Fundação Maitreya
 
A Justiça Divina

de Lubélia Travassos

em 06 Nov 2014

  O Universo é regido pela Lei do “Karma”, pelo que o homem no seu processo de vida, também é regido por esta lei impessoal das causas e efeitos chamada na Filosofia Oriental “Karma”, que significa simplesmente acção. Por conseguinte, todos os seres no Universo estão interligados, ainda que não possam ver o elo que os liga. Sendo que esta unidade de todas as coisas é verdadeira, real ou natural, qualquer pensamento, palavra ou acção, que tenda a criar um sentimento de separação, gera ainda mais karma que, por sua vez, produz falsidade e perpetua a separação. Desta forma, o karma funciona apenas como um processo que serve para desfazer essa falsidade, a fim de se voltar à Verdade. Por exemplo: se nos rirmos de alguém que é feio, coxo, ou que tenha qualquer outro defeito, podemos estar a ligar o nosso alarme kármico para uma determinada altura, visto que podemos tornar-nos assim durante algum tempo ou, então, casar e ter um filho, descendência ou algum familiar que seja igual. Não é um castigo moral, mas acontece porque devemos precisar daquela experiência, para podermos ultrapassar o sentimento de separação referente àquelas características. Essa experiência pode servir para nos ajudar a ver que não existem “Eles”, mas sim “Nós”. O Karma é o que uma pessoa faz, não é o que é feito por ela. As circunstâncias em que nos encontramos agora foram auto-criadas e fornecem-nos sempre a oportunidade de aprendermos através da experiência e das lições que nos são atribuídas nesta vida.

A Justiça Divina e a Lei do Karma e da Reencarnação

O que realmente interessa é a nossa reacção àquelas circunstâncias. A grande dificuldade é percebermos se seremos capazes de aceitar o nosso karma sem ter vergonha, arrependimento ou amargura. Todos nós carregamos uma carga kármica. No entanto, se quisermos podemos reduzir essa carga, ao vivermos em plena harmonia com a Lei Kármica, através de acções que não produzam reacções, tendo completa consciência do bem-estar dos outros. Além disso, cada um de nós tem a inteira responsabilidade de aliviar a carga de todo o planeta. O fim da nossa jornada kármica acontecerá quando já tivermos esgotado todo o nosso karma, ao atingirmos o “esclarecimento”. Então, a partir daí, todo o pensamento, palavra ou acção estará em harmonia com o Todo e não gerará mais nenhum sentido de separação no mundo. Estão incluídos neste caso Cristo, Buda e muitos outros que alcançaram aquele estado. Tornaram-se tão unidos a Deus, ou se preferirmos dizer ao “Tao”, “Darma” ou “Verdade”, que deixaram de criar karma pessoal. Todos nós poderemos, um dia, alcançar essa meta, quando o nosso karma já estiver completamente esgotado. Até lá, teremos de voltar à Terra, ao mundo físico e aprender, à custa das nossas alegrias e sofrimentos, o meio de atingir a harmonia, de acordo com as leis da Natureza e do propósito de vida.
Pelo equilíbrio das desigualdades verificamos que a lei das causas e efeitos equilibra o resultado das nossas acções. E, se lhe juntarmos a continuidade da consciência fornecida pelo conceito de reencarnação, podemos perceber a razão porque existem óbvias desigualdades e injustiças na vida. Durante o período entre vidas, que demora geralmente algumas centenas de anos, a alma extrai e assimila a essência das suas experiências de vidas passadas, para usá-la nas próximas reencarnações.

Para o ser humano, a evolução é o desenvolvimento espiritual, que se dá através de uma cadeia sem fim de experiências, dentro de um ciclo de nascimentos, mortes e renascimentos, que se denomina Reencarnação. A doutrina de renascimentos ou Reencarnação, como processo evolutivo, é uma das chaves mais importantes para a compreensão das bases espirituais da existência e, por isso, tem de ser discutido e avaliado com frequência. A vida do dia-a-dia coloca-nos perante acontecimentos constantes, quer de origem pessoal ou mundial, que nos induzem a interrogar, reflectir e a procurar respostas plausíveis sobre a sua existência, veracidade e a razão porque tal cadeia de experiências acontecem. Ao compreendermos este processo, podemos imaginar a razão porque as qualidades, que o corpo, a mente e a alma possuem agora, são o resultado do nosso uso de oportunidades que tivemos em vidas anteriores, sendo que a utilização que fazemos das oportunidades presentes determinarão o nosso carácter e capacidades futuras. Se, na verdade, acreditamos na existência de um Deus justo, temos de admitir, quase de imediato, na crença da reencarnação, já que ambos os conceitos dependem um do outro. Porém, interrogamo-nos sobre o que poderão dizer os cépticos e os ateus sobre esse assunto. Certo é que hoje esta teoria tem sido testada e, além das espirituais, já existem muitas provas científicas sobre a sua realidade que nos têm sido fornecidas.

Ainda que acreditemos ou não na Lei da Reencarnação, temos de admitir que esta vida é o início e o fim da existência humana. Não seria justo conciliar as desigualdades da vida se não houvesse uma justiça divina. Vejamos, então, as seguintes questões, que nos levam a interrogar, por que razão um homem nasce numa família rica, enquanto outra criança chega a um lar paupérrimo, para depois morrer de fome? Por que razão uma pessoa tem boa saúde para viver cem anos, enquanto outra está sempre doente? Por que os esquimós nascem no norte gélido e outros povos em países temperados, onde a luta pela sobrevivência é muito mais fácil? Qual a razão de algumas crianças nascerem cegas ou mortas? Porquê tudo isso? Será que se fossemos Deus faríamos coisas tão injustas? De que serve ler e viver de acordo com as escrituras, se a vida é predestinada por um Deus caprichoso que, deliberadamente cria seres com corpos ou cérebros imperfeitos?

