Fundação Maitreya
 
A Morte - Início de Vida? II Parte

de Zelinda Mendonça

em 23 Out 2006

  Na primeira parte do trabalho consideramos as diferentes concepções de morte, porque se tem medo da morte e por último as Experiências de Quase Morte (E.Q.M.) vividas por muitos milhares de pessoas em todo o mundo que apontam no sentido da esperança de vida após o momento da morte clínica. A conclusão desta primeira parte aponta assim para a inevitabilidade da vida após a morte física.

Reencontro após a morte de Burne-JonesII Parte

Introdução

Embora a ciência ainda não dê por provado tal facto, muitos homens de ciência já o consideram fortemente viável pela evidência dos factos.
Nesta segunda parte vamos confrontar a recolha feita na primeira parte (baseada em depoimentos e experiências relacionadas com a morte) com o pensamento filosófico expresso por diversos pensadores e pelas concepções que nos são oferecidas pelas principais religiões do mundo, para, em termos finais, podermos constatar que apesar de relatado de formas diferentes todas essas doutrinas apontam para a mesma conclusão a que se chegou na primeira parte
Existem grandes semelhanças entre o que é relatado nas E.Q.M. e o que foi dito ao longo da história do homem sobre a Terra nas grandes Filosofias e Religiões.

Ken Wilber por exemplo, considerado por muitos como um fecundo pensador e um dos mais influentes filósofos do nosso tempo, que fez a síntese entre o Ocidente e o Oriente, entre o hemisfério direito (racional e analítico) e o hemisfério esquerdo (intuitivo e sintético) no seu artigo “Morte, Renascimento e Meditação” no livro “Vida Depois da Morte” refere que “a dissolução da grande cadeia do ser”, segundo “A Filosofia Perene” nos seus vários ramos, está de acordo com a dissolução e que esta se dá “de baixo para cima”. O corpo dissolve-se em mente (este é o próprio processo da morte física) a mente dissolve-se em alma (revisão e julgamento da vida da pessoa) a alma dissolve-se em espírito (libertação e transcendência radical). Depois dá-se o processo “inverso” com base nas tendências karmicas acumuladas e gera-se uma alma a partir do espírito, depois uma mente a partir da alma, por fim um corpo a partir da mente onde a pessoa esquece tudo e se encontra renascida num corpo físico.

O mesmo filósofo refere que esta doutrina da reencarnação é praticamente de toda a tradição religiosa mística no mundo inteiro. Até mesmo o cristianismo a aceitou até cerca do século IV d.C. quando por razões maioritariamente políticas, fez dela anátema. No entanto, hoje em dia, muitos místicos cristãos aceitam a ideia. O Teólogo cristão John Hick na sua importante obra “Death and Eternal Life” (Morte e Vida Eterna) refere que o consenso das religiões do mundo, incluindo o cristianismo, é que ocorre algum tipo de reencarnação.

Iniciaremos este estudo referindo os textos mais antigos de que há memória relativamente à temática da morte.

O LIVRO DOS MORTOS, também conhecido por LIVRO DE SAIR À LUZ, do Antigo Egipto que nos surge pela primeira vez como um conjunto de textos (já em forma de livro) na XVIII dinastia (cerca de 1550 a.C.) mas a sua origem remonta ao reinado de Unas (cerca de 2345 a.C.), último rei da V dinastia. Estes textos estão gravados na pirâmide real de UNAS

Os conceitos integrados em “O Livro dos Mortos” foram adoptados pelos sistemas filosóficos e religiosos um pouco por todo o Mundo.

- no Taoísmo (China)
- nas religiões orientais incluindo o Budismo
- no Druidismo (religião dos antigos celtas)
- na Cabala judaica
- no Zoroastrianismo persa
- no Gnosticismo cristão
- na Filosofia grega
- no Hinduísmo.

Muitas pessoas foram educadas no Egipto Antigo como por exemplo:

Moisés
Pitágoras
Platão
Sólon
Homero

A religião do Egipto não foi construída a partir da vida de uma personalidade, dum indivíduo ou profeta, mas sim de acordo com as leis naturais.
A salvação egípcia foi baseada na sinceridade e no comportamento da pessoa durante a sua vida.
É responsabilidade do ser vivo adquirir poder alcançando unidade com os seus órgãos e enchendo a casa da vida (o corpo) de luz, de forma que possam viver eternamente.
O conhecimento confere o poder de agir de acordo com a verdade e origina a vida, enquanto a ignorância cega causa a morte.
Um ser humano precisa de um mapa para viajar, tanto nesta vida como na outra. (Como se pode caminhar pela vida, após a morte, sem saber o caminho?).
Os antigos egípcios entendiam a vida como uma viagem eterna e acreditavam que todos nasciam com diferentes quantias de desenvolvimento espiritual, relativas aos esforços realizados em vidas passadas.
Os seres humanos devem tornar-se iluminados para encontrar o caminho nas trevas.
Todos somos viajantes da eternidade, portanto todos necessitamos de iniciação verdadeira neste conhecimento.
O Livro dos Mortos egípcio tem um conteúdo bastante heterogéneo (ao qual não é alheio a diversidade temporal da origem dos textos) como:
- hinos
- prescrições
- orações
- indicações sobre as divindades que o morto devia conhecer
- textos mágicos de protecção contra determinados animais
- etc.
Todos os egípcios “sonhavam” fazer-se acompanhar de um “livro dos mortos”, na sua viagem para o além. Tamanho e temática eram variáveis dependendo do poder económico do encomendador, da quantidade e qualidade dos escribas que o produziam e o tempo de que dispunham para o fazer.
O maior e mais perfeito, melhor conservado e iluminado de todos os papiros que sobreviveram até nós é o “Papiro de Ani”. É o exemplo de livro funerário típico dos nobres tebanos do Império Novo. Neste papiro encontramos esta visão fascinante da vida do homem sobre a Terra:

