Fundação Maitreya
 
Curso de Meditação - 4ª Lição

de Maria Ferreira da Silva

em 26 Mar 2020

  Gradualmente, as práticas bem conseguidas levam a estados de Samādhi mais ou menos prolongados até alcançar um estado de Consciência constante, onde não há grande distinção e espaço entre os Samādhis. Permanecer nesse estado, quer dizer que foi alcançada outra dimensão ou outra consciência de viver, e significa, viver em estados superiores de Consciência, em Espírito. Para se atingir o estado de Samādhi, podem-se levar anos ou até vidas, contudo pode acontecer inesperadamente, dependendo da evolução feita em vidas anteriores.

Beatriz de Dante Gabriel RossettiAs Atitudes

Yāma e Niyāma

As atitudes consideradas no Yoga são: Yāma e Niyāma.
A eliminação das impurezas da mente (citta), realiza-se mediante os chamados oito passos do Yoga, e dividem-se em grupos.
Yāma, constitui as práticas de atitudes do exterior. Niyāma, corresponde a atitudes do interior.

O 1º Passo, os Yāma destinam-se a prover uma base moral e um suporte ético, para a transmutação de carácter que se opera na vida do praticante. As práticas incluídas em yāma são de ordem moral e proibitivas, enquanto as de niyāma são disciplinares e construtivas.
Yāma significa abstinências e tem cinco atitudes distintas:
Ahiṃsā - não violência.
Satya - dizer a verdade.
Asteya - não aproveitar-se de uma situação. Não roubar.
Brahmācārya - castidade, e também qualidade de acção.
Aparigraha - não usurpar, receber exactamente o que é justo, não acumular.

2º Passo, os Niyāma, são também atitudes, mas para connosco: observâncias.
O 1º elemento, é pureza e significa, limpeza externa e interna do corpo: pureza corporal e mental.
O 2º elemento, é Saṃtoṣa; sentimento de contentamento. Por vezes temos expectativas em coisas que não chegam a realizar-se e ficamos decepcionados; em lugar do desespero ou infelicidade, devemos manter um sentimento de aceitação frente ao que não podemos mudar.
Os outros três elementos dentro do Niyāma são: Tapas, purificação - Svādhiyāya, estudo - e Īśvara Praṇidhāna, Amor ao Senhor (já falados) respectivamente: a ascese, o estudo e a entrega a Deus. E assim estão concluídos os cincos Niyāmas.
O 3º Passo, do Yoga é o Āsana
O 4º Passo, é o Prāṇayāma.

O 5º Passo, corresponde a Pratyāhāra. Significa, suspensão dos sentidos. Quer dizer, abster-se daquilo com que nos alimentamos, ou seja quando os sentidos se abstêm de se alimentar com os “objectos”, isto é Pratyāhāra. Deixar de se identificar com os objectos (no sentido de emoções e sentimentos descontrolados) é criar desapego. A Meditação contribui para diminuirmos a relação exagerada, (apego) com os “objectos” e sentimentos de posse com os outros.
Apego – significa o desejo ardente de coisas e a sua função é produzir frustração.
O 6º Passo do Yoga é Dhāraṇa.
O 7º é Dhyāna.
O 8º é Samādhi.

Quando criamos condições de dirigir a mente para uma só direcção é Dhāraṇa.
A concentração, Dhāraṇa, significa “confinamento em um território”.
A mente é confinada a uma esfera limitada, definida pelo objecto de concentração. A mente está internada numa área mental e permite apenas uma escassa liberdade de movimentos, ou seja, há menos pensamentos.
Quando voltam os pensamentos, convém lembrar do objectivo da mente, que é a Concentração e voltar ao ponto de partida; nova Concentração, e assim sucessivamente, até ficar cada vez mais tempo sem distracção.
O que se requer é reduzir estas interrupções e finalmente eliminá-las por completo. Tão logo se inicie o controle da mente, entra em acção “Nirodha”, palavra que significa, “supressão”, restrição dos pensamentos, que é o resultado da Concentração e este estado Dhāraṇa é o ponto de escala para atingir Dhyāna.