De acordo com a lei da causa e efeito, toda a acção corresponde a uma reacção proporcional. Por conseguinte, tudo o que está a acontecer connosco agora só pode ser resultado de algo que fizemos anteriormente. Se não existe nada nesta vida que justifique as circunstâncias actuais, a conclusão inevitável a que chegamos é a de que a causa foi posta em movimento nalguma época anterior, isto é, nalguma existência humana passada. Os nossos estados de ânimo e características mais fortes não começaram com este nascimento, mas estabeleceram-se na nossa consciência muito antes disso. Isso leva-nos a compreender porque algumas pessoas mostraram, desde o princípio da sua infância, não só certas fraquezas, como também talentos específicos. Por isso, podemos de igual modo compreender como a vida perfeita de Jesus na Terra foi o resultado de diversas encarnações anteriores, em que ele foi desenvolvendo o autodomínio. Na verdade, a sua vida milagrosa como o Cristo, foi consequência de muitas vidas anteriores e de aprendizagem espiritual. Ele se tornou num Avatar, uma encarnação divina, porque nas suas vidas passadas, como ser humano comum, combateu as tentações da carne e venceu. O seu exemplo oferece a esperança definitiva a toda a humanidade. De contrário, que oportunidade teríamos? Se Deus tivesse enviado anjos para nos ensinar, poderíamos dizer: «Senhor, porque não me criaste anjo? Como posso imitar os seres que foram criados perfeitos e que não passaram por quaisquer experiências, tais como as provações e as tentações que Vós me destes?»

Em geral, seguindo o nosso idealismo, sentimos a necessidade de procurar um Ser essencialmente igual a nós. Jesus teve de enfrentar tentações. “Afasta-te Satã”, disse ele. E venceu. Se ele nunca tivesse conhecido a tentação, a sua ordem de vida teria sido uma encenação, e como poderia isso nos inspirar? Embora já tivesse vencido a carne em outras vidas, teve de sentir essa fraqueza de novo na encarnação como Jesus, para mostrar à humanidade, por meio da sua vitória, o desenvolvimento espiritual que tinha alcançado e, com o seu exemplo, dar coragem a todos os homens.

A reencarnação é uma viagem da alma para atingir a perfeição

A reencarnação é o progresso de uma alma ao longo de muitas vidas no plano terreno, à semelhança da formação de um aluno numa escola, antes de “se diplomar”, para que o ser humano atinja a perfeição imortal da união com Deus. As almas que vivem em estado imperfeito, inconscientes da sua divina identidade com o Espírito, não entram, automaticamente, em estado de realização divina, na altura em que se dá a morte do corpo físico. Fomos realmente feitos à imagem de Deus mas, pela identificação com o corpo físico, assumimos dele imperfeições e limitações. Enquanto a consciência humana, de mortalidade imperfeita, não for removida, não poderemos voltar a ser deuses. Conta-se uma história de um príncipe que fugiu do seu lar palaciano e procurou abrigo num bairro de lata. Embriagando-se e convivendo com pessoas de mau carácter, aos poucos perdeu a lembrança da sua verdadeira identidade. Só depois do pai o ter encontrado e levado de volta para o palácio, é que ele se recordou que era na verdade um príncipe.

De igual modo, somos todos filhos do Rei do Universo, que fugimos do lar espiritual. Encerramo-nos, por tanto tempo, em corpos humanos que esquecemos a nossa herança divina. Durante numerosos regressos à Terra, desenvolvemos novas imperfeições e novos desejos. Por isso, voltamos para cá repetidas vezes, até satisfazermos todos os desejos ou, então, a eliminá-los totalmente, através do desenvolvimento da sabedoria. No entanto, é muito difícil eliminarmos a necessidade de satisfazer os nossos desejos, sendo que só através do cultivo da sabedoria, é que poderemos acabar com todos definitivamente. Certo é que, são muito poucas as pessoas que saem da roda dos nascimentos e mortes, pela tentação de satisfazer os desejos. A natureza do desejo faz com que, uma vez “satisfeito”, a vontade de repetir a experiência aumente ainda mais o seu controlo sobre a pessoa, a não ser que seja alguém que tenha uma mente muito forte. É preferível satisfazermos desejos menores ou insignificantes, para assim nos livrarmos deles mais facilmente. Contudo, é preciso fazê-lo com sabedoria e discernimento, senão até os pequenos desejos podem voltar ainda com mais vigor, reforçados pela experiência.

Na verdade, Deus não é nenhum ditador que nos enviou para cá, para nos ordenar o que temos de fazer. Ele deu-nos o livre arbítrio para fazermos o que quisermos. Também, já ouvimos muita coisa sobre a importância de ser bom. Por desconhecimento e ignorância, algumas pessoas costumam alegar: se todos nós vamos directos para o céu quando morrermos, de que serve fazermos o bem enquanto estivermos aqui? Se todos recebem a mesma recompensa no fim da vida, porque não ser uma pessoa ambiciosa, egoísta, já que o caminho do mal é geralmente mais fácil de trilhar? De facto, seria inútil imitar a vida dos grandes santos se, todos nós quando morrermos – tanto os bons como os maus – nos tornássemos anjos. Por outro lado, se, segundo o plano de Deus, estivéssemos todos destinados a ir para o inferno, seria igualmente inútil nos preocuparmos com o nosso comportamento nesta vida. E de que valeria vigiar as acções, se as nossas vidas fossem como os carros, que quando estão velhos são atirados para a sucata, e ali terminam? Se a vida do homem se resumisse nisso, não haveria necessidade de ler as escrituras ou de exercitar o autocontrolo.

Perante todo o exposto, e se existe um propósito nobre na vida, como explicar a aparente injustiça, quando uma criança nasce morta? E os que nascem cegos, mudos, aleijados ou os que vivem apenas alguns anos e morrem? Por este prisma, só os que vivem muito é que têm tempo para lutar contra as más tendências e desejos inatos, e tentarem ser bons. Se não houver outra oportunidade (numa vida futura), para uma criança que morre com seis meses, então, porque Deus lhe concedeu uma mente e não lhe deu tempo para desenvolver as suas potencialidades? Na verdade, o factor tempo é muito importante no nosso progresso, e uma única vida não permite oferecer o tempo suficiente para que tal aconteça. Se não tivermos a oportunidade de aprender as lições nesta vida, teremos de aprendê-las forçosamente noutras vidas. O conceito da vida, como sendo um espectáculo mutável, passageiro, não é pessimista, e deveria ensinar-nos a não levar tanto a sério a vida física. A ilusão cósmica “Māyā”, faz-nos sentir que o corpo é demasiado real, e é uma parte muito necessária ao nosso ser. Todavia, de um momento para o outro, o corpo pode ser separado da alma pela morte, e a separação nada tem de dolorosa. Terminada essa “operação”, não precisamos de tempo, roupa, alimento ou morada, pois já não temos que carregar o fardo corpóreo da carne. Ficamos livres dele, e continuamos a ser nós. Será que já procuramos reflectir porque esta verdade está oculta? Ou onde possam estar os milhões de pessoas que já saíram da Terra?

