Fundação Maitreya
 
Acção Desperta

de Eckhart Tolle

em 19 Jul 2011

  “Há três maneiras de a nossa consciência poder fluir para aquilo que fazemos e, através de nós, para este mundo, ou seja, três modalidades em que podemos alinhar a nossa vida com o poder criativo do Universo. Modalidade significa a frequência energética implícita que flui para o que fazemos e que liga as nossas acções à consciência desperta que está a emergir neste mundo. Aquilo que fazemos será disfuncional e pertencerá ao ego se não decorrer de uma destas três modalidades. Elas podem mudar ao longo de um único dia, apesar de uma delas poder ser dominante numa certa fase da nossa vida. Cada modalidade é adequada a determinadas situações.

As três modalidades da acção desperta

As modalidades da acção desperta são a aceitação, a satisfação e o entusiasmo. Cada uma representa uma determinada frequência vibratória da consciência. É preciso estarmos atentos para nos assegurarmos de que uma delas está sempre em actividade no que quer que estejamos a fazer – desde as tarefas mais simples às mais complexas. Se não estivermos num estado de aceitação, satisfação ou entusiasmo, ao olharmos com mais atenção, apercebemo-nos de que estamos a criar sofrimento em nós próprios e nos outros.

A aceitação
Mesmo que não tenhamos prazer no que estamos a fazer, podemos pelo menos aceitar que é isso que temos que fazer. A aceitação significa o seguinte: por agora, é isto que esta situação, este momento, requer que eu faça, por isso faço-o de boa vontade.
(…) Executar uma acção num estado de aceitação significa que estamos em paz enquanto a praticamos. Essa paz consiste numa vibração energética subtil que flui para aquilo que fazemos. Superficialmente, a aceitação assemelha-se a um estado passivo, mas, na realidade, é activo e criativo, pois traz algo totalmente novo a este mundo. Essa paz, essa vibração energética subtil, é a consciência, e uma das formas que ela tem de entrar neste mundo é através da entrega à acção, da qual faz parte a aceitação.

A satisfação
A paz subjacente à entrega à acção transforma-se numa sensação de vivacidade quando sente realmente satisfação naquilo que está a fazer. A satisfação constitui a segunda modalidade da acção desperta. No novo mundo, a satisfação substituirá a carência como a força que motiva as acções das pessoas. A carência deriva da ilusão do ego de que somos um fragmento desligado do poder que subjaz a toda a criação. Através da satisfação, ligamo-nos ao poder criativo universal em si.
(…) Isto significa que, ao sentir satisfação pela realização de algo, você está na realidade a sentir a alegria do Ser no seu aspecto dinâmico. É por isso que tudo aquilo em que sente satisfação o liga ao poder que subjaz a toda a criação.
(…) Algumas pessoas que, através da acção criativa, enriquecem as vidas de muitas outras limitam-se a fazer o que lhes dá mais satisfação, sem quererem atingir ou tornar-se alguma coisa através dessa criatividade. Podem ser músicos, artistas, escritores, cientistas, professores, construtores, ou podem manifestar novas estruturas sociais ou empresariais (empresas iluminadas).

Por vezes, durante alguns anos, a sua esfera de influência permanece limitada; porém, súbita ou gradualmente, uma onda de poder criativo pode fluir para aquilo que fazem e a sua actividade expande-se para além de tudo o que poderiam ter imaginado e acaba por afectar inúmeras pessoas. Além da satisfação, é agora acrescentada uma intensidade ao que fazem e, com ela, vem uma criatividade que transcende tudo o que um ser humano comum poderia alcançar.
Mas não permita que isso lhe suba à cabeça, pois podem existir reminiscências ocultas do ego. Você não deixa de ser um ser humano comum. O extraordinário é o que vem através de si para este mundo. Porém, você partilha essa essência com todos os seres. O poeta persa e mestre sufista do século XIV, Hafiz, exprime esta verdade de um modo belíssimo: «Eu sou um orifício numa flauta através do qual passa o sopro de Cristo. Oiçam esta música.»