O eventual aparecimento de distracções na mente (pensamentos) constitui a diferença entre Dhāraṇa e Dhyāna. Os pensamentos intrusos são as chamadas distracções, que se deveChakra  Ājnā procurar diminuir progressivamente.
Quando estamos interessados em uma coisa especial, começamos a investigar e estabelece-se então uma acção entre nós mesmos e o objecto de indagação. Esta comunicação contínua entre a mente e o “Objectivo”, chama-se Dhyāna, Meditação.
Dhyāna é o começo do contacto com o Samādhi.
Dhyāna envolve todos os processos mentais e exercícios que possam ajudar a reduzir os obstáculos da ignorância (avidyā), passando-os de activos à condição de passivos. Implica mudança de pensamentos e atitudes.

Em Meditação a mente deve ficar absorvida pelo objectivo da Meditação.
Quando a mente está absorvida em si própria, onde os sentidos não se relacionam com o exterior, significa desprendimento dos sentidos.
Quando por fim, por meio desta (Dhyāna) se está absorto no “Objecto Eleito” e a mente se funde completamente nele, chama-se Samādhi.
Samādhi - significa estar tão “absorvido” pelo “Objecto”, que parece que não existimos. Deixamos de sentir a forma, o corpo, e a identificação com o “Objecto” (Deus) é total.
Samādhis são estados mentais super-conscientes os quais conduzem a um fim, a Kaivalya. Gradualmente, as práticas bem conseguidas levam a estados de Samādhi mais ou menos prolongados até alcançar um estado de Consciência constante, onde não há grande distinção e espaço entre os Samādhis. Permanecer nesse estado, quer dizer que foi alcançada outra dimensão ou outra consciência de viver, e significa, viver em estados superiores de Consciência, em Espírito. Para se atingir o estado de Samādhi, podem-se levar anos ou até vidas, contudo pode acontecer inesperadamente, dependendo da evolução feita em vidas anteriores.
Samādhi é mergulhar na própria Consciência ao nível da Mente Divina.

Cada estágio sucessivo de Samādhi revela à nossa consciência uma realidade mais profunda do “Objecto”.
Cada Samādhi rompe mais uma camada oculta no interior dessa Realidade Suprema, e nela se integra.
Só depois desta passagem entre os Samādhis, se pode sentir o estado de Kaivalya, que significa “isolamento”; aquele que traduzido à letra quer dizer, está “separado”. Kaivalya é um estado interior de liberdade, em que mesmo estando e agindo no mundo não se compromete nem se deixa influenciar por ele. Tem uma actuação segura em qualquer circunstância. Kaivalya é o mais completo efeito de Sam€dhi exercido sobre uma pessoa.
Acontece Kaivalya quando a matéria (corpo físico) está controlada. Não há mais oscilação, há sempre uma direcção determinada e foi alcançado o “Objectivo”. Mas, não é o final do caminho espiritual, pelo contrário é o começo de nova escalada...

Voltando atrás, consideremos de novo a prática da respiração, o Prāṇayāma.
No exercício do Prāṇayāma não há movimento do corpo, apenas a concentração no movimento dinâmico da respiração: inspiração e expiração.
Seguindo o movimento da respiração, deve fazer-se e sentir-se a inspiração desde o nível interno das clavículas até ao diafragma.
Durante a expiração é ao contrário, começando com a contracção no abdómen. As técnicas da respiração são variadas, e cada um deve procurar executá-las de acordo com o seu próprio ritmo e ter em conta, que são apenas uma preparação para a Meditação. O Prāṇayāma tem como objectivo fornecer maior quantidade de Prāṇa ao organismo, purificando e preparando-o para a Meditação.
A respiração envolve a limpeza energética pela corrente prânica que circula pelos sete Chakras principais do corpo etérico agregado ao corpo físico.

Tempo de Meditação

Sentado na posição de Yoga, aprenda a controlar a respiração cChakra Anāhata (Coração)om exercícios de inspiração e expiração.

Ao fim de algum tempo verifica que a mente está mais calma, e que a prática da respiração exerceu um efeito de Concentração. É o começo da Meditação.

A prática da Respiração, a Concentração e a Meditação são os elementos que lhe deixamos para trabalhar.