Não há dúvida de que o nosso estilo de vida actual poderá determinar o que seremos na próxima vida. Realmente, foi-nos concedido o poder de raciocinar sobre a nossa origem e destino, contudo, não nos empenhamos o suficiente na análise de nós mesmos e das nossas vidas. Vamos vivendo 365 dias, ano após ano, e até poderemos ter feito algum progresso, mas a nossa natureza continuará, depois da morte, a mesma de antes. Não nos tornamos anjos só porque morremos. Só o corpo é que muda, e o resto não faz diferença. A morte é como uma porta que se atravessa. O corpo terá desaparecido, mas nós seremos os mesmos sob todos os aspectos. Se tivemos um temperamento violento, ao morrer ele não ficará para trás, pois, junto com o corpo físico ele continuará a acompanhar-nos, até que aprendamos a controlá-lo. Se na vida actual temos estado a seguir as leis de uma vida saudável, na próxima encarnação teremos um corpo sadio. A última fase da nossa vida é mais importante do que a primeira, porque o que somos no fim da vida é o que seremos no começo da próxima.

Em geral, a primeira parte da nossa vida é estupidamente desperdiçada, numa espécie de estado aturdido. Depois vem o romance da vida e, finalmente, a doença e a velhice, e a luta com o corpo começa, sempre com problemas. Por isso, é muito necessário para a nossa felicidade compreendermos que não somos apenas o corpo, com todas as suas dores e tribulações, mas sim uma alma imortal. Por conseguinte, não é preciso morrermos para conseguirmos livrar-nos do apego ao corpo. Se comungarmos com Deus, veremos que já estamos livres. Nós não somos o corpo, mas sim o Espírito eterno.

Provas da reencarnação nas várias tradições

As provas da reencarnação no seu sentido legal são difíceis de determinar, visto que a memória de uma vida passada não é transportada para a presente. O novo cérebro neste corpo, que governa o nosso presente procedimento, é completamente distinto daquele que governou o procedimento do corpo anterior, e somos, na verdade, bastante afortunados que assim seja. É, por vezes, muito difícil encarar os nossos problemas correntes, por isso, imaginem se nos lembrássemos de todos aqueles das nossas reencarnações anteriores! Apesar de tudo, algumas almas evoluídas podem lembrar-se da sua vida ou vidas anteriores, em especial as crianças, porque ainda estão perto dos seus egos espirituais durante os primeiros anos de vida. Seguindo esta ordem de pensamento, verificamos que a reencarnação pode oferecer uma explicação, também, para aquelas crianças prodígio, tais como Mozart, que aos quatro anos escreveu uma sonata e aos sete uma Ópera completa. Platão, que acreditava entusiasticamente na reencarnação afirmou que “o conhecimento que é adquirido sem qualquer dificuldade, é aquele que o ego permanente teve numa vida anterior, que surge de novo e de maneira muito acessível”.

Muitas pessoas gostariam e anseiam saber o que foram nas últimas encarnações, e estão sempre à procura de um meio para descobri-las. Há, no entanto, uma forma de podermos descobrir o que fomos em vidas anteriores, mas não quem fomos, mediante algumas habilidades e tendências básicas de pensamentos que possuímos, e ao analisarmos o que somos e fazemos agora. No entanto, as escrituras hindus afirmam que, para que tal aconteça, é preciso um milhão de anos de vida harmoniosa e livre de doenças, para a alma se libertar. Infelizmente, durante a sucessão de vidas, um homem comum só pode esperar mudanças relativamente pequenas. Apesar de tudo, há a esperança de que a evolução espiritual possa ser acelerada, de forma positiva, se o homem se esforçar e viver de maneira correcta e com a ajuda de um verdadeiro guru.

Os cientistas espirituais “Rishis”, sábios da antiga Índia, descobriram as leis cósmicas inalteráveis, ao fazerem experiências com a vida e o pensamento do homem. Assim, para que pudessem descobrir a verdade da reencarnação ou da passagem da mesma alma por muitos corpos, tiveram de fazer várias experiências com a consciência humana. Esses cientistas descobriram e argumentaram que o ego humano permanece inalterável, apesar de todas as mudanças das experiências e dos pensamentos ocorridos durante a sua vida, quer nos estados de vigília, ou de sonho e de sono sem sonhos. Foi-lhes, então, permitido perceber a natureza imutável e eterna do ego. Os “Rishis” da Índia antiga analisaram a morte, e exemplificaram-na como o desligar da electricidade vital da lâmpada da carne humana, com os seus fios de nervos sensórios e motores, que conduzem os diferentes canais de expressão externa. Tal como a electricidade não se extingue quando se retira uma lâmpada quebrada, também a energia vital não é eliminada ao retirar-se dos nervos involuntários. Da mesma forma, a energia não morre, ela se retira, por altura da morte, para a Energia Cósmica.

Além do mais, os Sábios antigos analisaram a humanidade, e classificaram a consciência humana em quatro tipos básicos: 1) Os “Sudras”, que são capazes de servir a sociedade por meio do trabalho braçal, uma condição existencial limitada aos sentidos; 2) os “Vaixás”, que servem nos sectores intelectuais, de habilidades, na agricultura, na indústria, no comércio e na vida de negócios em geral, sendo a fase criativa ou dos negócios; 3) os “Xátrias”, cujos talentos são de ordem administrativa, executiva e protectora – regentes e guerreiros, tornam-se na fase do guerreiro, quando se quer lutar contra os sentidos e vencer o apego aos mesmos; e 4) os “Brâmanes”, de natureza contemplativa, espiritualmente inspirados e inspiradores, pertencem ao estado de sabedoria, alcançado quando o homem venceu todos os apegos sensórios e permanece conscientemente mergulhado em Brahma, Deus. É o último estado e o mais elevado, o conhecedor de Brahma ou Deus.

