Senhor e o seu espírito exultava de alegria em Deus, o Salvador, e que a partir de então todas as gerações haveriam de a chamar “ditosa”. E, após proferir várias palavras de glória ao senhor, ficou na casa de Isabel cerca de três meses, regressando depois a casa. José, também, proferiu palavras de glorificação a Deus e prometeu que iria proteger e fazer de Jesus a promessa divina do povo, para renovar a face da Terra, dar liberdade aos cativos e àqueles que viviam nas trevas. Sendo que Jesus permitiria deixar entrar a luz e ensinaria o povo a alimentar-se com hábitos agradáveis, nunca mais caçariam nem inquietariam as criaturas inferiores. Não teriam mais fome ou sede, o calor não mais os feriria, nem o frio os destruiria, e os lugares elevados seriam exaltados. E, José acrescentou: “Cantem os céus e haja regozijo na terra; rompam pelos desertos com o cântico dos cânticos, por que Vós, ó Deus que ofereceis o conforto ao vosso povo; consolai-os que sofreram injustiças”». Quanto ao nascimento de Jesus, o texto relata mais ou menos o mesmo do que conhecemos…

Que o Mestre nos abençoe. Desejo a todos um Feliz e Santo Natal, assim como um Próspero Ano Novo, que vos traga muita esperança, saúde e maior abertura espiritual, como Jesus ensinou.
   


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Impresso em 2/7/2022 às 7:16

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