O entusiasmo
Existe outra forma de manifestação criativa que pode surgir nas pessoas que permanecem fiéis ao seu propósito interior de despertar. De repente, um dia, ficam a conhecer o seu propósito exterior. Têm um grande sonho, um objectivo, e a partir daí esforçam-se para implementar esse objectivo. O objectivo ou sonho está geralmente relacionado com algo que essas pessoas já fazem em pequena escala e que têm a satisfação em fazer. É aqui que surge a terceira modalidade da acção desperta: o entusiasmo.

O entusiasmo significa que há uma profunda satisfação naquilo que fazemos, acrescentando a isto o elemento de um objectivo ou sonho que nos esforçamos por alcançar. Quando acrescentamos um objectivo à satisfação que sentimos no que fazemos, o campo energético ou frequência vibratória muda. É adicionado à satisfação um certo elemento que poderíamos designar por tensão estrutural, o que transforma a satisfação em entusiasmo. No auge da actividade criativa alimentada pelo entusiasmo, verificar-se-á uma enorme intensidade e energia subjacente ao que fazemos. Sentir-nos-emos como uma seta disparada em direcção ao alvo – e o caminho percorrido traz-nos satisfação.

(…) Ao contrário do stress, o entusiasmo tem uma frequência energética elevada e, portanto, é uníssono com o poder criativo do Universo. É por esta razão que Ralph Waldo Emerson disse: «Sem entusiasmo nunca se realizou nada de grandioso.» A palavra «entusiasmo» vem do grego antigo en e theos, que significa «em Deus». E a palavra da mesma família, enthousiazein, significa «estar possuído por um deus». Com entusiasmo, irá aperceber-se de que não tem de fazer nada sozinho. Na verdade, não há nada de importante que você possa fazer sozinho. O entusiasmo constante traz à existência uma onda de energia criativa e a única coisa que você tem de fazer é «cavalgar a onda».
(…) Através do entusiasmo, você entra em sintonia total com o princípio exterior e criador do Universo, mas sem se identificar com as suas criações, ou seja, sem apego. Quando não existe identificação, não existe apego – uma das maiores fontes de sofrimento.

(…) Resumindo: a sua satisfação naquilo que faz, juntamente com um objectivo ou sonho que você se esforce por concretizar, transforma-se em entusiasmo. Apesar de ter um objectivo, o que você está a fazer no momento presente tem de permanecer no centro das suas atenções; de outra forma, deixará de estar em sintonia com o propósito universal. Certifique-se de que o seu objectivo ou sonho não é um prolongamento de si próprio e, por isso, uma forma oculta do ego, como a necessidade de se tornar uma estrela de cinema, um escritor famoso ou um empresário abastado.

Assegure-se igualmente de que o seu objectivo não se centra em ter isto ou aquilo, como uma mansão perto do mar, a sua própria empresa ou dez milhões de dólares no banco. Um prolongamento de si próprio ou um sonho de ter isto ou aquilo são objectivos estáticos e, por conseguinte, não lhe conferem poder. Certifique-se de que os seus objectivos são dinâmicos, ou seja, que apontam para uma actividade da qual você se ocupa e através da qual se liga a outros seres humanos, bem como ao todo. Em vez de se imaginar um actor famoso, escritor, e assim por diante, imagine-se a inspirar inúmeras pessoas com o seu trabalho e a enriquecer as suas vidas. Sinta o modo como essa actividade enriquece e dá profundidade à sua vida, bem como à de inúmeras pessoas. Sinta que é uma abertura através da qual a energia flui da Fonte não-manifesta de toda a vida, através de si, em proveito de todos.

Tudo isto pressupõe que o nosso objectivo ou sonho já seja uma realidade dentro de nós, ao nível da mente e do sentimento. O entusiasmo é o poder que transfere o plano mental para a dimensão física. É o uso criativo da mente, por isso não há qualquer carência envolvida. Podemos manifestar o que desejamos através do esforço do stress, mas não é assim que as coisas se passam no novo mundo. Jesus deu-nos a chave para o uso criativo da mente e para a manifestação consciente da forma ao dizer: «Tudo quando pedirdes, orando, crede que o recebereis e o obtereis.»”.

Excerto do último capítulo do livro “Um Novo Mundo: Despertar para a Essência da Vida”, do Eckhart Tolle.
   


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