«Veja, não está escrito neste pergaminho? Leia, tu que descobrirás nas eras futuras, se Deus lhe der o poder de ler. Leia criança do futuro, e aprenda os segredos do que é superior a tudo mais e que está tão longe de ti, ainda que na realidade esteja tão próximo. Os homens não vivem apenas uma vez e depois desaparecem para sempre; vivem inúmeras vidas em diferentes lugares, mas nem sempre neste mesmo mundo e, em cada, há um véu de sombras. As portas finalmente se abrirão e veremos todos os lugares que nossos pés percorreram desde o princípio dos tempos. Nossa religião nos ensina que vivemos para a eternidade. No entanto, como a eternidade não tem fim, não pode ter um começo; é um círculo. Consequentemente, se a unidade é verdadeira, isto é vivemos eternamente, o contrário também deve ser verdadeiro, ou seja sempre existimos. Aos olhos dos homens Deus tem muitas faces e cada um jura que viu a verdade e o Deus único. Mesmo que não seja assim, todas essas faces são apenas faces de Deus. Nosso Ka, que é nosso duplo, nos revela tais faces de diferentes modos. Das profundezas ilimitadas da fonte de sabedoria, que está oculta na essência de cada homem, percebemos grãos de verdade, que conferem o poder para realizar coisas maravilhosas àqueles dentre nós que têm o conhecimento».


No livro dos mortos, os egípcios encontravam os caminhos possíveis para a vida.
A magia das fórmulas era de dois tipos:
- OPERATIVO – produzindo determinados efeitos.
- DEFENSIVO – contra perigos vários … mas, garantiam os egípcios antigos, eram sempre eficazes.
Osíris e Rá são símbolos de imortalidade e de eternidade.

No cortejo fúnebre o sarcófago ia sobre a barca solar com o morto, que à semelhança de Rá era transportado para o Além e era acompanhado de todos os seus pertences.
Toda a acção se desenvolvia tendo em conta os rituais purificadores, a cerimónia de abertura da boca, orações dirigidas aos deuses do Além de forma a ser bem recebido. Era-lhe apresentado o percurso e as fórmulas que lhe permitiam a vitória sobre os seus inimigos, hinos dirigidos aos deuses, era feita a solarização do morto (identificação com o Sol, Rá). O morto tornava-se imperecível, inatacável, podia agora viver como um deus. Dava-se a “transfiguração”. O morto teria a sua morada fixa em Heliópolis, a cidade sagrada do Sol. Podia conduzir a barca de Rá navegando pelo céu. Depois desta viagem, o morto entrava no mundo subterrâneo (existiam fórmulas próprias para a sua abertura) e era protegido dos seus inimigos por fórmulas adequadas.
Entrava em Abidos e participava da comitiva de Osíris.

A última divisão do Livro dos Mortos agrupa capítulos adicionais ou suplementares cuja unidade reside na homenagem prestada a Osíris, em forma de Rá, no mundo subterrâneo.

Nos capítulos finais fala do aparecimento do pecado, do Dilúvio purificador, donde surgirá o Demiurgo na sua forma primeira de serpente e do surgimento de Osíris como rei, no trono de Rá em Heracleópolis.
A parte final do livro versa a glorificação de Osíris-Rá, a quem o morto se apresenta como Horus seu herdeiro e como Tot, protector por excelência.

Os Vedas

- Estes são os mais antigos textos do Hinduísmo
- os mais antigos escritos são de 1500 a.C. embora a tradição oral seja mais antiga
- foram codificados cerca de 600 a. C.
- contêm:
- hinos
- orações
- encantamentos
- rituais da Índia Antiga

Os Upaniṣads

- são parte da filosofia védica
- foram escritos entre 800 e 400 a.C.
- referem como a alma (Ātman) pode ser unida com a verdade final (Brahman)
- o Upaniṣad Katha – fala do mito de Naciketa e de como este venceu a morte.

O mito de Vjasravas e de Naciketa

Vjasravas – simboliza as práticas religiosas ordenadas pelas escrituras
- representa a religião tradicional ou convencional
- requer a observância de práticas externas para obter
recompensas celestes.
Naciketa - significa o misticismo na religião, algo que está além da percepção, algo que está além da extensão normal da percepção.

Vajasravas, o pai, realizava caridade.
Naciketa, o filho, descobre que esse padrão de caridade era destituído de do verdadeiro espírito caritativo.