Comparativamente, os Sudras são os que não vêem qualquer grande propósito na vida a não ser a satisfação das necessidades e dos desejos do corpo; sendo que tais pessoas vivem para comer, dormir, trabalhar, multiplicar-se e por fim morrer. Milhões de seres humanos vivem hoje na condição de “trabalhadores” ou Sudras – apenas interessados no conforto físico e nos prazeres corporais. O homem que se encontra no estágio Vaixá ou mentalmente activo está sempre ocupado em fazer coisas. Algumas pessoas dessa classe só pensam em negócios; vivem apenas para ganhar dinheiro, e têm o hábito de o esbanjar em diversões sensórias. Todavia, o melhor tipo de empresário Vaixá é naturalmente mais evoluído e criativo por natureza. Entretanto, a terceira classe, ou Xátria, é constituída por aqueles que, tendo passado pela experiência de ganhar dinheiro e de criar algo no âmbito dos negócios, começam a compreender o significado da vida; eles esforçam-se, por meio do auto-controlo, para vencer a batalha contra os sentidos.

Na realidade, o homem Vaixá não faz qualquer esforço para aperfeiçoar o seu interior, sendo que apenas se preocupa em ganhar dinheiro e gerar filhos, reflectindo muito raramente sobre o sentido da vida, a não ser em termos de negócios. Por outro lado, a terceira classe, a dos Xátrias, encara a vida de maneira mais séria. É o tipo de homem que pergunta: “Não será o meu dever lutar contra os maus hábitos e destruí-los?” Ele sente realmente vontade de superar as más tendências e fazer o que é certo. Por conseguinte, após esta explicação, poderemos concluir que todos os seres humanos estão inseridos numa das quatro classificações. Então, se reflectirmos melhor sobre a nossa vida desde a infância, e depois analisarmos cada uma das classes, poderemos descobrir a qual das quatro classificações pertencemos.

Para começar vamos fazer uma análise, a fim de verificarmos se temos sido criativos desde a infância. Por exemplo, algumas crianças têm habilidade para a mecânica e querem abrir e desmontar coisas, para depois voltarem a montá-las. Outras sentem um grande prazer em desenhar, tocar ou ouvir música. Não é preciso ser um grande especialista para verificar quando alguém mostra sinais de criatividade. Até uma música sem grande sentido pode ser produto de uma mente criativa. Aliás, tudo o que se cria, com habilidade ou não, é uma expressão do talento criativo. A aptidão para escrever romances, para representar, para a escultura, pintura, música ou trabalho com máquinas, se for exibida cedo na vida, indica que estivemos no estado Vaixá na vida anterior.
Porém, o reconhecimento de que podemos pertencer a uma das classes menos avançadas, dentro dos quatro tipos de atitude mental, não nos deve desanimar, pelo contrário, é caso sim para nos animar. Se após a auto-análise, descobrirmos que ainda não atingimos o estado mais elevado, não temos forçosamente de nos considerar pobres infelizes e indefesos. Devemos pensar que se ainda não mudamos, é óbvio que estamos na hora exacta de o fazer, senão levaremos a condição actual para a próxima vida.

Vamos, por isso, aprender a examinar os nossos estados de ânimo. Na verdade, todos os sentimentos que possamos experimentar no presente foram todos criados no passado. Se assim não fosse, porque razão algumas crianças são egoístas desde pequenas, enquanto outras da mesma família são calmas e carinhosas? Certas crianças agridem quem lhes diz para não fazerem algo, enquanto outras são calmamente obedientes. Algumas têm propensão para cometer roubos, porque razão? Estas características simples só demonstram tendências pré-natais criadas em vidas anteriores.

Casos sugestivos de reencarnação

No seu livro “Vinte casos sugestivos da reencarnação” o Dr. Ian Stevenson catalogou cuidadosamente muitas memórias de reencarnação, inclusive, com datas e assinaturas das testemunhas. Um dos melhores casos documentados é o de uma jovem Indiana Shanti Devi, que vivia em Delli (nascida em 1926). Aos três anos Shanti começou a evocar pormenores de uma vida anterior na cidade de Muttra, a oitenta milhas de Delli. Ela dizia que se tinha casado com um mercador de fazendas e dera à luz um filho, e morrera dez anos depois. As suas afirmações continuaram, e quando ela fez nove anos a sua família escreveu ao seu alegado marido, que a visitou sem se fazer anunciar, e foi imediatamente reconhecido por Shanti Devi. Após o encontro foi constituída uma delegação para testemunhar a sua visita a Muttra, que provou que ela de facto reconheceu outros familiares, e soube o caminho para a sua casa anterior. Reconheceu-a perfeitamente, e revelou que tinha sido escondido dinheiro dentro de casa. Encontraram o lugar onde tinha sido escondido, e o seu antigo marido admitiu que tinha retirado o dinheiro de lá.
Outro caso bem conhecido foi o de duas miúdas da família Pollock, que morreram por atropelamento, por um carro, na cidade de Hexham, em Northumberland. Dois anos mais tarde nasceram duas gémeas aos mesmos pais, que reivindicaram as bonecas que pertenceram às crianças anteriores, como se fossem delas. Uma dizia: “Esta é a minha Mary”, e a outra miúda dizia: “Esta é a minha boneca que nós tivemos há tanto tempo”.

Outro episódio gravado por Arnell Bloxham, presidente da Sociedade Britânica de Hipnoterapeutas, que costumava gravar as regressões hipnóticas das memórias dos doentes, para saber o que poderiam ter sido em vidas anteriores, relata o caso de uma dona de casa de P. Gales, Jane Evans. Jane recordou ter sido uma judia do século doze, em Yorque. Ela descreveu como eles foram perseguidos e se abrigaram na cripta de uma pequena Igreja, precisamente no lado de fora das grades de cobre. A Igreja foi identificada como sendo Castlegate de St. Mary, mas não tinha nenhuma cripta. Contudo, recentemente, operários que trabalhavam nela encontraram uma cripta debaixo do altar.

