Fundação Maitreya
 
O Avatāra

de Spiritus Site

em 10 Abr 2006

  Este livro é uma narrativa sobre a descoberta dos excelsos e incomensuráveis mundos interiores, nos quais, gradualmente, readquiri a consciência divina, numa recriação de mim mesma, onde aprofundei uma via de comunicação com os planos invisíveis (telepatia) e aceitei ser transmissora das missivas de Avatares. Num todo de felicidade, irrompeu a escrita inspirada para registo deste testemunho, que o tempo não apagará. Muitas coisas fizeram parte deste percurso, num plano divinamente traçado pela Hierarquia Planetária, em simultâneo com o Plano Divino de Portugal, para o nascimento de um Avatāra e futuramente do Senhor Maitreya no Tibete.

Iniciações Avatáricas

Crítica de José Sousa Machado

Tal como tantos outros relatos proféticos, também este livro, na sua estrutura biográfica de superfície, descreve, simultaneamente, as sucessivas etapas de um caminho iniciático exigente, exaltante e, muitas vezes, doloroso, aperfeiçoando progressivamente a tomada de consciência da autora de que tudo – mesmo tudo! – vem de Deus e tudo caminha para Deus.
A evidência desta asserção tão simples assume, no curso do processo de aprofundamento espiritual vivido por Maria, os contornos de comprometida experiência clarividente, envolvendo todos os níveis da Manifestação – nos planos visível e invisível – e também o indivíduo que a experiência numa relação dialogante com todos os domínios da Existência e, até, da Não-Existência, como a própria Maria refere.

De certo modo, somos transportados do plano do existente, linear e dualista, para o domínio do Vidente, do Eu Sou aquele que é; ou seja, para a fonte de onde emana toda a possibilidade do Ser, qualquer que seja a expressão esotérica que lhe atribuamos.
Neste sentido, as iniciações experimentadas por Maria constituem – pese embora o preconceito associado ao termo que vou usar - outras tantas etapas de um caminho de Conversão, no sentido em que a força criadora proveniente de Deus reveste-se de um duplo movimento de processão e conversão – derramamento e regresso ao seio da unidade primordial – sendo a processão a dispersão dos atributos divinos pelo universo e a conversão o impulso natural que qualquer Ser sente de regressar ao seio Daquele de quem é apenas uma imagem desfocada – processo realizado, neste caso particular, por uma metanóia ou transformação interior radical, transfigurando a natureza material do sujeito que a realizou em Ser Espiritual.
O “Avatāra” pode, assim, ser lido segundo diferentes perspectivas. Estas perspectivas são, em primeiro lugar, biográfica, mas também confessional (na medida em que o livro foi escrito a partir de uma experiência de Deus), interpelativa (em que espera uma resposta e/ ou adesão do leitor) e profética (enquanto relata a intervenção divina no decurso daqueles três anos da sua biografia partilhada).

As inúmeras iniciações espirituais experimentadas por Maria podem, sucintamente, ser reduzidas a três estágios fundamentais, antecedidos obrigatoriamente por uma purificação inicial prolongada, concretizada apofaticamente, através do despojamento dos bens materiais “ilusórios”, dos valores mundanos estabelecidos e, principalmente, do esvaziamento progressivo da vontade de auto-satisfação pessoal na relação com Deus – exprimindo, assim, com clareza, a escolha consciente de querer participar na construção do Reino o qual, não sendo seguramente deste mundo para a generalidade dos indivíduos distraídos, pode sê-lo para alguns, aqui e agora, indiferentemente das suas contingências biográficas individuais.
Os três patamares descritos por Maria são, respectivamente, aquele a que chamarei de “Via do Coração”, ou experiência compassiva – onde se revela a divindade, a “Via da Inteligência” – na qual a Gnose ou conhecimento da divindade se concretiza com maior clareza e objectividade – e, finalmente, a experiência da Não-Existência, na qual o próprio sujeito, não o sendo doravante, vive em plenitude extática, imerso no caldo da realidade divina.

Embora Maria negue a valia das confissões religiosas para quem caminha nos patamares espirituais elevados (págs. 112,195, 322, contraditos na pág. 345) – afirmação com a qual discordo, bastando recordar a vida de S. Francisco de Assis, por exemplo – o seu próprio caminho espiritual apresenta semelhanças com algumas correntes místicas do cristianismo, islamismo e hinduísmo, para citar apenas as mais notórias. Por exemplo, as teologias negativas de Dionísio Aropagita, S. Teresa de Ávila e S. João da Cruz; ou a “faná el-faná-i” dos sufis islâmicos – “a extinção” – que ensina que o apagamento interior e o apagamento subsequente da consciência desse apagamento interior são o único meio ao nosso dispor para alcançarmos a Gnose e o conhecimento de Deus, Realidade Objectiva por excelência. No entanto, mais conforme com a experiência do estado da Não-Existência preconizada por Maria – é o Jainismo, uma antiga tradição da Índia pré-védica, segundo a qual “o objectivo do caminho é alcançar o tecto do mundo, onde não se tem mais qualquer contacto com a humanidade”, atingindo-se o estatuto de Tīrthankara, título reservado aos “Autores da Travessia do Rio”,”Aqueles que alcançaram a total libertação do desejo de vida”, adoptando a extinção total como objectivo único, fugindo às teias do samsāra.
Apesar da discordância referida devemos, em primeiro lugar, agradecer sinceramente à Maria pela riqueza do testemunho que nos lega do seu caminho interior e das suas imensas virtualidades.

O “Avatāra” está pejado de reflexões notáveis, muito luminosas, tais como as fragmentárias alusões aos segredos do falo e à sexualidade em geral (págs. 47, 52,76, 201, 285, 294); as reflexões que a Maria faz sobre a morte, quando afirma “que a minha passagem não é um acto vulgar, mas sim um acto de amor!”, levando-a a interpelar o Mestre, dizendo-lhe, “escolho-te finalmente” e não, “se isto tem de acontecer, Meu Deus, estou pronta, leva-me” (págs. 89, 228); a reflexão sobre o Espírito Santo (págs. 268, 269); as recepções, em Israel, sobre a qualidade das energias e os karmas das várias cidades (págs. 260, 261); a relação entre a Consumação Crística e o Logos Solar (pág. 270), para além das reflexões sobre o livre arbítrio (pág. 343) e a Magia ou Fraternidade Branca, para citar apenas alguns tópicos.
Assim, o livro “Avatāra” é um poderoso testemunho biográfico, confessional e interpelativo no qual qualquer indivíduo sério identificará uma busca muito exigente e eficaz de um caminho que conduza a Deus.
Seleccionei, para terminar, três excertos de “Avatāra” que nos elucidam sobre a beleza deste livro:

“Aquilo que fica depois de ti, é o amor que tu dás agora”
“Reconheço como inteligente aquele que vive em Deus”
“Não há local nenhum no mundo mais sagrado do que o meu interior”.
   


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