Assim, o misticismo revolta-se contra a religião tradicional.

Mas o que pode um jovem contra o poderoso pai?
O jovem pergunta insistentemente a quem o pai o vai dar. O pai finge não ouvir, mas perante a insistência responde:
«eu te dou para a morte!».
Naciketa é apanhado de surpresa, mas não há nada a fazer. O pai fica cheio de remorsos, o filho tenta consolá-lo dizendo que todos os homens no passado e todos os que virão falecerão e que um mortal é como um grão que morre e renasce.
Isto revela que – a morte é coisa normal e que Naciketa era conhecedor da reencarnação em que nascimento e morte são ciclos recorrentes.

Naciketa segue para o palácio de Yama, o senhor da morte.
Yama não estava lá e Naciketa espera três noites. Como recompensa das três noites em que esteve esperando Yama dá a possibilidade de Naciketa fazer três pedidos.

1º pedido – Naciketa pede que seu pai seja apaziguado da raiva e possa ser feliz e livre da animosidade e que se lembre dele e lhe dê as boas vindas depois de deixar o palácio da morte, de forma que a sua passagem através do estado emocional seja livre de dor e de angústia.

2º pedido - Naciketa pretende conhecer “aquele fogo sagrado que conduz ao céu”. Yama fica satisfeito com o seu pedido e então transmite-lhe todos os detalhes com relação à luz desse fogo. Está tão satisfeito que lhe adiciona uma nova dádiva – esse fogo sagrado no futuro será conhecido como “o fogo de Naciketa” em sua honra. “Esse é o fogo que conduz ao céu”.
Naciketa não estava buscando a aparentemente interminável continuidade do mundo celeste, pois sabia que essa continuidade TINHA FIM. Ele estava ciente do facto da reencarnação, mas a condição pos-morte e a reencarnação lhe pareciam uma cadeia incessante destituída de significado e propósito.

3º pedido – diz Naciketa que quando um homem morre, surge esta dúvida: - alguns dizem que há uma “existência” e alguns dizem que há uma “não-existência”. Conte-me a verdade, e que essa seja a minha terceira dádiva.

Yama sente-se embaraçado com o pedido de Naciketa e faz tudo para o dissuadir. Não o consegue, porque Naciketa não se deixa tentar pelos “prazeres que se desvanecem”, com as riquezas, porque estas são passageiras e estão sob o domínio do deus da morte enquanto ele estiver no poder.
Perante a perseverança de Naciketa, Yama aceita-o como seu discípulo e inicia os seus ensinamentos.

Yama confirma que os tesouros se evolam. O eterno não é alcançado pelo transitório. Afirma que “quando o sábio descansa o espírito na contemplação do nosso Deus que está fora do tempo, então esse eleva-se acima dos prazeres e penares”.
Naciketa pergunta-lhe “o que há para além do bem e do mal, do que se faz e não se faz, do passado e do futuro”. Yama responde que a palavra que todos os Vedas glorificam é OM = a Brahman. Quando a conhecemos então é-se grande no céu de Brahman.
Para alcançar Brahman é preciso conhecer Ātman (o espírito, o Eu)

Ātman, nunca nasce, nunca morre, estando imóvel vagueia por longe, dormindo vai a toda a parte. Está fora do tempo e encontra-se encerrado no coração de todos os seres.
Todo o homem que prescinde da sua vontade humana, deixa as tristezas para trás e pela graça do Criador contempla a glória de Ātman.
Quando os sábios compreendem o Espírito Omnipresente que permanece invisível no visível e permanente na não permanência, então ultrapassa a tristeza.
Ātman não é alcançado por meio de estudos nem do intelecto, nem de estudos sagrados – é alcançado por aqueles que Ele escolheu porque o escolheram a Ele. Aos seus escolhidos revela Ātman a sua glória.
Ātman é atingido quando os caminhos do mal são abandonados, quando haja descanso dos sentidos, concentração do espírito e paz no coração. O poder de Ātman vence sacerdotes, guerreiros e a própria morte.
O Criador fez os sentidos voltados para fora, para o exterior, para a matéria. Mas o sábio que procura a imortalidade olha para o interior de si próprio e encontra a sua alma (Ātman).

Todos os mundos se apoiam em Brahman e para além dele ninguém pode ir. Como o fogo, que embora um, toma novas formas em todas as coisas que ardem, assim também o Espírito (Brahman), embora um, toma novas formas em todas as coisas que vivem. Ele está dentro de tudo e fora também.
Só os sábios que o vêem na sua alma, obtêm a paz eterna e assim compreendem o inefável júbilo supremo.
Como pode “isto”ser conhecido? Será que ele dá luz? Ou serUma Alma sobe ao Céu de Burne-Jonesá que reflecte luz?
Lá não brilha o sol, nem a lua, nem as estrelas, nem os relâmpagos, e muito menos o fogo terrestre. É com a sua luz que todos estes dão luz, e o seu fulgor ilumina a criação.
Brahman é o espírito puro que na verdade é chamado imortal. Todos os mundos se apoiam nesse espírito, e para além dele ninguém pode ir.
Todo o Universo dele provém. Aqueles que o conhecem encontram a imortalidade
Todo aquele que o vê nesta vida, antes do corpo perecer, esse fica livre da escravidão; caso contrário, o homem nasce e morre novamente em novos mundos e novas criações.
Brahman pode ver-se numa alma pura como se fosse um límpido espelho.
Brahman não pode ser visto com os olhos mortais, mas pode ser visto por um coração puro, por uma mente e pensamentos puros.
Quando os cinco sentidos e a mente estão parados e a própria razão descansa em silêncio, então começa o caminho supremo.
Quando desamarra todos os laços que lhe prendem o coração, então um mortal torna-se imortal.