É possível enunciar, ainda, mais uma lembrança de experiências de vidas passadas na Índia, que se conta, como sendo um caso autêntico e que se tornou mundialmente famoso. Trata-se de uma menina, nascida numa pequena aldeia da Índia, que começou inexplicavelmente a falar e a suspirar por uma aldeia situada noutra parte do País. O seu estado tornou-se tão grave que um médico recomendou que a levassem à tal aldeia distante. Assim fizeram e, para espanto dos acompanhantes, quando ela entrou nos limites da aldeia, começou a descrever com pormenores tudo que ali existia. Conhecia as pessoas pelo nome, apesar de nunca ter estado lá, e foi directamente para uma casa, onde chamou um homem pelo nome, dizendo que ele fora seu irmão na vida anterior. Além disso, explicou que na encarnação passada tinha escondido algumas peças de ouro numa parede de tijolos da mesma casa, mas que tinha morrido sem contar a ninguém. A menina foi até ao esconderijo na parede, e qual não foi a surpresa, estava lá o ouro escondido. Ela descreveu também as suas roupas e como as guardava, e as mesmas foram encontradas tal como ela dissera. Perante tais evidências, é impossível duvidar da sua autenticidade e da importância da sua experiência. Há ainda outro caso, de um santo da Índia, que se dirigiu a um certo Templo, nas margens de um rio, e disse: “O meu Templo era aqui perto. Agora está dentro do rio”. Vieram mergulhadores e descobriram um Templo muito antigo sob as águas. O homem havia sido, em vidas passadas, o santo a quem fora consagrado o Templo, agora submerso.


Intercâmbio de almas entre o Oriente e o Ocidente

Dentre milhões de pessoas, algumas sentem-se atraídas para um determinado lugar ou Templo porque tiveram antes qualquer ligação com o Oriente, assim como os seus ensinamentos espirituais. Agora que são exteriormente ocidentais, têm receio que outros ocidentais os ridicularizem por frequentarem uma igreja por eles considerada “pagã”. Quem tem preconceito contra o Oriente não quer dizer que veio de lá recentemente. Mas, quem sente atracção pelo Oriente, é provável que tenha nascido lá numa vida anterior recente. Esses indícios permitem distinguir entre almas orientais e almas ocidentais. Se apreciarmos, desde tenra idade, o aroma do incenso ou os contos e gravuras orientais, é sinal de que essas inclinações podem indicar que estivemos muito recentemente no Oriente. Na verdade, muitas almas do Oriente reencarnaram agora nos Estados Unidos e noutros países desenvolvidos, desejando a perfeição material, a fim de usufruírem a satisfação desse desejo, e para ajudarem a incentivar os ideais espirituais americanos ocidentais. Do mesmo modo, muitas almas que nasceram anteriormente nos Estados Unidos e Ocidente têm reencarnado na Índia desde então, para beneficiarem das suas riquezas espirituais e ajudá-la a desenvolver o aspecto material. O mundo é a família de Deus. Ele está a tentar aperfeiçoar todas as nações e não tem preferência por nenhuma. Deus tem permitido e acelerado o intercâmbio e cruzamento de almas, a fim de que se dê o aperfeiçoamento e evolução dos povos que irão constituir e desenvolver no futuro o Continente da 6.ª Raça Raiz.

Outro teste sobre o nosso passado é a preferência por certas sensações. Algumas pessoas sempre gostaram de muito calor, porque se acostumaram noutras vidas a climas quentes. Outras preferem o frio, o que indica que viveram antes em climas frios. Se sentimos constantemente uma atracção especial por montanhas ou pelo mar, é natural que tenhamos trazido este apego de uma outra vida. Há pessoas que se sentem solitárias fora da cidade e não suportam lugares silenciosos, porque essa atitude foi também cultivada no passado. Aqueles que são movidos na vida por uma ambição enérgica, é porque já foram no passado pessoas importantes. Ter essa tendência e não desenvolvê-la é reprimir-se. No ambiente adequado, tal pessoa poderia tornar-se um grande homem. Há, no entanto, outros que estão fadados ao fracasso, mesmo fazendo todos os esforços possíveis para progredirem. Isso indica que trouxeram tendências do passado. Contudo, tais pessoas não devem desistir da luta para tentar superá-la. O que elas precisam agora é de vencer as tendências erróneas, ou manifestarão as falhas na próxima encarnação.

As associações passadas podem influenciar afinidades presentes. De facto, podemos descobrir que temos uma forte afinidade por certas línguas estrangeiras e conseguimos aprendê-las rapidamente. Quando viajamos começamos a gostar mais de certas paisagens do que de outras. Se algum lugar estiver acima de todos como sendo o mais atraente, é provável que já tenhamos vivido naquele lugar antes. E, assim sucessivamente, através de certos indícios poderemos descobrir algumas ideias gerais de vidas passadas. A partir deste ponto, a meditação é muito importante, pois poderá revelar-nos um conhecimento mais profundo do que fomos anteriormente, conforme o nosso caminho evolutivo.

Pode acontecer irmos a um lugar pela primeira vez e parece que reconhecemos certas cenas, mas as pessoas com quem mantivemos vínculos já se foram. Noutras ocasiões encontramos pessoas que sentimos ter conhecido antes. Por outro lado, também podemos reconhecer, pelas nossas inclinações, se fomos homem ou mulher na última vida passada, Muitas mulheres têm tendências masculinas e muitos homens querem ser mulheres. Aliás, tanto os homens como as mulheres carregam as duas características, quer masculina quer feminina, mais ou menos desenvolvidas, sendo que desenvolvem naturalmente uma maior inclinação pela parte a que pertencem agora.
Tanto o homem como a mulher são igualmente importantes. A razão e o sentimento estão presentes em ambos. Mas, no homem predomina a razão e, na mulher, o sentimento. É mais fácil influenciar o homem apelando à razão em vez dos sentimentos. A mulher responde mais prontamente se apelarmos para as emoções. Todavia, pela comunhão com Deus, podemos harmonizar ou equilibrar as duas qualidades no nosso íntimo. Alcançar o divino equilíbrio entre a razão e o sentimento deve ser o objectivo tanto do homem como da mulher. O homem tem, em geral, de cultivar mais sentimento, e a mulher, mais lógica.

A reencarnação no Gītā e na Bíblia

A reencarnação, exposta por Krishna, com tanta beleza na Bhagavad Gītā, é uma das doutrinas espirituais mais úteis e inspiradoras, porque sem ela não podemos compreender a justiça de Deus. Porque razão uma criança nasceria defeituosa? Porque Deus enviaria a uma família duas crianças fortes e sadias, e outra deficiente? Se somos todos feito à imagem de Deus, onde está a justiça nesse caso? Só a reencarnação pode explicar isso. Por exemplo, uma criança deficiente motora é uma alma que, nalguma vida passada, transgrediu as leis de Deus e, em consequência disso, perdeu o uso das pernas. Como é a mente que modela o corpo, e essa alma perdeu a consciência de possuir pernas sãs, não foi capaz de criar um par de membros perfeitos quando regressou a esta vida. E, por esse motivo, precisamos voltar repetidas vezes, até reconquistarmos a nossa perfeição perdida. Quem se tornar perfeito não precisará mais voltar à Terra.

