Fundação Maitreya
 
Kornark

de Sandeep Silas

em 28 Ago 2006

  Nas margens da baía de Bengala, se ergue o templo de Kornark, como uma união orgulhosa com o Sol poderoso. Esse templo do Sol, carinhosamente chamado de “Pagode Negro” é, talvez, a primeira tentativa feita pelos homens do período medieval de construir um pino na terra para o voo ao Sol. No esforço de captar vários temperamentos do Sol à medida que o dia avança, o Sol foi celebrado de maneira singular. Pode-se dizer de forma segura que é uma reacção do homem que tenta atingir a força elementar mais forte e mais ardente. Nunca se assistiu a essa comunhão de mentalidades e elemento.



Roda do Carro do SolCelebrando o Sol

O Templo do Sol encontra-se apenas a 35 quilómetros do templo da pequena cidade chamada Puri. A viagem por estrada é agradável. Os coqueiros que salpicam o horizonte fazem-nos companhia. Cajueiros além de muitas lagoas de lótus oferecem um langor àquela área que se permeia até pelo rígido exterior. É importante notar que as flores de lótus abertas no mês de Outubro são todas brancas. Elas transmitem a perfeita mensagem de paz.

De vez em quando o nosso olhar cai sobre um aglomerado vermelho vivo de figuras esculpidas. Não se consegue controlar o impulso de observar de perto. A apresentação debaixo de um teto de palha é em escadaria que sobe na direcção ao céu.
As esculturas ocupam a imaginação do escultor tanto quanto elas poderiam ser expandidas. Elas apresentam temas de Ganesha reclinado, Śrī Kṛṣna, Lakṣmī Nārāyaṇa, Rāma Sitā, Durga e Buddha. Sem estarem limitadas pelas fronteiras religiosas, o artista imortalizou a mulher com um cântaro sobre os ombros, enquanto uma gazela acaricia seus pés. Essas influências do conhecimento religioso e as observações de belas representações combinam-se para incendiar um forte rasto emotivo pelo mar.

O arenito (localmente chamado Sahan) e serpentino (popularmente conhecido por Kendumundi) foram pedras usadas para esculpir essas figuras. A primeira apresenta uma cor vermelha ferrugem e a segunda é verde escura cobiçada. Embora as cores variem, o efeito criado no psíquico é uniforme.

À medida que você vai mais adiante irá encontrar a praia de Chandrabhaga. O Templo do Sol encontra-se a apenas três quilómetros de distância, mas o mar em Chandrabhaga atrai a sua atenção imediatamente; ela urge, espuma a anela como milhares de vidros de cristal que tocam ao mesmo tempo. Aqui a água é verde. À distância pode-se observar um grupo de barcos de pesca como setas acentuadas. As viagenTemplo de Konarks de barco demonstram a cor dos seus laços emocionais com o mar. Acredita-se que o nascer do sol em Chandrabhaga é uma experiência cintilante.

Finalmente chegamos ao ponto de atracção – o Templo do Sol, Kornark. O visual cria uma tempestade diante dos nossos olhos, talvez tão poderosa como o esforço do templo em emular os passos do deus do Sol. O ambicioso Rei Narasimha da Dinastia de Ganga em 1255 a.C. se elevou como o calor do Sol.
Lá fervia um templo, desenhado como uma carruagem puxada por vinte e quatro gigantescas rodas de pedra esculpidas exoticamente. O templo da carruagem é puxado por uma equipe de sete cavalos com espírito e simbolizam o sol forte, potente e sem misericórdia. A entrada é fascinante. Dois leões monstruosos montados sobre elefantes aos gritos foram colocados no primeiro portão. Por sua vez, os elefantes têm um homem preso nas trombas enroladas.
Depende da imaginação de cada um concluir de o leão é forte ou se o elefante é mais forte ou finalmente se o homem débil é mais poderoso do que os outros.
O que é evidente é que todos os três foram usados para constituir uma espécie de trio inconquistável que guarda o portão do templo através dos séculos que passam.

O templo ocupa uma área de doze hectares. Acima das escadas da entrada encontra-se o Natyamandap (pavilhão de dança) celebrando as formas de dança indiana; 128 posturas de dança foram estilizadas nas esculturas de pedra. Se fechar os olhos e poder concentrar-se, vai escutar o pavilhão que se levanta aos sons dos címbalos, tambores, flautas, trombetas e passos de dança que combinam com o ritmo. As figuras esculpidas estão normalmente a sós, ou por vezes em grupo sobre os cantos. Qualquer que seja o estilo da apresentação, o efeito é de charme e graça submissa. Barulhos e suspiros combinam para apresentar um quadro de encontro amoroso que é difícil de controlar ou evitar.

Levante os olhos e diante de si ergue-se o templo que desafia o Sol.Surya Todos os dias quando o Sol nasce na Baía de Bengala os seus primeiros raios suaves penetram no sanctum sanctorum como sinal de respeito e adoração. Depois, enquanto avança, ele abraça o templo lançando reflexos brilhantes sobre suas próprias representações. As imagens colossais da manhã, meio-dia e do pôr-do-sol são iluminadas pelos seus passos. Essas três figuras vigiam as três entradas que se aproximam – a Singhdwar, Gajdwar e Ashokdwar. O templo torna-se o centro do sol e ambos vivem em união amorosa durante o dia inteiro.

A lenda conta que um magnete com 53 toneladas foi colocado no topo da abóbada enquanto o magnete de 10 toneladas foi colocado na garbha griha. O fluxo magnético balança mais do que é visível pelo olho nu. O ídolo de Surya foi feito de Ashtadhatu (oito metais) e foi colocado no sanctum sanctorum.
Infelizmente, os interiores do templo foram preenchidos por ordem do honrado J.A.Bourdillon C.S.I. Tenente Governador de Bengala em 1903 a.C.
Isso foi feito para impedir o desabar eminente do templo ameaçado pelo clima e pelo tempo. Portanto, ele foi conservado e foi declarado como monumento pertencente ao Património Mundial.

É interessante notar que as quatro enormes rodas do templo que se assemelham a uma carruagem simbolizam a divisão do tempo e cada um deles significa uma quinzena. Cada roda é ainda dividida por oito raios que representam oito partes (Ashtaprahar) de um dia.
Cerca de 22.000 esculturas de pedra enfeitam o templo de maneira complexa.
Se se olhar de perto, existe uma cuidadosa separação entre as imagens de animais e seres humanos. No primeiro degrau vê-se principalmente figuras de animais – na maioria elefantes, No segundo vê-se imagens de pessoas sozinhas ou casais mas não grandes no tamanho. As imagens no topo são relevantes e eróticas. A sua exposição na estrutura do templo tinha o objectivo de oferecer à divindade o acto sexual. A união humana era considerada suprema e pura. São também apresentadas cenas de guerra, comércio, trocas na corte, caça, ensinamentos de sábios, nascimento de uma criança, trabalhos do dia a dia, figuras místicas e formas de dança.

A carruagem do sol transporta na sua marcha ruidosa as acções de um completo ciclo de vida. Nenhum aspecto é ignorado. A imaginação do homem colocou o ritmo na pedra. O efeito é completo. Os raios do sol cercam o templo, perpetuam a crença de que o ciclo de vida deve continuar.

Cortesia da Revista India Perspectives
   


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