São estes os ensinamentos sagrados.

E assim Naciketa aprendeu a suprema sabedoria. E assim igualmente acontecerá a todo aquele que conhece o seu Ātman, o seu Eu Superior.

A TRADIÇÃO CRISTÃ

O pensamento cristão, foi beber as suas ideologias nas tradições vindas do judaísmo (também da Babilónia e da Grécia) onde surgem já conceitos de inferno (ou scheol, ou tártaro, ou Hades) e de céu.

Inferno – era a morada dos mortos, onde se vivia uma vida miserável longe do olhar de Deus. Só mais tarde é considerado o local onde os maus recebem o castigo e está sempre em oposição ao Céu.
Céu – é o estado ou lugar perfeitos. É a morada de Deus ou dos deuses e bem-aventurados.
(No Islão a imagem usada para o céu é a do Jardim – “os Jardins do Paraíso, debaixo dos quais correm rios”).
No Cristianismo considera-se que com a morte e ressurreição de Cristo a morte deixou de ser um fim mas uma passagem para a vida eterna.

Já no século XV (1492) vai surgir no cristianismo, como forma de acompanhar a viagem dos mortos, o texto que ficou conhecido por “Ars Moriendi”.
Na linguagem simbólica da época fala-se de um combate entre o nosso anjo da luz e o nosso anjo das trevas.
Neste texto, feito para acompanhar “o último combate”, assinalam-se as várias provas que temos de passar e que são sete: a dúvida; o desespero; o apego; a cólera; a vanglória; a dúvida e a fé. Nesta última etapa há como que uma transfiguração, o rosto da pessoa “muda” e o “sopro” abandona-se finalmente no repouso.

Na tradição Ortodoxa a morte é chamada de Dormição. Acompanhar alguém nos seus derradeiros instantes é ajudá-lo a entrar em “Repouso”.
Segundo Jean-Yves Leloup estes rituais da Dormição ainda hoje são conhecidos e praticados nos mosteiros russos, gregos, egípcios, romenos, etc. – é o chamado Sacramento dos Doentes ou Extrema – Unção também praticado no mundo católico.
É um ritual existente desde os primeiros séculos do Cristianismo e que deve ser executado por um acompanhante. São sete as etapas: a compaixão; a invocação; a unção do óleo; a escuta; o perdão; a comunhão e a contemplação.
Acompanhante e acompanhado estão juntos na presença do mistério. A unção “abre as portas da casa que é corpo, para o Jardim, que é o Divino”. Há que escutar o moribundo, respeitá-lo não deixando que ele se feche sobre si, alertando para o infinito perdão divino. A vivência deve ser dos dois, em silêncio. A porta abre-se para o Jardim mas ainda falta dizer “vai…vai…eu permaneço aqui, mas contemplo a claridade através da janela; claridade que ainda imagino, quando tu já a vês. Estamos não obstante na mesma luz”… (Jean-Yves Leloup).

Já na actualidade o Professor de Teologia Leonardo Boff dedicou a sua atenção à temática da Morte e no seu livro “Vida para Além da Morte” faz um estudo profundo tendo como base a doutrina do Cristianismo católico.

Leonardo Boff refere que no Cristianismo existe a noção de Ressurreição.
No credo os cristão afirmam: «creio na ressurreição da carne e na vida eterna, ámen». Esta afirmação foi muitas vezes interpretada de forma literal. Mas Leonardo Boff refere «ressurreição não deve ser interpretado como reanimação de um cadáver (…) mas como a total e exaustiva realização das possibilidades latentes no homem, possibilidades de união íntima e hipostática com Deus, comunhão cósmica com todos os seres, superação de todos os liames e alienações que estigmatizam a nossa existência terrestre no processo de gestação».

«A felicidade que na terra gozamos, o bem que fazemos e as alegrias que saboreamos no dia a dia da existência são já vivência do céu (…) As dores que suportamos podem significar o processo purificador que nos faz crescer e abrir mais e mais para Deus e podem antecipar o Purgatório. O fechamento sobre si mesmo e a exclusão dos outros podem nos dar a experiência do Inferno que aqui o mau e o egoísta vão criando para si e que na morte recebe carácter definitivo, pleno».

«Pela morte o homem-alma não perde a sua corporalidade. Esta é-lhe essencial. Não deixa o mundo, penetra-o de forma mais radical e universal».

Para Leonardo Boff, « a ressurreição na morte não é totalmente plena: só o homem no seu núcleo pessoal participa da glorificação (…) Na morte cada qual ganhará o corpo que merece: ele será a perfeita expressão da interioridade humana, sem as estreitezas que envolvem o nosso presente corpo carnal».