Quem superou o desejo está unido a Deus. Jesus fez essa referência quando disse: “A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dali não mais sairá” (Apocalipse 3:12). Também em (João 3:3): Jesus respondeu aos seus discípulos: “Em verdade, em verdade vos digo, que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. A Gītā, promete, igualmente: “Ó Arjuna! Esse é o estado do ‘estabelecido em Brahma”. “Quem entra nele jamais se ilude, novamente. Mesmo no exacto momento da transição, do físico para o astral, se alguém aí ancora, alcança o estado final, irrevogável, de comunhão com o Espírito”. Noutra citação da Bhagavad Gītā (3.000 a.C), lemos: “Da mesma forma que nos desfazemos de uma roupa usada para pegar noutra nova, assim a alma se descarta de um corpo usado para se revestir de novos corpos”.

Assim que vencermos, em definitivo, os desejos físicos, não sairemos mais de Deus. O desejo traz-nos de volta a esta terra. Temos sido filhos pródigos e, a não ser que renunciemos aos desejos, não poderemos retornar para Deus. Se, de repente, tivermos de deixar este mundo ainda com desejos no coração, precisaremos voltar aqui outra vez até extingui-los. É preciso recuperar a nossa própria perfeição antes de podermos regressar a Deus. Quando vem a tempestade, as ondas se agitam sobre o oceano, mas assim que o oceano se acalma, as ondas desfazem-se no mar. O mesmo acontece connosco. Assim que terminar a tempestade de desejos materiais, poderemos nos dissolver novamente no oceano de Deus.

Jesus nunca falou directamente sobre a ideia da reencarnação, ainda que ela fosse ensinada pelos Essénios, uma seita proeminente daqueles dias. Mais tarde, o historiador antigo, Josephus faz referência a isso como se fosse uma crença comum dos Judeus. Ele escreveu no “De Bello Judaico”: “Eles dizem que todas as almas dos bons são apenas removidas para outros corpos”. “Penso que Jesus Cristo deve ter-se referido a isso como se fizesse parte de ideias aceites naquela altura. Ele nunca repudiou ou negou a crença nem ensinou que fosse falsa”.
O Cristianismo primitivo ensinava a reencarnação e há várias citações na Bíblia a respeito. Torna-se bastante evidente, que os homens daquela altura não viam nada de extraordinário no conceito de que Jesus deveria ser a reencarnação de alguém que o tivesse precedido. Jesus revelou que conhecia essa verdade, quando disse: “Elias já veio, e eles não o conheceram. (…) Então os discípulos compreenderam que lhes falava de João Baptista” (Mateus 17:12-13). Quando ele disse: “Elias já veio”, quis dizer que a alma de Elias tinha reencarnado no corpo de João Baptista.
Jesus foi Eliseu na sua vida anterior e atingiu a maior parte da sua perfeição naquela encarnação como Eliseu (Elisha), e João Baptista, o guru de Jesus, foi Elijah (Elias) na sua vida anterior. Referindo-se a João Baptista, Jesus disse: “E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias, que estava para vir” (Mateus 11:14).

A última encarnação de Eliseu, como Jesus, foi profetizada várias centenas de anos, antes do evento, porque ele estava destinado a cumprir um plano de Deus. Essa profecia encontra-se no livro de Isaías (7:14), oito séculos antes de Cristo: “Portanto, o Senhor mesmo vos dará sinal: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe darão o nome de Emanuel”. São Mateus ao narrar o evento do nascimento de Cristo, assinalou: “Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo Senhor, por intermédio do profeta: ‘Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus connosco’”. (Mateus 1:22-23).
Jesus aprendera todas as lições na escola da vida de muitas encarnações e demonstrara completa vitória sobre a consciência material. Por isso é que, dele, o Pai Celeste disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”. Nós somos todos filhos de Deus. Há muitas encarnações Ele nos criou, como criou Jesus. No Evangelho de São João, vemos o próprio Jesus declarando: “Não está escrito na vossa lei: Eu disse, Vós sóis deuses?” (João 10:34). Jesus foi feito à imagem de Deus, como nós, e ele venceu a ilusão, mostrando-nos como fazer o mesmo. Se superarmos a ilusão nesta vida, retornaremos para Deus e não mais reencarnaremos. “A quem vencer, eu farei coluna no templo do meu Deus, e dali não mais sairá”. (Apocalipse 3:12).

Em João 9:2, podemos ler: “E os seus discípulos perguntaram-lhe: Mestre, quem pecou foi este homem, ou os pais dele, uma vez que ele nasceu cego”. Isto mostra que era evidente existir o conceito da reencarnação na mente dos discípulos ao fazerem essas perguntas, porque se a cegueira era consequência do pecado, como eles presumiram, então era óbvio que aquele pecado deveria ter ocorrido antes do nascimento que produziu aquela cegueira.
A crença da reencarnação não era nova, mas sim altamente apoiada no tempo dos pré-cristãos. Era ensinada nas escrituras do Antigo Egipto, e era, e ainda é ensinada nas Religiões do Hinduísmo e Budismo. O grande Filósofo Grego Pitágoras (582-500 a.C.) lembrava-se das suas vidas passadas, e Platão, que continuou os seus ensinamentos, aceitou a ideia da reencarnação.
A reencarnação era aceite pelos Neo-Platónicos. Segundo alguns estudiosos, a reencarnação fazia parte dos primeiros ensinamentos Cristãos até meados do século seis. Era, com certeza, aceite pelos Cristãos Neo-Platónicos, em Alexandria. Podemos citar S. Jerónimo (340-420 A.D.), que ao usar o termo “transmigração” para a reencarnação escreveu: “A doutrina da transmigração tem sido ensinada desde os tempos antigos, para um pequeno número de pessoas, como sendo uma verdade tradicional, que não era para ser divulgada” (Epístola de Hyeronym e Demetriadem).
Um dos maiores Pais do Cristianismo, Origenes (185-254 A.D.) foi descrito por S. Gregório de Nice como sendo “o Príncipe da Erudição Cristã, no século três”. Origenes nasceu em Alexandria, filho de pais cristãos. Ele declarou firmemente a sua crença na reencarnação, no seu livro “De Principiis”: “Todas as almas… vêm para este mundo fortalecidas pelas vitórias e enfraquecidas pelos defeitos das suas vidas anteriores… A sua função no mundo determinará o seu lugar no mundo que virá a seguir”.