Breve explicação sobre os Chakras.
Os chakras são rodas, centros nervosos ligados por canais de energia subtil à coluna vertebral, e estão situados em vários pontos do corpo em correspondência com certos órgãos físicos vitais. Há uma relação estreita entre os chakras, pontos de forças que pertencem ao corpo etérico por onde passa o Prāṇa, e os órgãos físicos. Estes vórtices de energia mantêm a vida no organismo físico, psíquico e espiritual e são fundamentais para o equilíbrio biológico e psicológico. É importante que o Prāṇa circule livremente pelos centros principais, e os mantenha em perfeito movimento. A respiração, prāṇayāma, ajuda a dispersar as energias conflituosas (emoções exageradas e sentimentos inferiores), que possam concentrar-se nesses pontos para que a energia flua sem obstáculos. Eles situam-se em sete pontos.

Os sete Chakras principais.

1º- Chakra Mūladhāra. Rádio- corresponde com a região do cóccix. Elemento Terra.
É a sede da kuṇḍalinī enroscada, a energia vital ou a força de vida.
Está ligada com a ilusão, a cólera, a cobiça e a sensualidade. São aspectos primários da existência humana. O desejo actua como força motivadora, como ímpeto básico do desenvolvimento do indivíduo.

2º - Chakra Svādhiṣṭhāna. Sacro, ligeiramente acima dos órgãos genitais. Elemento Água. Está ligado à procriação e à fantasia. Na forma positiva inspira a criar.
Sentido predominante é o gosto, órgão sensível é a língua. Ligado ao plano astral e tudo que implica desejo, gozo.

3º - Chakra Manipūra. Solar, corresponde à região do umbigo, plexo solar. Elemento Fogo.
Está ligado aos aspectos da visão, da forma, ao ego e à cor. Sentido predominante: vista. Órgão sensível: olhos.
O domínio deste chakra é o esforço por obter-se conhecimento e poder pessoal. O equilíbrio é o serviço desinteressado: servir sem desejo de recompensa. Abarca o karma, a caridade, horror aos próprios erros, boas companhias.

4º - Chakra Anāhata. Coração. Plexo cardíaco, corresponde à área do coração. Elemento Ar.
Aspectos: conseguir o equilíbrio entre os chakras que há acima do coração e os três abaixo. Sentido predominante: o tacto. Órgão sensível, o Pé.
Abarca a espiritualidade correcta, as boas tendências, os níveis de santidade, o equilíbrio e a fragrância, e o amor.

5º - Chakra Viśudha. Laringe. Localiza-se na garganta, frente à tiróide. Elemento Ākāśa: o Som. Aspectos: conhecimento, o plano humano. A palavra correcta.
Está ligado aos planos da Consciência. Abarca o conhecimento, o caminho que conduz ao verdadeiro nascimento do homem ao estado divino. Encarna a Consciência Cósmica.

6º - Chakra Ājñā. Frontal. Plexo medular em ligação com a glândula pineal: centro dos olhos.
Elemento Mahā Tattva. Mahā Tattva, representa a Alma Universal, a Inteligência Divina. Reúne as qualidades mais puras dos outros elementos. Está ligado ao Som AUM, à glândula pineal que contém o líquido cérebro espinal.
Regula o equilíbrio. As três correntes de energia: Idā, Piṅgalā e Suṣumna reúnem-se neste chakra. Abarca o plano da devoção espiritual. O próprio ser se converte numa manifestação divina.

7º - Chakra Sahāsrara. Coronário, corresponde à parte superior do crânio: plexo cerebral. Sede da Consciência. Elemento Luz. Reúne todos os elementos em sua essência pura. É Luz – o ser se ilumina como um sol. Ser perfeito.
A coluna dorsal – o princípio da coluna está ligada ao centro sexual e o final ao topo da cabeça, o 7º Chakra, o Sahāsrara. Depende da forma como orientamos a vida, a nossa energia, se para baixo para a terra ligada ao Mūladhāra, ou em direcção ao Cosmos: ao subir, fluirá em direcção ao interior de nós mesmos e à Mente Divina, ou Existência Absoluta.
   


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Impresso em 17/6/2021 às 3:06

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