«O corpo glorioso terá as qualidades do homem-espírito que são de universalidade e ubiquidade. Já Aristóteles observava que pelo espírito somos de alguma forma todas as coisas».

«O corpo transfigurado será em plenitude aquilo que em sua expressão temporal já realiza em deficiência: comunhão, presença, relacionamento com todo o Universo».

«A ressurreição manterá a identidade pessoal do nosso corpo. Mas não a sua identidade material, que varia de sete em sete anos (…) A ressurreição conferirá a cada qual a expressão própria, adequada à estrutura do homem interior».

«Na morte o homem exterior desmorona para deixar emergir cristalina ou negramente o homem interior que foi nascendo. Num momento vê-se a si mesmo, o que foi e não foi. E vendo-se o homem se auto -julga e assume a situação que lhe corresponde».

«Com a intuição penetrante da inteligência banhada pela graça de Deus, depara-se com a proximidade do mistério de Deus que o prevale até à raiz do ser».

«Normalmente o homem na morte se abre ou se fecha totalmente para aquilo que em vida se abriu ou se fechou».

O Purgatório
(amadurecimento em Deus)

Toda a vida do homem é um processo de amadurecimento pessoal que na morte deve desabrochar totalmente. Isto é válido para todos sejam eles cristãos, pagãos, crianças ou adultos.
Biologicamente o homem vai definhando, pessoalmente deve em ordem inversa, crescer e amadurecer até irromper na esfera divina.
Que acontece ao homem que chega ao final da vida sendo ele pecador e imperfeito? – Com Deus ninguém convive se não for totalmente de Deus. É aqui que reside o lugar teológico do purgatório – o homem imaturo carece de madureza. O homem pecador carece de santidade.
O Purgatório será a graciosa possibilidade que Deus concede ao homem de poder e dever na morte madurar radicalmente. É esse processo doloroso, no qual o homem na morte actualiza todas as suas possibilidades, se purifica de todas as pregas que a alienação pecaminosa foi estigmatizando a vida, pela história do pecado e suas consequências (mesmo após o seu perdão) e pelos mecanismos de maus hábitos adquiridos ao longo da vida.
Na Bíblia é-nos referido que nos lembremos e rezemos pelos mortos que embora invisíveis, não estão ausentes. S. Paulo não fala de purgatório mas num processo de crescimento na perfeição.

O INFERNO
(absoluta frustração humana)

O inferno é criado pelo condenado para si mesmo. É o endurecimento de uma pessoa no mal. É um estado do homem e não um lugar para o qual o pecador é lançado. É a máxima infelicidade que o homem pode realizar para si. Na Bíblia o inferno é referido metaforicamente como:
- fogo inextinguível
- choro e ranger de dentes
- as trevas exteriores
- o cárcere
- etc.

Segundo Leonardo Boff, «o valor destas imagens reside em nos mostrarem a situação do condenado como irreversível e sem esperança”
“Horrível é o dia quando percebe que tudo foi em vão, que não consegue nunca mais alcançar o seu objectivo».
A maior frustração é a ausência de Deus, uma existência absurda.

O Céu
(absoluta realização humana)

- «é o lugar onde Deus mora».
- «é a realidade transterrestre que constitui a atmosfera de Deus, infinita».
«Céu não é a parte invisível do mundo. É o próprio mundo, contudo no seu modo de completa perfeição e inserido no mistério do convívio divino».
O céu realiza o homem em todas as suas dimensões. É a total reconciliação do consciente com o inconsciente, das sombras com a luz, do homem com o cosmos
O céu começa na terra. É a potencialização daquilo que já na terra experimentamos.

O processo da morte de acordo com:

Livro Tibetano dos Mortos
O Bardo Thodol

Segundo os Tibetanos o processo completo da morte é de 49 dias e oito são os estádios de dissolução da grande cadeia
De acordo com entrevista feita ao Dalai-Lama e transcrita no livro “Emoções que Curam” os quatro primeiros estádios correspondem à morte clínica e os quatro últimos estádios são descritos de acordo com «certas experiências visionárias durante as quais algumas energias relativamente subtis ainda persistem, embora pouco a pouco se dissolvam, até que, finalmente, na conclusão do oitavo estádio, a energia mais subtil deixa de estar presente no corpo, não desaparece, mas separa-se do corpo. O seu apoio ao corpo cessa».

O facto de no Oriente as pessoas morrerem nas suas casas facilita a observação deste processo.

1º estádio – dissolve-se o agregado da forma ou matéria (é o nível mais
baixo) dissolve-se o elemento “terra”.