Infelizmente, assim que a Igreja Católica Romana foi estabelecida, viu a doutrina da reencarnação como um perigo à sua posição como intermediária entre Deus e o homem. O Reverendo William A. Gifford, na “História da Fé”, descreveu como no ano 543 A.D. o Imperador Romano Justiniano, que tinha na altura assumido a chefia da Igreja, emitiu um édito contra Origenes e a sua doutrina da reencarnação. Certo é que o conflito entre o Imperador Justiniano e a Igreja alcançou o seu clímax no ano 553 A.D., quando o segundo Concílio de Constantinopla, em que o Papa recusou assistir, declarou a doutrina de Origenes herética, uma vez que admitia a pré-existência da alma. A partir daí a crença na reencarnação foi declarada com penalidade de excomunhão por parte da Igreja.
Os historiadores, de hoje, afirmam que na Europa Medieval, os sucessores dos Cristãos Agnósticos, que conservavam a fé na reencarnação, isto é, os Albigenses ou Cátaros são um exemplo. Embora constituíssem muitos milhares, foram, desafortunadamente, esmagados pelas guerras sagradas e pela Inquisição.

Testemunho e declarações de grandes seres sobre a Reencarnação

Através dos tempos, e nas várias tradições antigas, muitos dos grandes seres e pensadores do passado, assim como do presente têm aceitado a ideia da reencarnação, tais como: Hermes Trismegisto, Zoroastro, Pitágoras, Platão, Buda, Sócrates, Cícero, Dickens, Tolstoy, Kant, Aldous Huxley, Browing, Sibelius, etc… Podemos citar alguns exemplos de depoimentos e declarações dos grandes seres do passado, com afirmações muito positivas, desde há 3.000 anos a.C.:

- Num Papiro Egípcio (3.000 a.C.) lê-se: “Antes de nascer, a criança já viveu e a morte não é o fim. A vida é um evento que passa como o dia solar que renasce.”
- No Livro Egípcio dos Mortos (2.000 a.C.) cita-se: “Honra a ti, Ósiris, Ó Governador dos que se encontram no paraíso, tu que fazes renascer os mortais, que renovas a sua juventude…”

- Hermes Trismegisto (1.250 a.C.) diz: “Ninguém pode ser salvo sem renascer e sem se livrar das paixões que entrarem no último nascimento espiritual”.

- Zoroastro (1.000 a.C.) afirmou: “Aquele que retornar à Terra e fizer o bem, de acordo com o seu conhecimento, as suas palavras, acções e intenções, receberá um dia uma recompensa, que convenha aos seus méritos… Aqueles que durante o período de vida na Terra viverem na dor e no desgosto, estão a sofrer com isso por causa das palavras mesquinhas ou pelas suas más acções que usaram no passado num corpo anterior, sendo por isso punidos no presente”.

- Pitágoras (572-492 a.C.) mencionou: “A alma nunca morre, mas recomeça uma nova vida, ela não faz mais do que mudar de domicílio, tomando uma outra forma. Quanto a mim, que vos revelo estas misteriosas verdades, já fui Euforbes numa outra vida, no tempo da guerra de Tróia, lembro-me muito bem do meu nome e dos meus pais, assim como do modo como fui morto em combate com o rei de Esparta. Em Micenas, no Templo de Juno, vi suspenso na parede o meu próprio escudo de um outro tempo. Mas, embora vivendo em vários corpos, a Alma é sempre a mesma, pois só a forma muda”.

- O Senhor Buda (563-483 a.C.) declarou: “Os seres humanos que se apegam demasiado aos valores materiais são obrigados a reencarnar incessantemente, até compreenderem que ‘ser’ é mais importante do que ‘ter’”.

- Sócrates/Filósofo Grego (469-399 a.C.) afirmou: “Estou convencido que vivemos novamente, e que os vivos emergem dos que morreram, e que as almas dos que morreram estão vivas”.
- Platão (427-347 a.C.) referiu: “Ó tu, moço ou jovem que te julgas abandonado pelos deuses, fica a saber que se te tornares pior, irás ter com as piores almas, ou se melhor, irás juntar-te às melhores almas, e em todas as sucessões de vida e morte farás e sofrerás o que um igual poderá merecidamente sofrer nas mãos de iguais. É esta a justiça dos Céus.”
- Cícero (106-43 a.C.) disse: “Outro forte indício de que os homens sabem a maioria das coisas antes do nascimento é porque, quando crianças aprendem factos com enorme rapidez, o que demonstra que não os estão aprendendo pela primeira vez, e sim os relembrando.

- Honoré de Balzac/Escritor Francês (1799-1850 d.C.) afirmou: “Todos os seres humanos experimentaram vidas anteriores… Quem sabe quantas formas físicas o herdeiro do céu ocupa, antes que ele possa compreender o valor daquele silêncio e solidão, cujas planícies estreladas são apenas a antecâmara dos mundos espirituais?”

- O Psicólogo, Carl Jung, em “Memórias, Sonhos e Reflexões” afirmou: “Posso bem imaginar que poderia ter vivido nos séculos passados… que tive de nascer novamente porque não cumpri a tarefa que me estava destinada”.

- O Americano, fabricante de carros, Henry Ford, no “San Francisco Examiner, de 26 de Agosto de 1928”, declarou: “Eu adoptei a teoria da reencarnação quando tinha vinte e seis anos… foi como se tivesse encontrado um plano Universal”.

- Salvador Dali, pintor, no “New York Herald Tribune, de 24 Janeiro 1960”, disse: “Eu não sou apenas um místico. Sou também a reencarnação de um dos maiores de todos os místicos Espanhóis, São João da Cruz. Posso lembrar-me vividamente da experiência com a união divina, suportando as noites escuras da Alma… Posso lembrar-me do mosteiro e de muitos dos colegas monges de São João”.

- O ex-Primeiro Ministro Britânico, David Lloyd George, no “Diário Íntimo de Lord Riddel”, escreveu: “O Céu convencional com os seus anjos cantando perpetuamente, etc., quase me pôs doido na minha juventude e fez de mim um ateu por dez anos. A minha opinião é que devemos ser reencarnados”.

