Fundação Maitreya
 
Jesus - Os Últimos Dias

de Shimon Gibson

em 17 Fev 2010

  «Nenhum visitante da moderna Jerusalém pode ignorar que esse é o lugar onde Jesus passou os seus últimos dias até ser crucificado. O impacto de Jesus na cidade de Jerusalém foi muito grande, talvez maior do que qualquer outra pessoa na história.
Quase 2000 anos mais tarde, a formidável presença de Jesus ainda paira sobre a Cidade Antiga, tanto no Jardim de Getsémani como no Monte das Oliveiras, nas Estações da Cruz ao longo da Via Dolorosa, ou nos vários relicários dentro da Igreja do Santo Sepulcro».


Pintura de Pascal DelocheComentário de Maria

Esta obra escrita por um arqueólogo, fornece dados importantes acerca da geografia antiga e histórica de Israel à época de Jesus, que ajudam a situarmo-nos no tempo e no espaço sobre o drama que envolveu a sua vida e morte. Esta demanda arqueológica contém algumas revelações e esclarecimentos valiosos para a interpretação dos Evangelhos, acerca dos últimos dias de Jesus, como nos propõe o autor desta obra, Shimon Gibson.

Revela-nos também, os hábitos ou costumes culturais e especialmente religiosos do povo judeu e que ainda hoje se mantêm para o cumprimento do dia do Sabat, o mais religiosamente vivido, que vem confirmar ao que assisti, quando estive em Israel em 1990 e 1998. Observei, que os judeus, Sexta-feira à tarde fechavam as portas, quer fosse comércio, quer função pública ou departamentos governamentais, para o sagrado refúgio do Sabat (o dia de Sábado), deixando as ruas desertas. Tive então a oportunidade de participar nesta comunhão do Sabat em Safed, cidade onde se refugiam muitos cabalistas, que dedicam o dia, à leitura da Tora, às orações e ao convívio familiar.

A leitura deste livro, leva sem dúvida, a melhor compreensão sobre o caso, por exemplo, da retirada urgente do corpo de Cristo da cruz, por José de Arimateia, relatada nos Evangelhos. Na realidade, deveu-se ao facto de os judeus cumprirem escrupulosamente, as observâncias religiosas do Sabat, no qual por regra, são proibidas actividades. Este, na verdade é um dos muitos factos históricos e religiosos que esta obra testemunha sobre o drama de Jesus.

No Capítulo VII, “A Sepultação de Jesus” encontra-se a versão de S. Marcos 15:42-46:

“Ao cair da tarde, visto ser a Preparação, isto é, véspera do sábado, José de Arimateia, respeitável membro do Conselho que também esperava o Reino de Deus, foi corajosamente procurar Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos espantou-se por Ele já estar morto e, mandando chamar o centurião, perguntou-lhe se já tinha morrido há muito. Informado pelo centurião, Pilatos ordenou que o corpo fosse entregue a José. Este, depois de comprar um lençol, desceu o corpo da cruz e envolveu-o nele. Em seguida, depositou-o num sepulcro cavado na rocha e rolou uma pedra sobre a entrada do sepulcro”.
Diz o autor:
«Alguns leitores podem achar presunçoso da minha parte, um arqueólogo, escrever sobre o carácter, realizações e objectivos de uma figura tão importante como Jesus. Afinal, milhares de milhões de pessoas por todo o planeta prestam-lhe culto como Cristo, o Salvador, e como o Filho de Deus. Mas os meus pontos de vista são aqui honestamente expressos, com base numa análise de dados arqueológicos e históricos que estiveram ao meu dispor; não tenho qualquer machado pessoal ou religioso para talhar as coisas à feição num sentido ou noutro e decididamente não desejo ofender ninguém, mesmo que algumas das coisas que diga possam ser radicais e controversas. Espero que os leitores apreciem que tentei proporcionar uma avaliação equilibrada dos últimos dias de Jesus em Jerusalém, durante a semana crucial que antecedeu a Páscoa judaica, em 30 dC, que culminou com a sua crucificação».

…«A arqueologia portanto, deve ser utilizada correctamente – nem para apoiar ou sustentar o relato sobre Jesus em Jerusalém, nem para negar ou rasgar a historicidade desse relato. Deve ser um meio independente de “testar” a validade dos relatos dos Evangelhos, para comparar e contrastá-los com os estudos históricos».

…«Nenhum visitante da moderna Jerusalém pode ignorar que esse é o lugar onde Jesus passou os seus últimos dias até ser crucificado. O impacto de Jesus na cidade de Jerusalém foi muito grande, talvez maior do que qualquer outra pessoa na história. Desde o século IV, quando o cristianismo foi reconhecido como a religião oficial da Terra Santa, que milhões de peregrinos cristãos invadem Jerusalém em busca dos lugares associados pela tradição à semana de Paixão de Jesus.
Quase 2000 anos mais tarde, a formidável presença de Jesus ainda paira sobre a Cidade Antiga, tanto no Jardim de Getsémani como no Monte das Oliveiras, nas Estações da Cruz ao longo da Via Dolorosa, ou nos vários relicários dentro da Igreja do Santo Sepulcro»

…«Inevitavelmente, as mesmas perguntas são feitas pelos peregrinos visitantes e pelos viajantes: qual a credibilidade destes locais tradicionais? Que certeza podemos ter de que o túmulo autêntico de Jesus está na realidade localizado na Igreja do Santo sepulcro? No século XIX, foram apresentadas localizações alternativas para alguns dos lugares sagrados secundários em Jerusalém pelos guias locais e pelo clero residente, daí resultando bastante confusão e alguma suspeita entre os que visitavam a cidade. O desconsolo que peregrinos e viajantes sentiram por terem de se lançar em adivinhações eruditas é visível em alguns dos seus relatos de viagem».
Mas como diz Shimon Gibson: «Não há dúvida de que algumas das minhas conclusões a respeito de Jesus e Jerusalém podem ser controversas».

Editora - Casa das Letras, 2009
   


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