2º estádio – dissolve-se o agregado da sensação e a pessoa deixa de ter:
- sensações no corpo
- sensações mentais
- já não se detectam sons interiores ou exteriores

3º estádio – dissolve-se o agregado da percepção ou discernimento:
- não se reconhecem objectos
- não se reconhecem amigos ou familiares
- perde-se o calor do corpo
- a inalação é fraca e superficial
- já não se detectam cheiros
- dissolve-se o elemento “fogo” e predomina o elemento
“vento”

4º estádio – dissolve-se o impulso (ou “formações intencionais”):
- já não há movimentos
- já não há recordações de acções ou das suas finalidades
- toda a respiração cessa
- a língua torna-se grossa, já não se consegue falar com
clareza
- já não se consegue saborear
- o signo interno é uma espécie de “lamparina” descrita
como parecendo uma luz fixa, clara e brilhante

5º estádio – dissolve-se a mente grossa, o 5º nível ou agregado da
cognição, ou a própria consciência.
- dissolve-se a mente grossa
- dissolve-se a mente subtil
- dissolve-se a mente muito subtil
- deixa de haver mente ordinária
- durante este estádio, depois de morrer a mente grossa e
emergir a mente subtil experiência-se um estado
chamado “aspecto branco” que é uma luz branca muito
brilhante, muito clara, semelhante a uma clara noite de
Outono brilhantemente iluminada por uma lua cheia
resplandecente.

Para compreender o 5º estádio temos de considerar as 4 gotas ou essências.
- uma, a gota branca, está localizada na coroa da cabeça (recebemo-
la do pai) e representa a mente da iluminação,

- a segunda, é a gota vermelha e está localizada no umbigo
(recebemo-la da mãe),

- a terceira é a gota indestrutível para esta vida. Está localizada no
centro do chacra do coração (é a essência desta vida particular do
Indivíduo) e armazena todas as impressões e entendimentos deste
tempo de vida particular,

- dentro da terceira gota está a quarta gota que é eternamente
indestrutível,

A quarta gota permanece mesmo ao longo da iluminação e é de facto o vento muito subtil que serve como “montada” ou base do ser iluminado.
A 1ª mente subtil emergiu e está a cavalgar um vento subtil ou energia subtil correspondente. A causa, diz-se, para esta mente de aspecto branco é a descida da gota branca para o chacra do coração. Quando chega lá a mente de aspecto branco surge espontaneamente .

6º estádio – dissolve-se a mente subtil, surgindo uma mente ainda mais
subtil chamado “acréscimo vermelho”. É uma luz brilhante
semelhante a um claro dia de Outono invadido pela luz do sol
brilhante. A gota vermelha sobe até à gota indestrutível no
coração. Quando chega lá, a mente do “acréscimo vermelho”
surge espontaneamente.

Uma Alma recebida no Paraíso de Burne-Jones7º estádio – dissolve-se a mente subtil do “acréscimo vermelho” e a
emergência de uma mente e vento ainda mais subtil, é
chamada “a mente escura do quase atingir”. Aqui cessa toda
a consciência e dissolvem-se todas as manifestações.
Cessam todas as consciências e energias específicas que
foram desenvolvidas em vida.
É uma experiência de noite totalmente escura, sem
estrelas, sem luz. Esta escuridão ocorre porque a gota
branca e a gota vermelha envolveram a gota indestrutível,
impedindo todo e qualquer conhecimento.

8º estádio – a gota branca continua a descer, a gota vermelha continua
a subir, libertando ou abrindo a gota indestrutível. Desta
abertura resulta um período de extraordinária clareza e
brilhante conhecimento que é experimentado como um céu
extremamente claro, brilhante e radioso, livre de qualquer tipo
de imperfeições, sem nenhuma nuvem, sem nenhuma
obstrução. Isto é “a luz clara”. A mente de luz clara é uma
mente muito subtil e cavalga um vento ou energia também
muito subtil.

Esta mente e energia muito subtis ou causais são de facto a mente e energia da gota eternamente indestrutível – este é o corpo causal, a suprema mente e energias espirituais.

Nesta altura a gota eternamente indestrutível liberta a gota indestrutível desta vida.
- cessa toda a consciência,
- a gota eternamente indestrutível começa a experiência do
“bardo” ou os estados intermédios que acabarão por levar
ao renascimento.
- a gota branca continua a descer e aparece como uma gota de
sémen no órgão sexual,
- a gota vermelha continua a subir e aparece como uma gota de
sangue nas narinas.
- por fim deu-se a morte e podemos livrar-nos do corpo.


O bardo divide-se em três reinos básicos ou estádios que são simplesmente os reinos do espírito.
A alma (a gota eternamente indestrutível) de acordo com a sua virtude e sabedoria vai reconhecer as dimensões mais elevadas e manter-se nelas

- ou não as reconhece (na verdade fugirá delas) e assim vai acabar por percorrer no sentido descendente a grande cadeia do ser, até que é forçada a adoptar um corpo grosso físico, e consequentemente a renascer

No momento da morte verdadeira (8º estádio) a “gota indestrutível” (alma) entra no chikai bardo (o espírito). Ao vislumbrar este “Bardo da Luz Clara da Realidade” a maioria das pessoas não sabe reconhecer este estado por aquilo que ele é.

É Por isto que a Meditação e o trabalho Espiritual se tornam importantes no reconhecimento deste estado

Quem não conhece Deus não sabe quando Ele está mesmo à sua frente.

É neste momento que se é Um com Deus – Há uma identificação total e completa com Deus.

