Fundação Maitreya
 
Curso de Meditação - 7ª Lição

de Maria Ferreira da Silva

em 26 Mar 2020

  Certas Filosofias da Índia como o Yoga e o Sāṃkhya-Yoga estão baseadas na imortalidade da Alma e na sua tomada de consciência ao longo da evolução na Terra. Quando o Puruṣa, o Espírito, entra no ciclo da existência, Samsāra, que é a sucessão dos renascimentos, causa a prisão em Prakṛtī, a matéria, até consumir o desejo através da purificação. Esta purificação, consiste em gastar a energia de vida, (o desejo) que o Espírito, o Ser, teve da matéria.

O Espírito, O Puruṣa

O Sāṃkhya-Yoga é um sistema que conceptualiza o princípio material, oposto e absolutamente diferente do princípio da Consciência – é uma filosofia dualista, assente na distinção entre o princípio material, a manifestação do mundo, e o princípio divino.
Assim, segundo o sistema Sāṃkhya, no Universo há dois princípios; Puruṣa, o Espírito, e Prakṛtī, a matéria. A Avidyā, a ignorância existe pela ligação destes dois e é a semente para Duhkha, sofrimento.
Prakṛtī – nome feminino, que quer dizer: fazer, causar, criar, produzir é o aspecto causal da actividade. Prakṛtī é a matéria activa em contraste com o passivo Puruṣa; quando juntos fomentam o sofrimento: duhkha.
A matéria, Prakṛtī, é movimento. O Espírito, Puruṣa é inactivo – mas algo em Puruṣa o fez mover em direcção a Prakṛtī. O que o fez tomar posse da matéria? O desejo! O desejo de vida na matéria. A matéria, Prakṛtī, não tendo consciência não evolui no sentido do aperfeiçoamento e do objectivo: precisa de um condutor. Puruṣa sendo imaterial não poderia gozar a vida sem o veículo que é Prakṛtī. A questão é saber qual foi a primeira causa. Se a matéria, Prakṛtī, se o Espírito o Puruṣa. E se o Puruṣa é puro e inactivo como desejou a matéria? Se o Espírito criou a matéria para a gozar ou se, existindo já a matéria, ela atraiu o Espírito?
É a actividade da mente que retém uma experiência, uma percepção. A imagem dos objectos que vemos é projectada na mente através dos sentidos. Puruṣa, o Espírito, observa através da mente. Se a mente está perturbada o objecto fica distorcido, se a mente está clara a observação é perfeita. Depende da qualidade da mente aquilo que Puruṣa observa. A mente é o instrumento de Puruṣa para ver, mas na realidade é Puruṣa que alimenta a mente para ela ver. A mente não pode ver por ela mesma, depende da energia que Puruṣa dá para ver, e Puruṣa depende da claridade da mente, uma não funciona sem a outra: é um ciclo e uma inter-dependência.
Puruṣa (o Espírito) é o que vê, e se a mente está clara, ela permite a Puruṣa ver correctamente.
Prakṛtī (a matéria) o objecto exterior, é o que é visto por Puruṣa. Quanto mais purificada a mente, melhor o Puruṣa percebe o objecto e o define.
Prakṛtī é a matéria real, sempre em mudança. Puruṣa é algo que está no centro do nosso ser e que não muda. Puruṣa é o que vê mas por vezes está privado de ver claramente por causa de Prakṛtī, que por sua vez, causa Avidyā (ignorância). Puruṣa é o vidente, o observador. Os órgãos dos sentidos, (a matéria, Prakṛtī) servem de instrumento de percepção: o ouvido, o tacto, a vista, o gosto, o olfacto.
Na realidade, Puruṣa é imutável mas como vê as coisas através da mente, se a mente causa estorvo pela falta de pureza e claridade, pode ver as coisas distorcidas. Prakṛtī, a matéria, do qual a mente faz parte está constantemente em mudança, causando confusão. Para eliminar a confusão da mente, a prática da Meditação, é eficaz e suscita uma nova qualidade de atenção e descoberta, pois ela muda a qualidade da acção e então Puruṣa pode identificar-se a si mesmo.

A plena atenção ao que estamos fazendo, permite descobrir os mecanismos da mente e aclarar ideias, sentimentos e sensações. A atenção permite absorver-nos em nós próprios, reduzir a dispersão e centrar a mente. Esta prática leva a novas considerações sobre a vida, sobre as acções, as atitudes e suas consequências.
A Meditação devolve a pureza inicial pela compreensão, ao distinguir e definir a natureza por meio de identificação desses obstáculos interiores que causam sofrimento. Grandes sábios da Índia, como Patañjali, Śaṅkara, Rāmānuja, incluindo o Buddha aconselharam praticar a Meditação como forma de encontrar resposta ao próprio sofrimento, e a ter a plena atenção, para evitar a entrada de emoções e sentimentos desarmoniosos.
Consequentemente, a plena atenção vai descartando as aflições, limpando o subconsciente e a mente de obstáculos inúteis, e Puruṣa, ou o Ātman na terminologia filosófica do Vedānta, pode expressar-se em pleno e o coração começa a irradiar a sua natureza que é o amor, e é este o caminho para o Samādhi, a expansão do amor em si mesmo.
Puruṣa é passivo; a omnipotência e a beatitude são a própria natureza do Ser -Espírito, contudo, quando está em ligação com a matéria esta obscurece e perturba o seu estado.
Quando a evolução espiritual permite entrar em Samādhi passa-se a viver em Espírito, em plenitude, ou seja, vive-se na Essência; supera-se a matéria, porque Puruṣa o Espírito pode manifestar-se cada vez mais, e este é o verdadeiro Ser.
A matéria, Prakṛtī, é caótica, impregnada de movimento; a mestria do Espírito, Puruṣa, que é afinal o Ser, está em dominar a matéria, apaziguá-la, mas ao mesmo tempo gastar a energia de desejo que trouxe ao descer à matéria.
Diz-se que Puruṣa é passivo, porque é a beatitude em si mesmo. Quando estamos neste estado, não há movimento nem pensamento. Quando no final de muitas encarnações e com o desejo pela acção extinto, retorna-se ao ponto de partida: não é possível reencarnar mais.
Dados importantes no caminho da Meditação são a sensibilidade, a percepção, e a intuição, que se desenvolve ante as mudanças internas; a remoção de obstáculos mentais e psíquicos, ultrapassados pelo estado consciente. Adquire-se a capacidade de identificar a percepção do momento, quer em Meditação, quer em alguma circunstância que se torna especial: um flash iluminativo, uma compreensão interior. Saber definir um momento, apanhar um obstáculo, encontrar uma virtude, inferir um alento, eis as consequências libertadoras da clareza mental.

Tempo de Meditação
Entrando novamente, na prática da Meditação, e devido ao exercício anterior da Concentração e da Meditação, se estabeleceu a corrente entre a mente e o coração, deve permanecer nesta prática por algum tempo, até se sentir estabilizado nos planos do Amor.
Uma das formas de ultrapassar o sofrimento é a Meditação no Amor – elevar-se aos Planos Superiores através da irradiação do Coração. Visualizar o Chakra Cardíaco, como o Sol que emana a Luz para todos os Seres, ajuda a desbloquear os conflitos internos, muitos deles originados na falta de perdão!
Nesta prática da Meditação, vai-se expandindo a Consciência e o Amor irradia do Coração para todos os seres...
Continue a praticar.
   


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