- John Bucham, o novelista, em “Memory Hold-the-door” escreveu: “Encontro-me muitas vezes em algumas cenas que é impossível ter vivido antes, e que me são contudo perfeitamente familiares. Sei que foram palco de uma acção na qual eu tomei parte uma vez, e que estou perto de fazer parte de novo”.

- O poeta Rudyard Kipling, in “The Sack of the Gods”, disse: “Eles voltarão, voltarão de novo, assim que o planeta vermelho girar. Ele nunca arrasou nenhuma folha ou árvore. Acham que ele dissiparia as almas?”.

- O ex-Presidente Americano Benjamim Franklin /1706-1790 d.C.), foi citado por Emerson, como tendo dito: “Eu considero a morte como sendo necessária para o restabelecimento, tal como o sono. Nós devemos erguer-nos revigorados pela manhã”.
Aos vinte e dois anos ele escreveu este famoso epitáfio:
“O corpo de Benjamim Franklin, tipógrafo (tal como a capa de um velho livro, com o seu conteúdo rasgado e despido das suas letras e dourados) jaz aqui, pasto para vermes. Mas, o trabalho não ficará perdido, pois ele aparecerá (como ele acreditava) uma vez mais, numa edição nova e mais elegante… revista e corrigida pelo autor”.


O aperfeiçoamento do amor nos nossos relacionamentos

Deus não pode permitir ao homem normal que recorde as suas vidas passadas, por razões muito profundas. Se tal acontecesse poderíamos sentir uma influência negativa e, por certo, estaríamos mais apegados àqueles que conhecemos anteriormente, em vez de expandirmos o nosso amor para abranger os outros que estão ao nosso redor. Contudo, há almas mais evoluídas que podem ter conhecimento de algumas vidas passadas, sem que isso influencie a sua vida normal, devido ao seu desprendimento, profundo conhecimento e respeito pelas leis espirituais. Portanto, para elas, ter o conhecimento é o mesmo que não tê-lo, ainda que o mesmo sirva, muitas vezes, para se tornarem mais esclarecidas, por algo que sentem ou fazem no presente, e assim melhorarem o seu comportamento e ajudarem o seu semelhante.

Deus quer que ofereçamos amizade e amor a todos, mas, para que tal aconteça, temos de aperfeiçoar o amor pelo menos num relacionamento. Portanto, quando encontramos os nossos velhos amigos, devemos melhorar a nossa relação de amor com eles.
Discípulo significa aquele em quem o guru aperfeiçoa o estado de amizade divina. Os que seguem os preceitos do guru são os seus discípulos. Os desejos de um verdadeiro guru são guiados pela sabedoria divina e, se estivermos sintonizados, podemos tornar-nos tão livres como ele.
Citam-se dois exemplos da Bíblia e da Gītā que são semelhantes: “Se permanecerdes em minhas palavras, sereis em verdade meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:31-32). “Permeados de devoção, os homens que incessantemente praticam os Meus preceitos, sem encontrar defeitos, tornam-se livres de (todo) o karma” (Bhagavad Gītā III:31).
Mas, acima de tudo, devemos aprender o máximo que pudermos e nos esforçarmos por alcançar o mais elevado grau de desenvolvimento espiritual, na escola da vida. Comunguemos com Deus quando pudermos fazê-lo, visto que as deficiências de todas as coisas inferiores que se sucederam serão perdoadas. Para nos libertarmos do karma que nos prende aos deveres menores da vida, temos de desenvolver a sabedoria e a consciência de Deus.

Quem estiver liberto como Jesus, estará unido em Espírito. Entretanto, retém a sua individualidade, pois, quando Deus cria um ser humano, conserva na Sua consciência cósmica um registo permanente dessa criação. Todos os pensamentos e acções de todas as criaturas estão gravados na consciência de Deus. Jesus referiu-se a isso, quando disse: “Não se vendem cinco pardais por dois centavos? Mas nenhum deles fica esquecido diante de Deus”. (Lucas 12:6).
Quando oramos a Jesus Cristo, Ele sente as nossas orações, porque almas livres como Ele estão conscientes dos chamados dos seus devotos. Podemos não perceber que estamos a receber as vibrações dos nossos sentimentos, mas na verdade estamos. Certo é que, quando o nosso pedido amoroso é muito forte, os grandes Mestres vêm até nós.

O desejo dos Mestres é redimir toda a Terra, porque todos os Santos da realização Divina sabem que para eles não há morte. Embora vivam na Alegria Eterna, têm consciência das aflições do mundo. Eles dizem ao Pai Celestial: “Os homens estão-se a matar uns aos outros e a sofrerem de muitas outras maneiras. Por que tem de ser assim?” E Deus diz: “Um dia, Eu vos enviarei de volta para ajudá-los”. Na verdade, os Salvadores da humanidade, designados por Deus, têm de voltar à Terra outra vez, mas, quando virão, ninguém o poderá dizer. Muitos acreditam na segunda vinda de Cristo, mas se isso acontecer, dependerá da vontade de Deus. Os grandes Mestres só vêm com a permissão do Pai Celestial, sendo que em alguns casos, e na época certa, os profetas anunciam. Contudo, outros avatares chegam, sem serem anunciados, e mesmo assim eles vêm. E nós também queremos vir muitas vezes.

De facto, será maravilhoso voltar para ajudar a humanidade, e essa é a razão pela qual todos devemos querer viver neste mundo. Não devemos buscar o benefício egoísta. Se somos conhecidos de Deus, tornamo-nos conhecidos como seus filhos, pois em Deus somos apenas um. É muito importante encontrá-lo! E para o nosso próprio bem, devemos conhecer o Seu Amor e Nele mergulhar, noite e dia, em alegria contínua e felicidade infinita.
Não há dúvida de que as grandes almas reencarnarão de novo, pois Deus deu-lhes a individualidade e um papel divino para que O representem. Elas virão, porque há uma grande multidão de irmãos no mundo, que estão a deixar-se mergulhar na lama da ilusão e do sofrimento. Os grandes Mestres retornarão, tal como Jesus voltará como Maitreya, para ajudar mais almas a seguirem o Reino dos Céus.
   


® http://www.fundacaomaitreya.com

Impresso em 17/6/2021 às 22:38

© 2004-2021, Todos os direitos reservados