Mas para reconhecer essa identidade é necessário ter muito treino em termos contemplativos para reconhecer esse estado de divina unidade, o que acontece é que se vai mesmo fugir dele impelidos pelos desejos e propensões karmicas, pelos pensamentos de personalidade, de ser individualizado, de dualismo, perdemos o equilíbrio e afastamo-nos da luz clara.

Então a alma contrai-se para longe de Deus, para longe do causal. Diz-se mesmo que a alma procura escapar da compreensão da unidade divina e “escurece” até despertar no reino imediatamente abaixo o chamado “chonyid bardo”, a dimensão subtil, a dimensão dos arquétipos.

Esta experiência é marcada por todo o tipo de visões psíquicas e subtis, visões de deuses e deusas, tudo acompanhado de luzes, iluminações e cores estonteantes e brilhantes de forma quase dolorosa.

Mas mais uma vez a maior parte das pessoas não está habituada a este estado e não faz ideia do que é a luz transcendental e a iluminação divina, e foge novamente destes fenómenos e é atraída por “luzes fracas ou impuras” que também aparecem.

Assim a alma contrai-se para escapar a estas visões, “escurece” novamente e acorda no “sidpa bardo”, o reino reflector do “grosso”.

Aqui a alma acaba por ter uma visão dos seus futuros pais a fazerem amor e ao vê-los é emocionalmente puxada para eles por razões karmicas.
Ao interpor-se entre os dois acaba por renascer como filho de ambos.

Agora tem – DESEJOS
- ATRACÇÕES
- AVERSÕES, é um corpo grosso, é um SER HUMANO e está no estádio mais baixo da GRANDE CADEIA. O seu crescimento e desenvolvimento será uma escalada pelos estádios que acabou de negar, a SUA EVOLUÇÃO SERÁ A INVERSÃO DA QUEDA.

AS FORMAS DE ENCARAR A MORTE DO HOMEM MODERNO

O poder da racionalidade defendido e desenvolvido na época moderna (especialmente no Pós - Iluminismo) marcou muito a nossa mentalidade, valorizando, e por vezes só admitindo, aquilo que pode ser demonstrado experimentalmente. Este ponto de vista redutor, é em grande parte responsável pelo pessimismo perante a morte nos nossos dias.

Jean-Yves Leloup, no livro “A Arte de Morrer” refere as diferentes posturas do homem moderno perante a vida e a morte.

1º O HOMEM UNIDIMENSIONAL
– o homem não é mais que um corpo, uma matéria.
- o seu pensamento não passa de um produto mais ou menos feliz do seu cérebro, máquina complexa, mas dedutível aos elementos que a compõem.
- o homem é um composto que em breve será decomposto
- não existe alma
- não existe espírito
-a psique será uma ilusão compensadora perante a certeza da nossa mortalidade.
- a inteligência não é mais que o jogo incerto e aleatório das nossas sinapses.
A MORTE É CONSIDERADA UM ESCÂNDALO, É ABSURDA E INSENSATA. No nosso tempo levou a condutas em prol do suicídio assistido.

2º O HOMEM “BIDIMENSIONAL”
- é o corpo animado
- esta animação a que se chama - alma
- psique
- informação, é o que dá vida às nossas células e aos nossos átomos.
Se retirarmos a “animação” ou a “informação” não restará um corpo, mas um “cadáver”- um corpo inanimado
Há quem pondere que essa “informação” ou essa “alma” podem ter uma vida independente do corpo que elas animam.
Nesta visão a alma imortal é a parte nobre da pessoa; o corpo mortal é desprezado, visto como o túmulo da alma.

3º O HOMEM TRIDIMENSIONAL
O homem é composto de – alma
- corpo
- espírito
- o espírito essa “fina ponta da alma” essa capacidade silenciosa e contemplativa que é experimentada por um certo número de contemporâneos que praticam a meditação e que é familiar nas grandes tradições.
A tendência será a de privilegiar esta dimensão contemplativa do homem em detrimento da sua dimensão afectiva (psíquica) ou corporal (somática)
Tornar-se-á a experiência luminosa do espírito vazio de qualquer conceito e de qualquer representação pela divindade.
- mas o espelho que reflecte o sol não é o sol, de algum modo,
graças ao seu brilho, ele pode tornar-se igualmente fonte
derivada de luz
- o espírito no homem, é esse espaço, essa liberdade que acolhe a
luz do espírito.

4º O HOMEM QUATERNAL
Não só se aceitam os elementos das antropologias acima referidas como se liga os três elementos – corpo
- alma
- espírito
Trata-se do “pneuma” do “sopro” que habita, inspira, ilumina o composto humano.
Nesta perspectiva torna-se “espiritual” (ou “pneumático”, como dizia S. Paulo), não é negar o corpo é dar-lhe acesso à transparência e à transfiguração.
Esta visão respeita o homem na sua inteireza, corpo, alma, espírito.
Respeita-o no seu “mistério” na presença do “sopro silencioso” que confere ao homem a sua coerência.

CONCLUSÃO
A MORTE

- é um facto natural da vida
- é absolutamente certa.
- quando, onde e como, - é absolutamente incerta.

O ritmo moderno obriga-nos a trabalhar, para ganhar a vida, mas há que procurar um equilíbrio - não nos preocuparmos com actividades irrelevantes, há que simplificar, e viver também a nossa interioridade.

Na 1ª parte do trabalho vimos que o ser de luz por vezes faz perguntas. Por exemplo:
- o que tens para mostrar daquilo que fizeste com a tua vida?
- o que fizeste para beneficiar a raça humana?

Em todas as doutrinas detectamos muitos pontos comuns entre si e as E. Q. M. estudadas na primeira parte do trabalho.

Podemos concluir que a vida deve decorrer:
- na prática do bem e não do agradável
- no desapego – não se trata de matar os desejos mas de não lhes
dar continuidade, ser desprendido, deixá-los vir e ir.

As grandes religiões como a Cristã e a Budista (e não só estas) referem a necessidade da oração profunda – meditação ou oração mental, porque é através dela que podemos chegar a estádios em tudo semelhantes aos vividos após a morte. Se estivermos familiarizados com tal situação, no momento da morte seremos capazes de identificar o momento da luz suprema, reconhecer as dimensões mais elevadas e mantermo-nos nelas.

Os místicos de todos os tempos têm-nos alertado para o facto de que “esta realidade, pesada tridimensional é “simplesmente uma miragem”
A realidade está para além dela,

NADA É AQUILO QUE PARECE

BUDDHA afirma isso mesmo neste poema

SABEI QUE TODAS AS COISAS SÃO ASSIM:
UMA MIRAGEM UM CASTELO DE NÚVENS,
UM SONHO UMA APARIÇÃO,
SEM ESSÊNCIA MAS COM QUALIDADES QUE PODEM SER VISTAS.

SABEI QUE TODAS AS COISAS SÃO ASSIM:
COMO A LUA NUM CÉU BRILHANTE,
NUM LÍMPIDO LAGO REFLECTIDA
PORÉM PARA O LAGO A LUA NUNCA SE MOVEU.

SABEI QUE TODAS AS COISAS SÃO ASSIM:
SÃO COMO UM ECO QUE PROVÉM,
DA MÚSICA, DOS SONS, DOS CHOROS.
PORÉM ESSE ECO NÃO TEM UMA MELODIA.

SABEI QUE TODAS AS COISAS SÃO ASSIM:
TAL COMO UM MÁGICO FAZ ILUSÕES
DE CAVALOS BOIS, CARROS E OUTRAS COISAS,
NADA É AQUILO QUE PARECE.

Mas parece ser grande a felicidade daqueles que ultrapassaram esta realidade pesada, tridimensional. É disso testemunho as vivências dos grandes místicos nas diferentes religiões.
Meditemos no que nos diz o sacerdote católico e místico do nosso tempo
THOMAS MERTON (1915 – 1968)

QUE POSSO EU DIZER DO VAZIO E DA LIBERDADE, CUJAS PORTAS FRANQUEEI DURANTE AQUELE ESCASSO MEIO MINUTO QUE VALEU POR TODA UMA VIDA, POIS SE TRATAVA DUMA VIDA ABSOLUTAMENTE NOVA? NÃO HÁ NADA QUE SE LHE POSSA COMPARAR. PODERIA CHAMAR-LHE VAZIO, OU NADA, MAS TRATA-SE DUMA LIBERDADE INFINITAMENTE FECUNDA: CARECER DE TODAS AS COISAS E ATÉ DE MIM PRÓPRIO, NO AR FRESCO DESSA FELICIDADE QUE PARECE ESTAR POR CIMA DE TODAS AS MANEIRAS DE SER. NÃO PERMITAS QUE LEVANTE MAIS MUROS EM REDOR, OU FICAREI FECHADO FORA.

Nota: os destaques a negrito e textos em maiúsculas são da autora do texto

BIBLIOGRAFIA

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GOLEMAN; Daniel – Emoções que Curam, Editora Rocco, 4ª Edição Enciclopédia Portuguesa Brasileira
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MERTON, Thomas – Diálogos com o Silêncio, Editorial Franciscana,
MOODY, Raymond - A Vida depois da Vida, Editora caravela, 1ª Edição
MOODY, Raymond - Reflexões sobre a Vida depois da Vida,, Livraria Bertrand
MORSE, Melvin – Transformados pela Luz, Editora Nova Era, 1ª Edição
O Livro dos Mortos do Antigo Egipto, Nova tradução comentada pelo Dr. Ramsés Seleem, Editora Madras
O Livro dos Mortos do Antigo Egipto, tradução de M. Helena Trindade Lopes, Assírio e Alvim
OS UPANISHADES – Editora Espiritualidades
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SANTIDRIAN, Pedro – Dicionário Básico das Religiões, Gráfica de Coimbra
SILVA, Maria Ferreira da - Tratado de Meditação, Editorial Minerva
SILVA, Maria Ferreira da – As Iniciações, Edições Manuel Lencastre
ST.CLAIR, Marisa - O Mistério da Morte Editorial Estampa, 1ª Edição
TRAVASSOS, Lubélia – Suicídios não Resolvem Problemas (artigo de Opinião)
TRAVASSOS; Lubélia – A Vida Após a Morte (artigo de opinião)
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Funchal, 2006
   


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